'MIGALHA'

ALMG aprova recomposição de servidores por unanimidade, mas sob críticas

Oposição de esquerda e bancada do PL criticaram valor de 5,4%, que não recupera ausência de reajustes em anos anteriores

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Os deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovaram por unanimidade, em primeiro turno, o projeto de lei que prevê recomposição salarial de 5,4% para servidores públicos do estado nesta terça-feira (24/3).

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Foram 60 votos favoráveis e nenhum contra. Apesar da votação expressiva, parlamentares da oposição consideraram a recomposição insuficiente. “É um ‘não-estado’ para o serviço público e todo o estado para a turma dos benefícios fiscais”, disse a deputada Beatriz Cerqueira (PT).

A recomposição também frustrou membros da bancada do PL com ligação a servidores das forças de segurança pública. O deputado Sargento Rodrigues chamou o valor de “migalha”: “Está muito, mas muito longe de atender a perda inflacionária dos servidores públicos de uma forma geral. Mas falo aqui em nome dos servidores da segurança pública. O que mais me deixa triste é saber que o governador Romeu Zema por duas vezes assumiu compromissos com os servidores e não honrou com sua palavra."

A proposta segue para análise em segundo turno e deve tramitar rapidamente, já que precisa ser sancionada até 4 de abril, 180 dias antes das eleições, tempo limite para aprovação de reajustes com ganho real em anos eleitorais.

Frustração de servidores

Desde o anúncio da proposta pelo governo Zema (Novo), no início deste mês, sindicatos e representantes do funcionalismo demonstraram insatisfação.

A recomposição, segundo o Executivo estadual, será aplicada a cerca de 673 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas da administração direta e indireta, com pagamento retroativo a 1º de janeiro de 2026. O impacto estimado é de R$ 3,4 bilhões anuais.

Diretor político do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público (Sindpúblicos-MG), Geraldo Antônio Henrique afirmou que o índice anunciado não representa avanço real diante das perdas acumuladas desde 2022 e reforça a percepção de que o funcionalismo não é tratado como prioridade.

Ele apontou que, ao longo dos últimos anos, a recomposição inflacionária deixou de ser aplicada em diferentes períodos, criando um efeito cumulativo que reduziu significativamente o poder de compra dos salários.

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“Dos quatro anos que o Zema prometeu recomposição, ele só deu um, e mesmo assim ficou devendo. Nós não recebemos as inflações de 2022, 2024 e 2025. Isso vai acumulando e traz uma consequência muito complicada para o servidor”, disse ao Estado de Minas.

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