O Banco Master, de Daniel Vorcaro, que é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro, e a companhia JBS, dos irmãos Batista, repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
A informação é do Estadão. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), acessado pelo jornal, registrou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult Inteligência Tributária, empresa fundada em 2022 em Teresina (PI), cidade natal do ministro. No mesmo período, a JBS enviou outros R$ 11,3 milhões.
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Os valores equivalem a tudo o que a empresa recebeu neste intervalo de tempo. No entanto, a consultoria declarou faturamento de apenas R$ 25,5 mil. Com isso, o Coaf classificou as movimentações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, “indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”.
A lista de pagamentos feitos pela consultoria foi analisada e, dentre eles, o Coaf identificou 11 pagamentos que somam R$ 281.630 ao escritório do filho de Nunes Marques, o advogado Kevin de Carvalho Marques. Conforme registros da OAB, Kevin é o único responsável pelo escritório.
O filho de Nunes Marques tem 25 anos de idade e um ano de experiência na OAB, segundo site profissional retirado do ar. Ele atua no escritório com direito tributário e também como um dos procuradores da Refit, antiga Refinaria Marquinhos, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília. Kassio Nunes Marques foi desembargador no Tribunal antes de ser indicado ao Supremo, em 2020.
“Tenho me dedicado a entender profundamente as complexidades do sistema tributário brasileiro, buscando soluções eficientes e personalizadas para cada cliente”, escreveu no site profissional.
Ao Estadão, Kevin Marques declarou que os pagamentos são lícitos e decorrentes do exercício regular da advocacia “voltada ao físico administrativo”.
Em nota, a JBS declarou que contrata consultores “para apoiar sua atuação” na área tributária, incluindo a Consult. Por sua vez, a consultoria disse que presta serviços de auditoria e consultoria tributária, além de desenvolvimento de sistemas e migração de dados. Sobre os pagamentos ao advogado, disse apenas que se referem à “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025”.
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O ministro Kassio Nunes Marques e o Banco Master foram procurados pelo Estado de Minas para comentar o assunto e ainda não retornaram. O espaço segue aberto.
