Senado, PT, Lula, Pacheco e Silveira: veja o que Marília pensa sobre 2026
Marília Campos foi a entrevistada do Estado de Minas nesta segunda-feira (26/1). Ela fala do cenário eleitoral em Minas para 2026
compartilhe
SIGA
A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), condicionou uma eventual candidatura ao Senado em 2026 a um prazo claro: até o fim de fevereiro. Passado esse período, segundo ela, a decisão estará descartada. O limite, afirmou, não é apenas partidário, mas político e administrativo, diante da necessidade de preparar a cidade para uma possível renúncia ao cargo. As declarações foram dadas durante entrevista exclusiva ao Estado de Minas.
“Eu ainda não me considero uma pré-candidata”, afirmou. Segundo Marília, a disposição para concorrer surgiu após a divulgação de pesquisas eleitorais nas quais seu nome aparece em primeiro lugar na disputa ao Senado. “Em função das pesquisas eleitorais que já foram divulgadas, onde o meu nome aparece em primeiro lugar, falei: ‘Bom, tá aí um desafio, eu topo, eu topo disponibilizar o meu nome’”, disse.
A prefeita ressaltou, no entanto, que não reivindica a candidatura. “Eu não estou reivindicando, eu apenas me coloquei à disposição”, afirmou. Para ela, a eventual candidatura deve estar vinculada à estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais.
Leia Mais
“Em função de um quadro eleitoral onde o presidente Lula, que vai ser candidato à eleição, precisa de um bom palanque, nada melhor do que uma mulher que já foi prefeita quatro vezes, já foi deputada, vereadora, com a trajetória que eu tenho para ajudá-lo nesse processo”.
Marília afirmou que ainda não conversou diretamente com Lula e que o PT não definiu o cenário. “O PT ainda não definiu, eu não conversei com o presidente Lula e eu acho que isso tudo tem que ser amarrado direito”, disse. Questionada sobre o que falta para a definição, respondeu: “Eu diria que, para que eu seja candidata, eu tenho que colocar algumas condições”.
Entre as exigências, Marília destacou o apoio explícito do presidente. “Uma delas é ser abraçada pelo presidente Lula. Eu quero que ele fale: ‘Ó, Marília, você é a minha candidata do meu coração’. Eu quero esse chamego do presidente Lula”, afirmou.
A prefeita também condicionou a candidatura à garantia de estrutura partidária para a campanha. “São 853 municípios e não dá para brincar”, disse. “Não dá para ser voluntária, falar: ‘Olha, eu faço campanha na caminhonete, que eu sempre fiz campanha’. Não. Eu preciso de estrutura para fazer campanha, de coisas para que eu possa me locomover, de jornalistas para fazer rede social”.
Segundo ela, o PT precisa definir com clareza sua estratégia para a disputa ao Senado. “São duas vagas, mas concretamente nós vamos eleger apenas um candidato ou uma candidata”, afirmou. “O partido precisa definir em quem vai apostar todas as fichas”.
Marília disse que, caso seu nome seja escolhido, impõe uma condição à composição da chapa. “O outro candidato da chapa não pode ter o mesmo perfil, não pode ter a mesma base social, porque senão a gente vai ajudar a eleger os dois do outro lado”.
Sobre a possibilidade de outros nomes do campo governista, a prefeita citou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apontado nos bastidores como potencial candidato ao Senado. Marília afirmou ter boa relação com o ministro, mas destacou o critério eleitoral. “Hoje, se a gente for olhar para as pesquisas, o melhor nome sou eu”, disse. “O melhor nome é quem tem voto, é quem é aliado do Lula, é quem o Lula vai poder contar.”
Ela acrescentou: “Eu reúno hoje, concretamente, três questões que são fundamentais para fortalecer o palanque do Lula.” Ainda assim, afirmou que a decisão final cabe ao presidente. “A liberdade de escolha é do Lula. Se ele escolher outro candidato ou outra candidata, eu não estou reivindicando, eu apenas me coloquei à disposição”. Questionada se vê Alexandre Silveira no PT, respondeu: “Não”.
