Foi realizado na tarde desta segunda-feira (30/3), em Salinas, no Norte de Minas, o sepultamento do corpo do ex-deputado estadual e ex-prefeito da cidade Geraldo Paulino Santana. O político morreu domingo (29/3), aos 100 anos. Santana foi uma das “velhas raposas" da política mineira, com atuação junto ao poder central do estado por mais de 40 anos, entre as décadas de 1960 e de 2000.
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Além de vereador, prefeito de Salinas (por duas gestões) e deputado estadual (por três mandatos), foi secretário de estado e presidente da Cemig.
O prefeito de Salinas, Kinca Dias (PDT), decretou luto oficial no município, onde a prefeitura não teve expediente na manhã desta segunda-feira. Em nota de pesar, divulgada em rede social, a prefeitura faz referência a Geraldo Santana como um “homem público de estatura rara, cuja trajetória foi marcada pelo compromisso inabalável com o desenvolvimento da nossa cidade, região e de toda Minas Gerais".
Geraldo Santana, que foi contínuo do antigo Banco de Crédito Real de Minas Gerais, ingressou na política em Salinas, sua terra natal, aos 26 anos de idade, como vereador (1951/1955). No período de 1959 a 1963, exerceu o seu primeiro mandato como prefeito da “capital da cachaça”.
Oposição aos temidos coronéis
Para chegar à prefeitura, Santana derrotou candidato apoiado pelo “temido coronel Idalino Ribeiro, que, até então, reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas e região”, registra o pesquisador e escritor Roberto Carlos Morais Santiago, vinculado ao Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, também no Norte de Minas. “O (então) jovem político Geraldo Santana encerrava o ciclo dos políticos coronéis”, escreveu.
Geraldo Santana foi deputado estadual por três mandatos (de 1967 a 1971 e de 1991 a 1999). Entre outros cargos, comandou as antigas secretarias de Minas e Energia (1987) e de Assuntos Municipais (1989 a 1990), além de ter sido presidente da Cemig, em 1987, no governo Newton Cardoso.
Discreto, o político exercia sua influência agindo nos bastidores. Conforme descreve Santiago, a “velha raposa da política teve participação no alto escalão no comando do estado durante 12 governos": de Bias Fortes (1956/1960), passando por Magalhães Pinto (1961/1965), Israel Pinheiro (1966/1970), Rondon Pacheco (1971/1975), Aureliano Chaves (1975/1978), Francelino Pereira (1979/1983), Tancredo Neves (1983/1984), Hélio Garcia (1985/1987 e de 1991 a 1994), Newton Cardoso (1987/1991), Eduardo Azeredo (1995/1998) e Itamar Franco (1999/2002).
Acordo na rivalidade
Geraldo Santana sempre exerceu uma grande liderança em Salinas, que, além da fama por causa da qualidade da aguardente que produz, ficou conhecida pela forte rivalidade na política local. Em 2000, Santana e seu, até então, ferrenho adversário na cidade, o ex-deputado estadual Péricles Ferreira (1943/2021), fizeram um surpreende e inusitado acordo ao comporem a chapa para a disputa da prefeitura local, tendo Geraldo Santana como candidato a prefeito e Péricles, a vice.
Eles saíram vitoriosos nas urnas. Assim como acordado, Santana permaneceu na chefia do Executivo por dois anos e, ao final desse prazo, renunciou para que o vice completasse o mandato. No final de 2002, Geraldo Santana passou o bastão para Péricles Ferreira e se afastou das disputas.
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No último domingo, Geraldo Santana, depois de completar um século de nascimento, se despediu da vida, deixando um legado com uma das mais emblemáticas figuras da política mineira.
