Dennis Hope, um norte-americano desempregado, encontrou uma forma inusitada de lucrar com imóveis ao voltar sua atenção para a Lua. Em 1980, ele analisou o Tratado do Espaço Sideral da ONU de 1967, que impede países de reivindicarem corpos celestes, e acreditou ter encontrado uma brecha na lei.
A interpretação de Hope era que o texto deixava uma abertura para uma pessoa física fazer a reivindicação. Ele enviou uma declaração às Nações Unidas afirmando sua intenção de se apropriar da Lua, dividi-la em lotes e vendê-los. Segundo ele, nunca recebeu uma resposta com objeções legais.
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Como a Lua virou um negócio
A ideia atraiu compradores, mas levantou uma questão jurídica fundamental: alguém pode, de fato, ser dono de um pedaço da Lua? Juristas argumentam que as restrições do tratado se estendem além dos governos, não podendo ser contornadas por uma reivindicação privada.
Conforme explicou Tanja Masson-Zwaan, então presidente do Instituto Internacional de Direito Espacial, em comentários citados pela "National Geographic", comprar um documento de Hope não estabelece uma propriedade reconhecida internacionalmente.
Apesar disso, o negócio de Hope prospera há décadas. Um acre lunar individual era anunciado por US$ 19,95 (que equivale hoje a US$ 80,85 ou R$ 419,56), valor que aumentava com taxas de envio e o que era descrito como um imposto lunar. Compras maiores recebiam descontos.
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Clientes famosos e expansão do império
Hope relatou já ter vendido mais de 611 milhões de acres de terra lunar. Entre as pessoas que ele lista como proprietárias estão os ex-presidentes dos EUA George H.W. Bush, Jimmy Carter e Ronald Reagan. Em uma das maiores transações, um lote de 2,66 milhões de acres foi vendido por US$ 250 mil.
O império imobiliário foi além, incluindo direitos sobre Marte, Vênus, Mercúrio e até Plutão. O planeta anão inteiro foi oferecido por US$ 250 mil.
Ele também estabeleceu o que chamou de "Governo Galáctico" para representar os proprietários de terras e tentou, sem sucesso, que o Fundo Monetário Internacional reconhecesse sua moeda, o "Delta".
A história de Hope foi contada no documentário "Lunarcy!". Após o lançamento do filme, ele afirmou que as vendas de terrenos cresceram cerca de 30%. Ele imagina um futuro com uma grande cidade em formato de pirâmide na Lua, considerando a construção uma de suas responsabilidades.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
