Lula diz que homenagem da Acadêmicos de Niterói, rebaixada no Carnaval, foi extraordinária
Segundo o presidente, só cabia a ele decidir se aceitaria ou não a homenagem. Oposição afirma que desfile configura propaganda eleitoral antecipada
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NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a homenagem recebida no Carnaval deste ano pela Acadêmicos de Niterói foi "extraordinária" e que apenas aceitou o convite da escola de samba para ser tema do desfile, sem participar de decisões criativas.
Questionado sobre a opinião da ala evangélica a respeito do desfile, disse que não tem posição sobre o assunto.
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"Eu não sou carnavalesco. Eu não fiz o samba-enredo. Eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas fui homenageado numa música maravilhosa, que foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música", declarou.
O presidente disse ainda que a escola realizou um trabalho extraordinário com os carros alegóricos. "Só cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado, e eu aceitei."
Lula também disse que não fez parte das decisões criativas nem teve qualquer participação na criação do enredo da Acadêmicos de Niterói para o Carnaval. Afirmou ainda que, ao voltar ao Brasil, irá pessoalmente agradecer aos carnavalescos.
As declarações aconteceram neste domingo (22), em Nova Déli, na Índia, onde estava para participar de uma cúpula de inteligência artificial e de uma visita de Estado a convite do primeiro-ministro Narendra Modi.
Com o tema "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a agremiação levou à Marquês de Sapucaí a história do petista, além de fazer críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), rival de Lula retratado como o palhaço Bozo na avenida.
Segundo o presidente, o enredo acabou se transformando também em uma homenagem à sua mãe, dona Lindu. "A música, na verdade, é uma homenagem à minha mãe. À saga dela de trazer a gente para São Paulo", afirmou, em referência à migração da família do Nordeste para o Sudeste.
O desfile gerou repercussão política nas redes sociais e entre adversários do petista, que questionaram a presença do chefe do Executivo como tema de um desfile durante o exercício do mandato. A oposição também afirmou tratar-se de propaganda eleitoral antecipada. Lula já confirmou que irá concorrer à eleição presidencial em 2026.
Aliados, por sua vez, defendem que a escolha é uma decisão autônoma da agremiação e destacam a trajetória pessoal e política do presidente como elemento de interesse histórico e cultural.
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Sobre o rebaixamento, integrantes do PT disseram à Folha que o veem como um movimento natural, que costuma acontecer com escolas estreantes no carnaval do Rio.