PROTEÇÃO À CRIANÇA

Sinais não verbais de perigo ensinados às crianças salvam vidas em emergências

Especialistas detalham códigos visuais simples que pais e educadores podem orientar para que filhos façam pedidos de ajuda sem chamar atenção

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A percepção atenta e a agilidade de uma equipe da Polícia Militar evitaram que o sequestro de uma criança terminasse de forma trágica no litoral paulista. Em Praia Grande, uma menina foi resgatada após responder com piscadas de olhos para um policial durante uma abordagem na rua. A perspicácia do agente permitiu confirmar que a vítima corria perigo imediato, culminando na prisão do pai da criança, que a mantinha sob retenção ilegal há mais de duas semanas.

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Como a menina de 10 anos foi socorrida em Praia Grande

O caso ocorrido em Praia Grande demonstra como a comunicação silenciosa é determinante em situações de coação. Os policiais retornavam de outra ocorrência durante a madrugada quando estranharam ver o homem e a criança caminhando a pé sob chuva intensa. Diante da atitude suspeita e das condições da dupla, a equipe realizou a abordagem para averiguar a situação.

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Para contornar o controle exercido pelo agressor sem colocá-la em risco, o policial perguntou discretamente à menina se ela estava em perigo, orientando-a a piscar os olhos caso precisasse de socorro. A criança confirmou o alerta piscando. Durante a checagem dos dados, o suspeito tentou fugir, mas acabou detido pelos agentes, momento em que a menina relatou que havia sido levada à força e estava desaparecida.

Quais sinais não verbais podem indicar perigo

Embora no caso do litoral paulista a iniciativa do código tenha partido do agente policial, especialistas em segurança e proteção à infância recomendam que familiares instruam crianças sobre maneiras discretas de comunicar riscos sem alertar potenciais agressores.

Entre as estratégias não verbais divulgadas por campanhas de proteção estão:

  • Sinal internacional de socorro com as mãos: erguer a palma aberta voltada para a frente, dobrar o polegar sobre a palma e fechar os outros quatro dedos por cima dele.

  • Contato visual direcionado: fixar o olhar em figuras de autoridade ou atendentes e realizar movimentos enfáticos com a cabeça ou piscar contínuo quando orientada.

  • Aproximação silenciosa: segurar discretamente no uniforme ou na roupa de um agente de segurança ou funcionário identificado em locais públicos.

Como ensinar códigos de segurança para os filhos

A orientação sobre autoproteção deve ocorrer em momentos calmos, sem gerar pânico desnecessário nos jovens. Especialistas sugerem que a família estabeleça palavras-código e pequenos combinados para passeios, viagens e eventos com grande aglomeração de pessoas.

Definir uma palavra segura — um termo fora do vocabulário cotidiano — permite que a criança alerte sobre coações ou desconfortos em conversas breves ao telefone sem levantar suspeitas. Além disso, mostrar quem são as pessoas de confiança no ambiente público, como policiais e trabalhadores de estabelecimentos comerciais, ensina o menor a quem recorrer em casos de perda ou perigo.

O que fazer ao presenciar um pedido silencioso de ajuda

Quem nota gestos de socorro ou desconfia de coação envolvendo menores de idade deve manter a calma e a discrição para não colocar a vítima sob risco ainda maior. A atitude adequada é comunicar imediatamente as autoridades pelo telefone 190 da Polícia Militar ou pelo Disque 100, canal federal de proteção aos direitos humanos.

Repassar detalhes objetivos, como localização exata, características físicas dos envolvidos e trajes que vestem, facilita o trabalho policial. Especialistas desaconselham confrontos diretos por testemunhas sem treinamento, já que a reação do agressor pode ser imprevisível e comprometer a segurança da criança.

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*Estagiária sob supervisão do editor-executivo João Renato Faria


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