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Empresa de filho de ministro do STF tem mesmo endereço da que recebeu R$18 mi de Master e JBS

Jovem advogado recebeu R$ 281 mil da mesma empresa

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Filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, o advogado Kevin de Carvalho Marques é proprietário de uma empresa situada no mesmo endereço da Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS.

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Nesta semana, o Estado de S. Paulo revelou que Kevin, que tem apenas 25 anos e menos de dois anos de OAB, recebeu R$ 281.630 da Consult em seu escritório de advocacia, dinheiro proveniente dos R$ 18 milhões. Hoje, a Revista Piauí publicou que outra empresa do filho de Nunes Marques, o Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT), tem ligações ainda mais profundas com o dinheiro repassado pelo Master e pela JBS.

Por meio de registros societários da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), foi revelado que Kevin Marques é proprietário de 70% do IPGT, enquanto os outros 30% são de Gabriel Campelo de Carvalho. O sócio é filho de Francisco Craveiro de Carvalho Junior, dono da Consult, que recebeu a quantia milionária.

Além disso, o IPGT e a Consult compartilham o mesmo endereço: Alameda Rio Negro, 1030, no bairro de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. Ambas com escritório na sala 2304 do condomínio Stadium. Conforme o Jucesp, o e-mail também é o mesmo: s.externocraveiro@gmail.com. O dono da Consult, Francisco Craveiro, ainda é contador do IGPT.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), acessado pelo Estadão, registrou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult Inteligência Tributária. No mesmo período, a JBS enviou outros R$ 11,3 milhões.

Os valores equivalem a tudo o que a empresa recebeu neste intervalo de tempo. No entanto, a consultoria declarou faturamento de apenas R$ 25,5 mil. Com isso, o Coaf classificou as movimentações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, “indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”.

Nunes Marques relatou processo dos irmãos Batista

O ministro foi relator de um caso da J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Em 2024, a empresa foi alvo de uma ação no STF por parte da Paper Excellence, da Indonésia, que queria o controle da Eldorado Brasil Celulose.

Pouco depois, a Paper desistiu da ação. Em 1º de agosto de 2024, a JBS começou a fazer os pagamentos por Pix à Consult. Em outubro, Nunes Marques tomou a primeira decisão no caso, rejeitando a desistência da Paper e determinando uma audiência de conciliação.

O IPGT foi criado em 7 de novembro, com todas as ligações já descritas com a Consult. 11 dias depois, aconteceu a audiência de conciliação, presidida pelo ministro Nunes Marques.

Em maio de 2025, J&F e Paper chegam a um acordo, que permitiu aos irmãos Batista comprarem a parte dos indonésios na Eldorado Celulose por R$ 15 bilhões. Nunes Marques arquiva a ação pouco depois, em decisão sigilosa. Em julho, a JBS encerra os pagamentos à Consult, que totalizaram R$ 11,3 milhões.

Posicionamentos

À Revista Piaui, a Consult negou relação societária com a empresa de Kevin e disse que o “compartilhamento de endereço fiscal ocorreu de forma temporária enquanto era definida e formalizada a sede definitiva da Consult” e disse que o e-mail está “desatualizado”. Explicou: ““O IPGT é apenas um projeto em concepção, que permanece sem operação, sem faturamento e sem desenvolvimento de atividades”.

Nunes Marques disse, por meio da assessoria de imprensa do STF, que “jamais prestou qualquer tipo de serviço ou consultoria, seja de natureza formal ou informal, remunerada ou não, para a empresa Consult Inteligência Tributária”.

Já Kevin Marques afirmou que IPGT e Consult “são independentes uma da outra e cada uma cuida de seus próprios negócios”. “Diferente do que afirma a reportagem, as empresas citadas não formam grupo econômico. Como está público em todos materiais de divulgação, elas funcionam no mesmo endereço. Isso foi feito de modo deliberado, em uma estratégia empresarial legal, legítima, explícita e recorrente, no Brasil e no mundo”.

Em nota, a JBS declarou que contrata consultores “para apoiar sua atuação” na área tributária, incluindo a Consult: “O pagamento realizado para esta empresa refere-se exclusivamente a serviços de consultoria e auditoria fiscal. Foram efetivamente prestados e documentados”.

“Portanto é leviana e infundada qualquer tentativa de associação. Da mesma forma, é irresponsável insinuar relação entre os serviços técnicos contábeis regularmente contratados e decisões judiciais sem qualquer conexão”, completou.

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A J&F, holding dos Batista, optou por não se manifestar, assim como o Banco Master. O espaço segue aberto.

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