A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), rebateu as críticas recorrentes feitas pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao Partido dos Trabalhadores e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ela afirmou que o governador deveria concentrar seu discurso nos resultados de sua própria gestão, especialmente diante da movimentação política que o coloca como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
Nas redes sociais, Zema tem adotado uma postura de antagonismo ao PT e ao governo federal, com críticas frequentes à condução da administração Lula. Para Marília, esse comportamento revela fragilidade no debate político. “Eu acho que ele deveria falar mais do trabalho que ele fez, em vez de ficar fazendo crítica ao PT. Porque quem fala muito do outro é porque tem muito pouco para apresentar”, disparou.
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A prefeita avaliou ainda que uma eventual candidatura presidencial de Zema poderia expor de forma mais clara os resultados de sua passagem pelo governo mineiro. “Tomara que ele seja um candidato a presidente, porque aí vai ficar muito claro qual foi o trabalho de fato que ele teve em Minas Gerais”, completou.
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Ao comentar a relação institucional com o governo estadual, Marília afirmou não ter queixas formais. “O governo me trata bem, não tenho nenhuma queixa”, declarou. Segundo ela, as divergências existentes estão concentradas, sobretudo, na transferência de responsabilidades do Estado para os municípios.
“A divergência que eu tenho com o governador é que ele empurra muitas competências que são estaduais para o município”, afirmou. A prefeita citou exemplos relacionados a custos operacionais e à manutenção de serviços públicos. “Tem município que reclama que paga aluguel, tem município que paga equipamentos do Estado, que paga gasolina”, enumerou.
Marília também mencionou discordâncias em relação a projetos estratégicos do governo mineiro, como a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). “Eu, particularmente, fui contrária”, disse.
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Apesar das diferenças políticas e administrativas, a prefeita ressaltou que isso não comprometeu o diálogo institucional. “São projetos que não têm impedido um relacionamento civilizado”, afirmou. Segundo ela, a relação com o governo do Estado se mantém baseada na interlocução. “Apesar das divergências, quando é o interesse da cidade ou o interesse de Minas Gerais, a gente senta, discute e vê no que a gente pode consensuar”.
