O apoio do PL à eventual candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao governo de Minas segue como possibilidade, mas ainda não está definido e depende diretamente do desfecho da disputa presidencial.

A avaliação é do presidente estadual da legenda, o deputado federal Domingos Sávio, que, em entrevista ao Estado de Minas, defende “cautela” e afirma que a prioridade é construir uma estratégia nacional coesa antes de formalizar alianças regionais.

Segundo ele, o partido mantém boa interlocução tanto com Simões quanto com o governador Romeu Zema (Novo), mas a consolidação de qualquer acordo passa, necessariamente, pela convergência em torno do projeto presidencial liderado pelo senador Flávio Bolsonaro.

“O ideal é que possamos estar todos juntos já no primeiro turno para a Presidência da República”, afirmou Sávio ao destacar que o objetivo da legenda é fortalecer sua candidatura nacional. Nesse contexto, ele considera que uma eventual aliança com Simões seria facilitada caso houvesse alinhamento entre os diferentes atores políticos envolvidos.

A incerteza decorre do fato de que o cenário mineiro está diretamente conectado à disputa nacional. Zema é pré-candidato à Presidência pelo Novo, enquanto Simões é filiado ao PSD, partido que também avalia lançar candidato próprio ao Palácio do Planalto. Para o dirigente do PL, essa sobreposição de projetos exige cautela e impede definições precipitadas.

“Não seria ético dizer que o Zema tem que deixar de ser candidato. Isso tem que ser uma decisão estritamente dele”, afirmou. Ao mesmo tempo, ele reconhece que uma eventual desistência do governador simplificaria o processo de construção de uma aliança em Minas.

Apesar disso, Sávio evita tratar o apoio a Simões como algo condicionado exclusivamente a esse movimento e ressalta que o partido segue avaliando o cenário. “É impossível sem esse gesto? Também diria que não chega a ser impossível”, disse, indicando que a legenda considera diferentes caminhos, embora tenha preferência por uma composição alinhada nacionalmente.

“Eu gostaria de uma campanha aqui com um candidato a governador trabalhando intensamente para a eleição do presidente já no primeiro turno”, disse. O dirigente também destacou que o partido pretende evitar fragmentação entre candidaturas que disputam o mesmo eleitorado. “O PL precisa buscar unidade da direita em Minas e unidade da direita no Brasil, porque o momento requer muita responsabilidade nossa”, afirmou.

Nikolas e Simões rodam o interior

A aproximação de Nikolas Ferreira e Mateus Simões ganhou força na última semana, impulsionada por uma agenda conjunta da dupla pelo interior de Minas. Na quinta e sexta-feira, eles estiveram em três cidades da Zona da Mata e Campo das Vertentes para anunciar investimentos. Em um encontro carregado de sinalizações eleitorais, ambos trocaram elogios e convergiram nas críticas ao PT.

Nesta segunda (23), eles voltaram a viajar juntos, desta vez para o Noroeste do estado, em visita aos municípios de Unaí e Paracatu. Sávio afirmou que essas agendas refletem a atuação institucional de Nikolas, que, como parlamentar mais votado do estado, recebe cobranças diretas de eleitores e busca viabilizar entregas em diferentes regiões. “Isso os aproxima mais? Sim. Mas isso define a aliança para o governo de Minas? Não. A aliança passa também pelo cenário nacional”, ponderou.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Nos bastidores, o tema ganhou relevância após uma reunião entre Nikolas e Jair Bolsonaro, na Papudinha, na qual foram discutidos os rumos do partido em Minas. Bolsonaro, segundo Nikolas, “deu liberdade” ao deputado para conduzir as articulações estaduais. Ainda assim, publicamente, o parlamentar negou que haja um acordo fechado com Simões, afirmando que as agendas conjuntas têm caráter administrativo.

compartilhe