Família de PC Siqueira acredita em hipótese de homicídio do influenciador
Reconstituição da morte foi realizada após reabertura do inquérito, que havia sido encerrado como suicídio, e aponta contradições em laudos e depoimentos
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A família do influenciador PC Siqueira sustenta a hipótese de ele ter sido vítima de homicídio, e não de suicídio, como apontou inicialmente a investigação. A tese ganhou força com a reabertura do inquérito e reconstituição da morte na terça-feira (20/1), em São Paulo, determinada pela Justiça a pedido do Ministério Público e dos advogados da família, que afirmam haver inconsistências técnicas e contradições em depoimentos e laudos periciais.
O advogado da família, Geraldo Bezerra da Silva Filho, declarou ao G1 que a hipótese de homicídio é o que motivou a reconstituição. “Nós entendemos que é caso de homicídio. Estamos com essa tese de homicídio, embora ainda não concluído, mas continuaremos com essa tese até o final. Por isso está acontecendo a reconstituição”, afirmou.
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Ele acrescentou que o pedido foi acolhido pelo Ministério Público. “Conseguimos um parecer positivo do MP para seguir com a reconstituição e uma perícia complementar para identificar possíveis objetos que poderiam ter sido usados para o enforcamento ou estrangulamento do PC”, disse.
O perito particular contratado pela família, Francisco La Regina, que acompanhou a reconstituição, reforçou a suspeita. “Para mim está mais para estrangulamento, que é uma manobra homicida, do que para enforcamento, que seria o suicídio”, declarou ao G1.
Procurados pelo Estado de Minas, os advogados informaram que o caso passou a tramitar em segredo de Justiça e, por isso, não vão se pronunciar. “Na data de hoje, 20/01/2025, foi decretado segredo de justiça no caso PC Siqueira. Não podemos fornecer mais informações sobre o inquérito policial”, disseram em nota.
A reprodução simulada foi conduzida por peritos da Polícia Técnico-Científica, que utilizaram um boneco com as mesmas medidas do influenciador. O trabalho ocorreu no edifício onde ele morava, em São Paulo.
Primeira investigação apontou suicídio
Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, tinha 37 anos quando foi encontrado morto no apartamento dele, em dezembro de 2023. À época, laudos oficiais apontaram asfixia mecânica por enforcamento, e o caso foi encerrado como suicídio. No entanto, a conclusão passou a ser questionada pela família e pelo Ministério Público de São Paulo, que apontaram inconsistências técnicas e contradições em depoimentos colhidos durante a investigação inicial.
De acordo com os primeiros depoimentos, PC manifestou a intenção de tirar a própria vida na frente da ex-namorada. Ela afirmou que ele havia ingerido medicamentos e usado drogas naquele dia, e que ela saiu do apartamento para pedir ajuda porque não conseguiu impedir o ato. Uma vizinha acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que orientou tentativas de reanimação, e a Polícia Militar foi chamada em seguida.
Amigos ouvidos pela polícia relataram que o relacionamento entre PC e a ex era marcado por discussões frequentes, algumas transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um amigo afirmou ainda que se envolveu com a mulher após o término do casal, o que teria causado irritação no influenciador.
Com a reabertura do caso, a Polícia Civil passou a trabalhar com três hipóteses principais: suicídio, instigação ao suicídio e homicídio com simulação de suicídio. Até o momento, não há suspeitos formalmente identificados.
Ex-namorada não participou
A ex-namorada de PC Siqueira, que estava no apartamento no dia da morte e disse ter presenciado o ocorrido, não participou da reconstituição. Por meio de sua defesa, ela alegou motivos particulares, informou que atualmente mora no Rio de Janeiro e que está amamentando um bebê recém-nascido. Segundo a polícia, a versão apresentada por ela em depoimento será considerada pelos peritos durante a reprodução dos fatos.
Uma tentativa anterior de reconstituição, marcada para novembro de 2025, também não foi realizada devido à ausência da ex-companheira, que não havia sido localizada à época.
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Além dela, uma vizinha e o síndico do prédio foram intimados e devem colaborar com os trabalhos periciais. As testemunhas devem prestar novo depoimento e deve ocorrer uma acareação para esclarecer divergências entre os relatos, procedimento previsto na legislação.