O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), contestou as críticas ao programa Gás do Povo, iniciativa do governo federal em implementação desde o ano passado e aprovada na última semana pelo Congresso Nacional. Questionado pelo Estado de Minas, Silveira afirmou que, se o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tivesse se debruçado sobre o projeto, compreenderia melhor a proposta e perceberia a ampliação da assistência social.
“O deputado Nikolas, com certeza, não conhece a pobreza, a miséria, não conhece o Jequitinhonha, o Buriti, o Norte de Minas, o agreste baiano, não conhece as necessidades do Brasil e muito menos tem experiência em política pública”, afirmou, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ao comentar as críticas do parlamentar, que acusa o governo de “querer complicar” um projeto já existente.
A proposta, apresentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi aprovada com ampla maioria na Câmara dos Deputados, com 415 votos favoráveis. O grupo contrário ao texto reúne parlamentares do PL, Novo, União Brasil, PSDB e PP.
A iniciativa substitui o Auxílio Gás, que previa o repasse de recursos em dinheiro, por recargas gratuitas de botijão de 13 quilos. Cada família terá direito a um número de recargas anuais, que pode variar de quatro a seis, conforme o tamanho da composição familiar.
“O Auxílio Gás dava R$ 74 para 5,6 milhões de famílias. Agora não, nós damos o gás. Os R$ 74 nós sabemos que não davam para comprar o botijão, era preciso complementar. Agora, nós entregamos o botijão de gás para 15,5 milhões de famílias, ou seja, 60 milhões de pessoas passam a receber o botijão de gás”, explicou o ministro.
Em Minas Gerais, 1,2 milhão de famílias serão beneficiadas. “Em Belo Horizonte, já estamos cobrindo a capital inteira e, até o final de abril, estaremos em 5.400 municípios no país”, disse Silveira à reportagem. O programa está sendo implementado em fases, desde novembro do ano passado, até a completa extinção do auxílio. Em Ipatinga (MG), onde o ministro esteve nessa quinta-feira (05/02), as entregas começam em março.
Questionado sobre a preocupação, inclusive dentro do próprio governo, em relação ao fato de a adesão dos revendedores ser voluntária, o ministro afirmou estar confiante na ampliação da rede. “O orçamento permitiu iniciar o cadastramento, e a adesão das revendedoras tem sido muito grande. Estou muito otimista de que, até o final de abril, teremos essas 15 milhões de famílias, 60 milhões de pessoas atendidas pelo programa”, afirmou.
“É uma revolução, especialmente no atendimento a mulheres, mães solo e crianças que, por mais incrível que pareça, ainda hoje somam mais de um milhão de mulheres cozinhando com lenha ou álcool, o que gera problemas graves de saúde pública. A lenha, pela inalação da fumaça, provoca doenças pulmonares. E eu vi acontecer, ali no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, acidente com álcool, fogareiro, envolvendo criança. Trata-se de um programa social extremamente relevante do nosso governo, liderado pelo presidente Lula”, afirmou. “Agora, ela recebe o botijão, que custa entre R$ 100 e R$ 120, dependendo da região do Brasil”, completou.
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O ministro atribui as críticas à iniciativa ao que classifica, sem citar nomes, como um reflexo do que ele chama de “políticos circenses”, impulsionados pela ascensão das redes sociais. “Hoje, infelizmente, tem uma leva de políticos completamente fora da realidade. Mas nós temos que enfrentar isso, porque a internet fez essa leva de políticos circenses, mas isso faz muito mal à população, porque o que a população precisa é de entrega, e entrega é o que o presidente Lula tem feito”, declarou.
“Óbvio que votei contra”
Um dos 29 deputados que votaram contra o texto-base da medida provisória que institui o programa Gás do Povo, Nikolas Ferreira (PL-MG) justificou sua posição por meio das redes sociais, após ser alvo de críticas.
“Óbvio que votei contra o projeto ‘Gás do Povo', do Lula, porque sou a favor do ‘Gás dos Brasileiros’, um programa que já existe e que o Lula quer complicar. Antes, o auxílio caía direto na conta da mãe de família. Ela decidia onde comprar. Agora, o Lula quer te obrigar a buscar o seu gás em revendas credenciadas pelo governo, sem prazo claro de quanto tempo você terá esse benefício, sem autonomia, sem liberdade”, argumentou o parlamentar.
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Embora reconheça a importância de ampliar o número de famílias atendidas, Nikolas afirma, sem apresentar argumentos que sustentem a declaração, que a proposta tende a deixar o gás “mais caro” e sustenta que o programa teria como objetivo “manter as pessoas presas para garantir o voto delas nas eleições”.
