A Justiça Federal ordenou, na quarta-feira (4/11), que a Polícia Federal (PF) investigue a influenciadora e streamer Jenny Prioli por suspeita de ataques discriminatórios contra o filho da apresentadora Antonia Fontenelle, de 10 anos. A ordem judicial também proíbe a criadora de conteúdo de citar a criança em suas plataformas e transmissões virtuais.
O caso teve início em uma live transmitida no YouTube no dia 6 de outubro. Durante a exibição, Jenny debochou dos candidatos famosos que não foram eleitos. Durante a fala sobre Fontenelle, ela veiculou um vídeo postado pela bolsonarista no qual o menino chorava após a mãe não conseguir a eleição para o cargo de deputada federal no estado do Rio de Janeiro.
Durante a transmissão ao vivo, Jenny se referiu ao menino de 10 anos como "imbecil", fez comentários sobre a aparência e insinuações sobre a sexualidade do menino e afirmou que Antonia Fontenelle vinha criando uma "criança insuportável e sem noção".
“Amiga, você precisava tanto desse cargo, né? Para pagar as indenização (sic) dos processos que você tá levando. Uma pena, querida! Vai ter que trabalhar, mas que lugar que te quer também? Uma mulher antipática dessa, uma mulher antiética dessa! Gente do céu, uma incapaz dessa! Uma mulher que já tá maracujá de gaveta, perdeu o frescor da juventude, né querida?”, disse a influenciadora sobre Fontenelle.
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Conforme a notícia-crime registrada em nome da criança, mensagens publicadas no chat da transmissão continham ofensas direcionadas a ele.
Dias depois da transmissão ao vivo, Antonia Fontenelle afirmou que processaria a influencer e derrubaria os perfis dela. “Agora vocês estão vendo o perigo da internet… Que qualquer imbecil, qualquer vagabunda pode ter um espaço na internet”, rebateu a apresentadora.
“Vagabunda, é isso que você é. Vou providenciar de derrubar o teu canal, vou providenciar de derrubar as tuas redes… sem falar no processo, que aí já é com o meu advogado, que tá lá desenhando lindamente um processo para te meter nas costas. Não por mim (…) é sobre o meu filho. Eu deixei aqui bem claro: podem mexer comigo, mas não mexam com os meus filhos, tá? Vagabunda!”, disse.
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Avaliação judicial e intervenção do MPF
Ao analisar a gravação, o juiz federal Eduardo Pinheiro Viana, da 1ª Vara Federal de São Carlos (SP), destacou que as manifestações da própria influenciadora colocaram o menino em situação "vexatória e discriminatória". O Ministério Público Federal (MPF) concordou com a abertura do inquérito policial, com a retenção de dados e com o veto de citações ao garoto.
O órgão ministerial também apontou perigo de desaparecimento de elementos probatórios em razão de edições feitas no vídeo original. Diante disso, o juiz ordenou que o Google guarde e apresente, sob sigilo, o arquivo integral da live, o histórico de alterações, os registros do chat e os dados dos internautas indicados na ação judicial. O prazo determinado para o envio dessas informações é de dez dias a partir da intimação.
A restrição imposta a Jenny Prioli veta menções diretas ou indiretas ao garoto e às ligações familiares dele, regra que vale inclusive para eventuais retratações ou pedidos de esclarecimento público. O magistrado advertiu que a desobediência da medida pode provocar a suspensão imediata da conta digital da streamer e acarretar providências cautelares adicionais, incluindo a decretação de prisão.
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O processo corre sob segredo de Justiça. A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a streamer, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação.
