O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, em instância nacional, a candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos, ao Senado nas eleições de 2026. O nome da petista já havia sido avalizado pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) em Minas Gerais há duas semanas, e a decisão foi referendada nesta terça-feira (10/2) pelo colegiado nacional da legenda.

A definição marca o primeiro movimento concreto do PT na montagem da chapa majoritária no estado. Ainda faltam as indicações para o governo e a vice, negociações que seguem em aberto enquanto o partido tenta costurar alianças com outras siglas.

A estratégia é construir uma frente ampla em Minas para fortalecer o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. Participaram da reunião do GTE nacional lideranças como a secretária nacional de Planejamento do partido, Gleide Andrade, e o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá.

Na configuração em discussão, o PT admite ceder a segunda vaga ao Senado para um partido aliado. A hipótese contraria a posição defendida inicialmente por Marília Campos, que desejava ser candidata única. A divergência travou as negociações internas até que se chegasse a um consenso em torno do nome da prefeita.

Segundo interlocutores, a prioridade de Marília é contar com o apoio direto de Lula durante a campanha, independentemente do formato final da chapa.

Prazo era até fevereiro

Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, antes da aprovação nacional, Marília condicionou a decisão de disputar o Senado a um prazo curto: até o fim de fevereiro. Segundo ela, a definição não era apenas partidária, mas envolve questões administrativas, já que uma eventual candidatura exigiria renúncia à prefeitura.

“Eu ainda não me considero uma pré-candidata”, afirmou. A prefeita disse que a possibilidade surgiu após pesquisas eleitorais apontarem seu nome na liderança para o Senado. “Em função das pesquisas eleitorais que já foram divulgadas, onde o meu nome aparece em primeiro lugar, falei: ‘Bom, tá aí um desafio, eu topo, eu topo disponibilizar o meu nome’.”

Apesar da disposição, ela afirmou que não reivindica a candidatura. “Eu não estou reivindicando, eu apenas me coloquei à disposição.” Para Marília, a decisão precisa estar vinculada à estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas. “Em função de um quadro eleitoral onde o presidente Lula, que vai ser candidato à eleição, precisa de um bom palanque, nada melhor do que uma mulher que já foi prefeita quatro vezes, já foi deputada, vereadora, com a trajetória que eu tenho para ajudá-lo nesse processo.”

Entre as condições para disputar o Senado, Marília citou o apoio explícito do presidente. “Uma delas é ser abraçada pelo presidente Lula. Eu quero que ele fale: ‘Ó, Marília, você é a minha candidata do meu coração’. Eu quero esse chamego do presidente Lula.”

Ela também condicionou a candidatura à garantia de estrutura partidária para a campanha. “São 853 municípios e não dá para brincar. Não dá para ser voluntária, falar: ‘Olha, eu faço campanha na caminhonete, que eu sempre fiz campanha’. Não. Eu preciso de estrutura para fazer campanha, de coisas para que eu possa me locomover, de jornalistas para fazer rede social.”

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Segundo a prefeita, o partido precisa definir com clareza sua estratégia para a disputa ao Senado. “São duas vagas, mas, concretamente, nós vamos eleger apenas um candidato ou uma candidata. O partido precisa definir em quem vai apostar todas as fichas.” Marília também impôs condição para a eventual composição de chapa. “O outro candidato da chapa não pode ter o mesmo perfil, não pode ter a mesma base social, porque, senão, a gente vai ajudar a eleger os dois do outro lado.”

 

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