SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) assistirá ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em sua homenagem neste domingo (15) com aliados divididos e sob alerta do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A agremiação abrirá a primeira noite do Grupo Especial do Rio de Janeiro com samba-enredo inspirado na trajetória política do petista no Sambódromo da Sapucaí. Ele estará no camarote da prefeitura para assistir ao desfile.
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A apresentação, às 22h, será transmitida ao vivo pela Globo, que exibe os desfiles do Carnaval de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, desfilará em um dos carros alegóricos. Ela será a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola de samba do Rio de Janeiro.
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Com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil", a Acadêmicos de Niterói também presta tributo à ex-primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017), que será representada pela atriz Juliana Baroni. Marisa desfilou em São Paulo pela Gaviões da Fiel em 2012, com o enredo "Verás que Um Filho Teu Não Foge à Luta - Lula, o Retrato de uma Nação". Na época, porém, Lula estava fora da Presidência.
A homenagem deste ano tem sido alvo de questionamentos por partidos da oposição, que acionaram a Justiça sob o argumento de propaganda eleitoral antecipada. O TSE rejeitou ações apresentadas para tentar barrar o desfile, mas a ministra Cármen Lúcia alertou para o risco de ilícito.
"A festa popular do Carnaval não pode ser fresta para ilícitos eleitorais de ninguém e, portanto, afirma bem o eminente ministro André Mendonça, anunciam-se como partícipes pessoas que já se anunciaram como eventuais candidatos", afirmou nesta quinta-feira (12).
De acordo com a ministra, isso significa haver pelo menos um risco concreto de que venha a acontecer algum ilícito, "que será objeto, com toda certeza, da Justiça Eleitoral, que está acionada por propaganda eleitoral intempestiva", completou ela.
"Esse não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais ser o cenário de areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar", disse a presidente do TSE.
Na quinta-feira (12), Advocacia-Geral da União elaborou um parecer sob determinação da presidência no qual define os eventos carnavalescos como uma agenda privada.
O presidente orientou que ministros e auxiliares não participem do desfile em sua homenagem. Ministros foram proibidos de programar agendas oficiais que, artificialmente, coincidam com o Carnaval do Rio, e integrantes do governo que queiram assistir à apresentação deverão arcar com custos de passagem e hospedagem.
Outra recomendação é a de que não façam manifestações públicas em favor do governo durante o período.
Como mostrou a Folha, nas últimas semanas, o entorno do presidente se dividiu a respeito dos possíveis benefícios e perdas provocados pela presença de Lula no Carnaval em três capitais do país --além do Rio, Recife e Salvador.
Membros do governo e aliados temem um possível efeito político negativo, com exposição do presidente a vaias e outros insultos. Como os desfiles se estendem por mais de uma hora e a plateia é a mesma para todas as escolas de samba, o ambiente não será como de um evento organizado pelo governo federal ou pelo PT, quando os participantes são apoiadores de Lula.
Algumas lideranças petistas temem ainda o risco de a Acadêmicos de Niterói ter um desempenho fraco no desfile. Um medo em especial é que a escola de samba seja rebaixada, o que renderia memes e grudaria em Lula a fama de pé-frio poucos meses antes da eleição.
Há quem defenda que o presidente não tem culpa de ter sido escolhido como enredo, mas poderia ter se envolvido menos com o desfile.
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Outro grupo avalia como positiva a ida do presidente às festividades populares, defendendo ser importante a proximidade de Lula com a população. Para eles, o público do Carnaval estará interessado nos desfiles, não em manifestações políticas.
