Dois dias após vendaval devastador, cerca de 156 mil imóveis ainda estavam sem energia elétrica no Rio de Janeiro às 6h desta sexta-feira (31/7). A falta de luz disparou uma onda de protestos em bairros da capital e na Baixada Fluminense, com bloqueios de vias, barricadas incendiadas e intervenção da Polícia Militar em diferentes pontos do estado.

A tempestade que varreu o Rio na tarde de quarta-feira deixou dois mortos em Santa Teresa após a queda de um muro, derrubou mais de 260 árvores na capital e tirou energia de cerca de 1 milhão de imóveis. Os ventos chegaram a 105,5 km/h no Aeroporto do Galeão, e o município entrou em Estágio 2 de alerta pela aproximação de uma frente fria. O temporal também suspendeu trens, metrô e barcas.

Protestos na capital

Na Zona Oeste, os protestos foram os mais numerosos. Em Sepetiba, manifestantes atearam fogo em objetos na Estrada de Sepetiba e depredaram um ônibus, que ficou atravessado na pista. Em Santa Cruz e Guaratiba, moradores queimaram barricadas, na Estrada do Magarça, no Jardim Maravilha, a PM foi acionada para liberar o trânsito. Na Taquara, na comunidade Bela Vista, moradores bloquearam ruas e incendiaram lixo.

Nas redes, imagens mostram o protesto nas proximidades da comunidade Bela Vista em Jacarepaguá. Veja:

Em Campo Grande, a Cavalaria impediu o fechamento total da Estrada do Monteiro. Em outro trecho do bairro, motociclistas fizeram buzinaços enquanto barricadas eram queimadas, algumas localidades acumulavam mais de 30 horas sem energia. Também houve protesto na Estrada do Capenha.

Em Santa Teresa, bairro que concentrou a tragédia da tempestade, a falta de luz persistiu pela madrugada e moradores foram às ruas em represália à demora no atendimento.

Baixada Fluminense e Niterói

Na Baixada Fluminense, Duque de Caxias foi o município com mais ocorrências: moradores atearam fogo na Avenida Kennedy, no Parque Boa Vista, e houve manifestação no bairro Santa Lúcia. Em Xerém, distrito de Caxias, a Estrada do Rio do Ouro foi bloqueada após mais de 24 horas sem energia. Em Nova Iguaçu, moradores do Jardim Corumbá e do Cabuçu protestaram, no Cabuçu, era o terceiro dia de manifestações. Em Queimados, o bairro São Jorge também registrou atos de protesto.

Em Niterói, o bairro Atalaia teve a Rua Alarico de Souza fechada nos dois sentidos, com moradores relatando até três dias sem luz. No São Francisco, a descida da Cachoeira ficou interditada após incêndio de objetos na Grota. No Caramujo, manifestantes também bloquearam vias com barricadas queimadas.

Previsão de normalização

A Enel afirmou que 95% dos imóveis afetados já tiveram o fornecimento restabelecido e que equipes seguem atendendo aproximadamente 32 mil clientes ainda sem luz.

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A Light prometeu normalizar o serviço para todos os seus clientes até o fim desta sexta. As duas distribuidoras atribuem a demora à extensão dos danos causados pelo vento, que derrubou árvores, postes e equipamentos em diversas cidades do estado.

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