ATAQUES À VENEZUELA

Nikolas Ferreira minimiza montagem com Lula: 'Pode postar meme ainda, né?'

Deputado diz que montagem com Lula "foi só uma brincadeira" e associa repercussão a um debate seletivo

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Criticado por adversários pela montagem que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo preso por militares dos Estados Unidos, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tratou de minimizar a repercussão e afirmou que a publicação divulgada nas redes sociais não passou de “um meme”.

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A imagem foi divulgada após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação autorizada pela Casa Branca. Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (5/1), o parlamentar minimizou a publicação. “Acho que pode postar meme ainda, né?! ‘Ah, Nikolas, você deseja que capturem o presidente do do Brasil? Não tô dizendo isso.’ O meu desejo é muito claro: é de que os criminosos do nosso país também paguem pelos seus crimes”, disse, durante agenda na Santa Casa de Belo Horizonte.

Ainda assim, o parlamentar admitiu, sem citar Lula, que a responsabilização daqueles a quem chama de criminosos poderia vir de uma intervenção externa no país. "Pode ser por intervenção externa também, né? Porque agora o direito internacional penal não existe mais. Quando você tem uma intervenção do Lula mandando um jatinho da FAB, com o nosso dinheiro de impostos, para pegar a ex-primeira-dama do Peru. Aí ninguém fala nada", disse.

O deputado também acusou o presidente, sem apresentar provas, de ter tido um papel no aprofundamento da crise de segurança pública da América Latina. “Não tenho dúvidas de que o Lula e todo o Foro de São Paulo ajudaram, e muito, no que temos hoje em relação à criminalidade, ao narcotráfico e à situação da América Latina”, declarou. 

A montagem publicada pelo deputado provocou uma onda de reações negativas no meio político e levou parlamentares a acionarem a Procuradoria-Geral da República (PGR). Nesta segunda, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma representação na Procuradoria contra Nikolas Ferreira, sob a alegação de que o parlamentar estaria estimulando uma intervenção estrangeira no país.

Na mesma linha, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e o ex-presidente do partido Juliano Medeiros também informaram que acionariam a Procuradoria, argumentando que a imunidade parlamentar não se aplica a situações que envolvem ameaça à soberania nacional.

“O juramento de um parlamentar é com o Brasil. Nenhum mandato autoriza sugerir sequestro do presidente da República ou invasão estrangeira”, escreveu Medeiros nas redes sociais. As críticas se estenderam ainda ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também se posicionou favoravelmente à ação dos Estados Unidos na Venezuela e passou a ser incluído nas denúncias apresentadas por políticos do Psol.

Em conversa com a imprensa, Nikolas, por sua vez, afirmou haver "seletividade" no discurso da esquerda sobre soberania e intervenção internacional. “Fico atônito como as pessoas agora mudaram completamente a visão, né? Nós odiamos ditadores. Aí o Estados Unidos vai lá e prende o ditador. Aí eles: 'não, não façam isso'. Vocês têm que decidir. Ou vocês odeiam alguns ditadores ou vocês odeiam todos”, afirmou.

Ele ainda rejeitou a ideia de que a operação deva ser tratada como um ataque à soberania venezuelana. “Que soberania que o povo venezuelano tinha? Literalmente eles emagrecem 11 kg em média por ano por falta de comida, estavam comendo o cachorro”, disse. O deputado também minimizou críticas sobre interesses econômicos norte-americanos na Venezuela. “Falam do petróleo, mas a China, a Rússia e Cuba já tinham interesses lá antes, e ninguém dizia nada”, afirmou. 

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Ele diz ver incoerência nas críticas feitas à ação dos Estados Unidos. Citou o episódio envolvendo a ex-primeira-dama do Peru, condenada por corrupção, que recebeu apoio do governo brasileiro para deixar o país. “Quando o Lula manda um jatinho da FAB, com o nosso dinheiro, para buscar uma condenada por corrupção e evitar que ela fosse presa, ninguém fala nada. Aí está tudo bem?”, questionou.

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