Imperatriz e Mangueira lideram destaques no 1º dia do Grupo Especial - (crédito: Tupi)
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A primeira noite do carnaval do Rio de Janeiro teve como principais destaques Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira. As apresentações ocorreram entre a noite de domingo (15) e a madrugada de segunda-feira (16), na Marquês de Sapucaí. Acadêmicos de Niterói e Portela completaram a programação. As quatro agremiações atravessaram a avenida dentro do tempo máximo regulamentar de 80 minutos.
A abertura do Grupo Especial foi marcada por enredos que abordaram homenagens e referências às matrizes afro-brasileiras, com narrativas históricas e culturais.
Nos próximos dias, a Sapucaí recebe a Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca na segunda noite. Já na terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), desfilam Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
Estreia da Acadêmicos de Niterói
A Acadêmicos de Niterói foi a primeira escola do Grupo Especial a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo (15). A agremiação apresentou o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desfile abordou a infância no agreste pernambucano, a atuação sindical no ABC Paulista e a chegada à Presidência. Lula acompanhou a apresentação ao lado da primeira-dama Janja e deixou o camarote para cumprimentar um casal de mestre-sala e porta-bandeira na pista.
O samba-enredo trouxe referências diretas ao universo do Partido dos Trabalhadores (PT). A letra incluiu o grito "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula" e menções ao número de urna do partido. Janja também foi citada na composição.
Homenagem a Ney Matogrosso na Imperatriz
Ney Matogrosso no desfile da Imperatriz Leopoldinense – Foto: Tata Barreto | RioturIZA como rainha no desfile da Imperatriz Leopoldinense – Foto: Alex Ferro | RioturImperatriz Leopoldinense – Foto: Tata Barreto | RioturImperatriz Leopoldinense – Foto: Marco Terranova | RioturImperatriz Leopoldinense – Foto: Alex Ferro | Riotur
Terceira colocada em 2025, a Imperatriz levou para a avenida o enredo "Camaleônico", inspirado na trajetória de Ney Matogrosso. A comissão de frente utilizou efeitos de ilusionismo para representar diferentes fases da carreira do artista.
A escola apresentou fantasias com cores intensas e uso marcante de penas, elemento recorrente na estética de Ney. A bateria fez referência ao álbum "Pecado", de 1977. À frente dos ritmistas, a cantora Iza surgiu caracterizada como serpente, com figurino vermelho e adereço cenográfico que emitia fumaça.
Cultura afro-gaúcha na Portela
Portela – Foto: Alex Ferro | RioturPortela – Foto: Bianca Santos | RioturPortela – Foto: João Salles | Riotur@ALEXFERROFOTOGAFOPortela – Foto: Alex Ferro | RioturHomem atravessa avenida em cima de drone. – Foto: Tata Barreto | Riotur
Terceira a entrar na avenida, já na madrugada de segunda, a Portela apresentou o enredo "O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande". A proposta foi destacar a cultura afro-gaúcha e homenagear o Príncipe Custódio, figura histórica ligada às religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul.
A comissão de frente trouxe representações de orixás, com destaque para Exu Bará. Um dos momentos que chamou atenção foi a passagem de um integrante em pé sobre um drone, recurso inédito na avenida.
Mangueira encerra a noite com referência amazônica
Mangueira. Foto: Alex Ferro | RioturMangueira. Foto: Alex Ferro | RioturMangueira. Foto: Marco Terranova | RioturMangueira. Foto: Marco Terranova | RioturMangueira. Foto: Marco Terranova | Riotur
Última escola da primeira noite, a Mangueira apresentou o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra". A narrativa destacou a trajetória de Mestre Sacaca, referência de saberes afro-indígenas no Amapá, que completaria 100 anos em 2026. Conhecido como "Doutor da Floresta", ele ficou marcado pelo uso de ervas e raízes amazônicas em práticas de cuidado comunitário.
A comissão de frente levou à pista alegorias com onças cenográficas e encenações que remetiam a forças ancestrais. Ao fim do desfile, um carro alegórico colidiu com a base do monumento da Praça da Apoteose e precisou ser desmontado para permitir a dispersão. Mesmo com o incidente, a escola concluiu a apresentação dentro do tempo previsto.