BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A questão de identidade de gênero e sexualidade ganha cada vez mais espaço no movimento indígena do Brasil. A luta do grupo LGBTQIAP+ é por políticas públicas específicas e contra a invisibilidade dentro deste recorte étnico. Neste domingo (19/4), é celebrado o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas.
Para ampliar o diálogo, o grupo se organizou e criou, em 2019, o coletivo Tybyra, nome do indígena morto, em 1614, por europeus colonizadores após ser acusado de práticas homossexuais. O caso ocorreu no Maranhão e é considerado pelo grupo a primeira morte relacionada a homofobia do país.
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O coletivo conseguiu fortalecer a articulação dentro da luta geral dos povos originários, como a inclusão de atividades específicas no Acampamento Terra Livre, a maior manifestação indígena da América Latina, que é realizado anualmente em Brasília.
Danilo Tupinikim, um dos fundadores do coletivo Tybyra, afirma que os indígenas LGBTQIA+ sempre estiveram na linha de frente da principal pauta dos povos originários: a demarcação de território. Contudo, o grupo enfrenta dificuldades de debater suas próprias demandas.
"A gente tem essa frente de luta reforçando a importância da nossa participação, que nós sempre estivemos articulados dentro do movimento indígena a partir das bases", disse. "Somo diversos povos indígenas com diferentes visões de mundos e cosmovisões relacionadas à questão de identidade, gênero e sexualidade."
Segundo Tupinikim, é necessário o fortalecimento da luta por demarcação de território para outros assuntos serem debatidos, como saúde, educação e as pautas LGBTQIA+. Para o grupo, a falta de informações é o que leva muitos vezes ao preconceito dentro e fora do território.
"O que precisamos entender é ter o olhar a partir de uma perspectiva plural e diversa, porque se a gente propõe políticas, pensando num único perfil, acaba desassistindo outros grupos. Então, é a partir desse entendimento que lutamos por um debate mais interseccional", continuou.
Outras frentes de ação
Para além do movimento indígena, o coletivo Tybyra também se faz presente em outras frentes. Em 2024, o grupo participou pela primeira vez da Parada LGBT de São Paulo, a maior do mundo, que reúne cerca de 1,5 milhão pessoas na Avenida Paulista.
Dentro do movimento, o coletivo chegou a promover uma ballroom, que é a cultura dos bailes de movimentos negros e latinos, nascida em Nova York entre décadas de 1960 e 1970, como um espaço seguro para pessoas queer marginalizadas se apresentarem.
A primeira ballroom, dentro do Acampamento Terra Livre em 2023, causou estranheza e manifestações de algumas pessoas contrárias dentro do movimento indígena, o que levou a ser suspensa nos outros anos. Contudo, a segunda edição ocorreu neste ano, com a presença da deputada Erika Hilton (Psol), que também esteve no primeiro evento.
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"A luta dos povos indígenas é a luta do povo negro, é a luta da comunidade LGBTQIA+. Eu tenho muito orgulho a comunidade indígena LGBTQIA+", ressaltou a deputada. "Nós estamos aqui reafirmando que a nossa dignidade, o nosso brilho, o nosso glow, que não vai ser apagado pelo ódio, pela intolerância e pelo fascismo."