Marília reforçou que o prazo para decisão é curto e definitivo. “Eu preciso de um tempo para conversar com a cidade”, disse. “Não adianta chegar para mim em março e falar: ‘Olha, agora você se desincompatibiliza’”. Segundo ela, diferentemente de parlamentares ou ministros, a candidatura ao Senado exigiria renúncia ao cargo. “Eu não sou uma deputada que se desincompatibiliza e depois pode voltar. Não. Eu tenho que renunciar”.
De acordo com a prefeita, o calendário é inegociável. “O PT tem um prazo para definir. O Lula tem um prazo para definir. E o meu prazo é fevereiro. Chegou em fevereiro, eu não decido mais”, afirmou. Questionada se, sem sinalização até lá, a candidatura estaria descartada, respondeu: “Eu não. Esse prazo se esgota”.
Governo de Minas: Pacheco e Kalil
Ao tratar do cenário para o governo de Minas Gerais em 2026, Marília afirmou que não vê viabilidade em uma candidatura própria do PT ao Executivo estadual. “Eu não vejo essa proposta ser viável”, disse. Para ela, o partido precisa se pautar por nomes com capacidade de competir eleitoralmente. “O PT precisa ter um choque de realidade e se pautar pelas candidaturas que de fato vão estabelecer uma competição com os nossos adversários”.
Nesse contexto, a prefeita citou dois nomes: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. “Minas Gerais tem dois bons candidatos: Pacheco ou Kalil”, afirmou.
Sobre Pacheco, Marília disse manter boa relação institucional e destacou a atuação do senador em Minas Gerais e em Contagem. “Ele me ajudou muito em Contagem enquanto senador, em várias intervenções”, disse, citando obras viárias e emendas parlamentares. “O mandato dele teve muita presença e deu uma estatura para Minas Gerais no Senado”.
A prefeita relatou, no entanto, que aguarda uma definição de Pacheco desde o ano passado. “Ele me colocou na sala de espera, me deu um chá de cadeira desde outubro do ano passado”, afirmou. Apesar da proximidade, negou qualquer convite para compor chapa. “Não chegou convite”, disse.
Questionada se abriria mão do Senado para servir a Pacheco em outra posição, foi direta: “Eu não quero voltar para o Executivo”. Segundo Marília, após quatro mandatos como prefeita, o Senado representa um novo desafio. “O meu tempo agora, se o PT me escolher, é o Senado, porque é uma experiência diferente, um debate diferente”.
Caso o ex-presidente do Congresso Nacional não seja candidato ao governo, Marília afirmou que Kalil também reúne condições eleitorais. “Ele já mostrou serviço, já mostrou trabalho, já mostrou que é um bom gestor”, disse. Para ela, a prioridade deve ser a formação de um palanque competitivo em Minas Gerais, articulado com a estratégia nacional.
Críticas à Zema
Ao falar sobre a relação com o governo de Minas, Marília afirmou não ter queixas formais. “O governo me trata bem, não tenho nenhuma queixa”. Segundo ela, há divergências, principalmente sobre a transferência de responsabilidades do Estado para os municípios. “A divergência que eu tenho com o governador é que ele empurra muitas competências que são estaduais para o município”.
A prefeita citou exemplos relacionados a custos operacionais e a serviços públicos. “Tem município que reclama que paga aluguel, tem município que paga equipamentos do Estado, que paga gasolina”. Também mencionou discordâncias em relação a projetos do governo estadual. “Como também a privatização da Copasa, que eu particularmente fui contrária”.
Apesar disso, afirmou que as divergências não impediram o diálogo institucional. “São projetos que não têm impedido um relacionamento civilizado”. Segundo Marília, a relação se mantém baseada no diálogo. “Apesar das divergências, quando é o interesse da cidade ou o interesse de Minas Gerais, a gente senta, discute e vê no que a gente pode consensuar”.
Questionada sobre a postura do governador Romeu Zema, especialmente nas redes sociais, Marília comentou as críticas feitas ao PT e ao presidente Lula. “Eu acho que ele deveria falar mais do trabalho que ele fez, em vez de ficar fazendo crítica ao PT”. Segundo ela, o foco excessivo em adversários enfraquece o debate. “Quem fala muito do outro é porque tem muito pouco para apresentar”.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A prefeita acrescentou que uma eventual candidatura nacional de Zema poderia ampliar o debate sobre sua gestão. “Tomara que ele seja candidato a presidente".