Erika Hilton sobre presidência da comissão: 'Incomoda mais que violência'
Deputada assume a presidência da Comissão da Mulher, na Câmara dos Deputados, e afirma que colegiado enfrentará violência, misoginia e transfobia
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A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) reagiu às críticas à sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou que o incômodo gerado por sua escolha revela mais sobre o cenário político do que sobre sua atuação no cargo.
Em publicação nas redes sociais nessa quarta-feira (11/3), a parlamentar disse que o fato de sua presidência causar mais reação do que a violência contra mulheres no país expõe prioridades distorcidas no debate público. “O fato disso incomodar mais do que a onda de violência contra a mulher que assola nosso país diz muita coisa”, escreveu.
Primeira mulher trans a comandar o colegiado, Hilton foi eleita com 11 votos, enquanto dez deputados optaram por votar em branco. Ela sucede a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) no comando da comissão.
No discurso de posse, Hilton destacou o caráter simbólico da eleição e afirmou que pretende conduzir os trabalhos com diálogo e foco na defesa dos direitos das mulheres. Segundo ela, a gestão buscará contemplar diferentes realidades femininas no país.
“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande. Minha gestão tratará de todas as mulheres: das mães solo, das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, indígenas e das que lutam por sobrevivência e dignidade em todos os cantos deste país", destacou.
Na publicação, a deputada também afirmou que a comissão deve enfrentar temas como violência de gênero, misoginia, transfobia e desinformação nas plataformas digitais, incluindo o uso de deepfakes.
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A eleição da parlamentar gerou reação de parte da oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a escolha nas redes sociais nesta quinta-feira (12).
Segundo ele, deputadas contrárias à decisão deveriam obstruir os trabalhos da comissão até que a presidência fosse revista. “As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso”, escreveu.
Em resposta indireta às críticas, Hilton afirmou que não permitirá que discursos que tentem dividir mulheres dominem os trabalhos do colegiado. A deputada também disse que pretende tratar de pautas consideradas sensíveis por setores conservadores, como direitos reprodutivos e enfrentamento à misoginia.
“Enquanto presidenta, não permitirei que discursos que tentam nos dividir dominem essa comissão, que é de todas as mulheres”, afirmou.
Pedido de prisão
Erika Hilton também protocolou, nesta quinta-feira (12), uma representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de investigação contra o apresentador Ratinho por declarações consideradas transfóbicas feitas durante seu programa no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
No programa exibido na noite de quarta-feira (11), o apresentador questionou o fato de a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados ser presidida por uma mulher trans, citando diretamente a identidade de gênero da parlamentar. Em um dos trechos, afirmou: “Ela não é mulher, ela é trans”.
Ratinho também disse considerar que o comando do colegiado deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, declarou.
O apresentador do SBT também fez outra afirmação que gerou críticas. “Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, comentou durante a atração.
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Na representação apresentada ao MP-SP, Hilton solicita a abertura de inquérito policial para apurar o caso. A deputada também pede a prisão do apresentador. Caso haja condenação, a pena pode chegar a seis anos de prisão.