O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse, nesta terça-feira (13/1), acreditar numa "unificação" da direita em torno da sua candidatura ao governo do estado. A afirmação foi uma resposta às críticas recentes do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) à gestão atual, o que é parte de uma tentativa do congressista em se colocar como nome na disputa ao Palácio Tiradentes.
As declarações de Simões foram dadas durante o primeiro teste operacional da expansão da Linha 1 do Metrô de Belo Horizonte em direção à Estação Novo Eldorado, em Contagem, ainda em construção e com entrega prevista para a primeira quinzena de fevereiro. O governador Romeu Zema (Novo) também participou da cerimônia.
O vice-governador aproveitou o evento, que marca a primeira expansão do metrô em mais de 20 anos, para cutucar as gestões anteriores e afirmou que disputas no campo da direita podem levar ao retorno do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo estadual.
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"Quando a gente fala da posição da direita e da centro-direita em Minas Gerais, a gente tem a oportunidade de continuar a entrega dos trabalhos ou brigar, e dar a oportunidade do PT voltar e destruir o que destruíram no passado, quando eles não entregaram nenhum metro quadrado de estação, nenhum metro linear de trilho, nenhuma composição nova", disse Simões.
A última expansão do metrô da capital mineira ocorreu em 2002, com a entrega da Estação Vilarinho. Dois anos depois, durante o primeiro governo Lula (PT), as obras da Linha 2, que ligaria o Barreiro ao Calafate, foram paralisadas devido ao fim do repasse de verbas.
O novo trecho até a Estação Eldorado faz parte dos investimentos previstos no contrato de concessão do metrô de Belo Horizonte, estimados em R$ 3,7 bilhões. A maior parte do montante vem do governo federal (R$ 2,8 bi), via Programa de Parceria e Investimento (PPI). Outra parte vem do governo estadual (R$ 400 mi), com recursos do Acordo de Reparação da Vale, e o restante é investimento privado, aportado pela concessionária Metrô BH.
Posicionamento
As falas de Simões de busca por uma unidade dentro da direita respondem à postura de Cleitinho, que, recentemente, passou a compartilhar em suas redes sociais vídeos nos quais detalha coisas que faria caso fosse eleito governador.
A primeira publicação com este cenário foi feita na última quinta-feira (8/1), na qual Cleitinho criticou o decreto do governador Romeu Zema que amplia a proteção a ex-governadores, classificando-o como um “privilégio”. Na ocasião, foi a primeira vez que o senador levantou a possibilidade de se candidatar ao governo estadual. “Se deixar (sic) eu ser candidato a governador e ganhar a eleição, pode ter certeza que vou derrubar esse decreto", disse.
Na esteira da repercussão do vídeo, o senador fez um novo vídeo para seus seguidores dizendo "olha porque eles querem fazer de tudo para que eu não seja candidato a governador”, ainda mantendo vago quem seriam as pessoas que tentam impedir sua candidatura. A postagem faz referência ao projeto de lei de autoria do congressista, promulgado em dezembro do ano passado, no qual veículos com mais de 20 anos de fabricação ficam isentos do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
"A imprensa está divulgando que eu não estou preparado, que desisti de ser candidato, que não tenho apoio político e que faço fake news. Então, o apoio que tenho aqui é do povo", afirmou no vídeo.
Concorrência
Além do desconhecimento do eleitorado sobre sua figura, o que tem refletido nas baixas intenções de voto apontadas pelas pesquisas eleitorais, Mateus Simões precisa enfrentar a popularidade de Cleitinho, que tem despontado na frente de todos os possíveis candidatos.
O levantamento mais recente, divulgado pela Doxa Pesquisa no fim de dezembro, mostrou o senador com 26% das intenções de voto. Na sequência vem Alexandre Kalil (PDT), com 21%, e Gabriel Azevedo (MDB), com 9%. O vice-governador Mateus Simões aparece na lanterna, empatado com Tadeu Martins (MDB), presidente da Assembleia Legislativa - 2% para cada.
Faltando nove meses para as eleições, Simões tem investido cada vez mais em aparições públicas, tais como a do evento de teste do metrô, numa tentativa de se tornar mais conhecido pelo eleitorado. O vice-governador tem se movimentado para tentar criar uma unidade da direita e centro-direita em torno do seu nome. Para isso, aposta na sua relação com políticos do campo ideológico, tais como Cleitinho e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que, segundo afirma, é "positiva".
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Para ilustrar essa proximidade, Simões cita que Zema assinou, nessa segunda-feira (12/1), a doação de um imóvel para o Hospital Regional de Divinópolis ao lado do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão de Cleitinho. “Gosto muito do senador. Tenho uma relação antiga com ele. Mas meu pedido para ele tem sido, continuamente, para que a gente trabalhe em conjunto, igual a gente trabalhou até aqui”, disse. "Não há uma divisão entre nós. Representamos e defendemos a mesma coisa. Eu tenho certeza que vamos caminhar para uma unificação por conta disso", finalizou.
