Empresa de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões de Master e Reag, diz Coaf
Relatório aponta repasses entre 2022 e 2024; ex-prefeito de Salvador afirma que valores se referem a serviços de consultoria
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Uma empresa ligada ao primeiro vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag Investimentos entre o fim de 2022 e maio de 2024, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As informações foram reveladas pelo jornal O Globo.
Segundo o documento do órgão de controle financeiro, os repasses ocorreram para a A&M Consultoria Ltda., empresa da qual ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, é sócio ao lado da esposa. Os pagamentos foram feitos logo após as eleições de 2022, em dezembro daquele ano, e ao longo de 2023 e 2024.
A empresa foi aberta em 28 de dezembro de 2022, com capital social de R$ 2 mil. De acordo com dados da Receita Federal, a atividade principal é a prestação de serviços de consultoria em gestão empresarial, tendo como atividade secundária o apoio à educação.
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Relatório do Coaf aponta que, entre junho de 2023 e maio de 2024, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão em 11 transferências da Reag e R$ 1,3 milhão em nove repasses do Banco Master, totalizando R$ 2,9 milhões. Antes desse período, em março e junho de 2023, a A&M Consultoria já havia recebido outros R$ 703,8 mil, sendo R$ 422,3 mil do Banco Master e R$ 281,5 mil da Reag.
No mesmo intervalo analisado pelo órgão, ACM Neto recebeu de sua própria empresa R$ 4,2 milhões em 14 transferências.
No relatório, o Coaf afirma ter identificado movimentações consideradas elevadas em relação à capacidade financeira declarada da empresa. “Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, diz o documento.
Procurado, ACM Neto confirmou os pagamentos e afirmou que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados após deixar a vida pública. Em nota enviada ao O Globo, o ex-prefeito afirmou que constituiu a empresa quando já não ocupava cargo público e que os contratos foram firmados de forma regular com diferentes clientes.
Segundo ele, os trabalhos incluíram análises sobre a agenda político-econômica nacional, com reuniões com equipes técnicas e jurídicas das empresas contratantes.
ACM Neto também declarou que, à época dos contratos, não havia qualquer questionamento sobre a atuação das empresas envolvidas. O político acrescentou que os serviços prestados não têm relação com investigações em curso e que os pagamentos recebidos são compatíveis com os serviços realizados.
O ex-prefeito disse ainda estar “totalmente seguro” em relação às operações e afirmou que não há irregularidades nos contratos firmados.
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"Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação. Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados", diz a nota.