Segundo a PF, conversa evidencia esquema criminoso -  (crédito: Reprodução/PF)

Segundo a PF, conversa evidencia esquema criminoso

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Em uma das conversas mencionadas pela Polícia Federal (PF) no relatório que pediu o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no caso da falsificação do cartão de vacinas, a filha de um dos investigados pede para que o pai não cometa o crime. O documento divulgado nesta terça-feira (19/3) contém uma série de conversas por WhatsApp, extraídas após a apreensão dos celulares dos suspeitos.

 

Segundo a PF, a troca de mensagens entre João Carlos de Sousa Brecha, ex-secretário municipal de Governo de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e sua filha, "evidencia bem o esquema criminoso de inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde, instalado na Prefeitura".

 

 

Em junho de 2022, a filha do então secretário teria dito em um grupo que tomou a primeira dose da vacina sem sentir dor. Em outubro, ela teria então pedido para que o pai não falsificasse seu cartão de vacinação.

 

“Em 19 de outubro de 2022, a filha pediu expressamente para que JOÃO CARLOS DE SOUSA BRECHA, seu pai, não falsificasse os dados de sua 2ª dose da vacina contra a COVID-19. Diz: “Eu vou tomar a vacina do Covid segunda dose segunda não falsifica por favor”. Em resposta, JOÃO CARLOS BRECHA diz: “Está bom meu amor. Vc é mto corajosa”.”, descreve a PF.

 

 

O documento pede o indiciamento do ex-secretário e de outras 15 pessoas, além do ex-presidente Bolsonaro. A Polícia Federal aponta para uma série de crimes, incluindo associação criminosa.

 

A PF também aponta uma possível ligação entre a falsificação dos cartões de vacinação com a tentativa de Golpe de Estado, quando o grupo aliado de Bolsonaro tramava para evitar a posse do candidato eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Os dados falsos poderiam ser utilizados para permitir a entrada e permanência do grupo criminoso no exterior. A PF ainda aguarda informações decorrentes do pedido de auxílio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

 

O relatório agora será enviado à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se há elementos suficientes para apresentar uma denúncia à justiça.