Papa Leão XIV faz sua primeira via-crúcis no Coliseu, em tempos de guerra
Cerca de 30.000 fiéis de vários países se reúnem em silêncio e à luz de velas na noite desta Sexta-feira da Paixão para este momento culminante da Semana Santa
Papa Leão XIV participa da Via Sacra no Coliseu, como parte das celebrações da Semana Santa em Roma crédito: Foto por HANDOUT / VATICAN MEDIA / AFP
Sarah, uma palestina católica suspira em frente ao Coliseu de Roma, cenário, nesta sexta-feira (3), da primeira via-crúcis com o papa Leão XIV, desta vez ofuscada pelas múltiplas guerras que abalam o mundo.
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A dois dias da Páscoa, ela reflete que "infelizmente, política e religião não são uma boa combinação". No entanto, Sarah quer acreditar que a paz continua sendo possível.
De pé em frente ao imponente anfiteatro romano, suntuosamente iluminado, esta sexagenária nascida em Nazaré e residente nos Estados Unidos, que prefere não revelar seu sobrenome, esperou por mais de cinco horas pela vigília de oração.
"Precisamos de paz na Terra Santa", diz ela à AFP, mesmo quando os apelos do papa têm, ao seu ver, um valor sobretudo "simbólico".
"Os governos não escutam. Seguem agindo por vontade própria. Prometem, mas não cumprem suas promessas. É a política", lamenta.
Assim como ela, cerca de 30.000 fiéis de vários países se reúnem em silêncio e à luz de velas na noite desta Sexta-feira da Paixão para este momento culminante da Semana Santa, que antecede a festa da Páscoa, ofuscada este ano pela guerra no Oriente Médio.
Geryes Bejjani, um libanês de 33 anos, veio com amigos para "trazer uma mensagem de paz e coexistência", apesar da dificuldade para viajar e quatro meses depois de ter assistido em seu país à visita de Leão XIV.
"O papa é o único líder político sem interesse pessoal (...) Não há uma agenda oculta, não há ambiguidades em sua mensagem. E essa é a sua força", assegura.
Com um círio na mão, os fiéis - famílias, laicos e religiosos - se submergem em um silêncio só interrompido pelos cânticos litúrgicos e pelas meditações lidas em um microfone.
Nesta sexta, o líder da Igreja Católica voltou a pedir pela paz em conversas por telefone com os presidentes Isaac Herzog, de Israel, e Volodimir Zelensky, da Ucrânia, após ter convidado o americano Donald Trump, na terça-feira, a "encontrar uma saída" para o conflito que arrasa o Oriente Médio.
Estados Unidos e Israel desencadearam a guerra em 28 de fevereiro, ao bombardearem o Irã, que por sua vez respondeu com ataques retaliatórios contra países do Golfo e um bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o trânsito do petróleo mundial.
"Se Trump apenas ouvisse alguém!", suspira Inês Duplessis, de 29 anos, que veio de Paris para as festas da Páscoa.
"Para mim, é muito simbólico, mas nada mais. Infelizmente, há tantos interesses políticos e econômicos que é um esforço quase perdido", acrescenta.
"Humildade"
Esta é a primeira vez desde 2022 que o bispo de Roma participa pessoalmente desta comemoração, organizada desde 1964 no Coliseu.
O papa Francisco, morto um dia depois do domingo de Páscoa de 2025 aos 88 anos, precisou se ausentar deste rito por motivos de saúde.
Leão XIV ouve com os olhos fechados as meditações sob a luz dos círios e as luzes das projeções que realçam os arcos do anfiteatro.
O papa, de 70 anos, leva ele mesmo uma grande cruz de madeira pelas 14 estações que revivem o percurso de Jesus até seu sepultamento, marcando a volta de uma tradição seguida por João Paulo II e Bento XVI.
O Irã está no foco por causa do conflito com os Estados Unidos. Mas, quando os tempos são de paz, o país tem belezas tradicionais da antiga Pérsia que enchem o olhar. Os palácios e jardins persas não são apenas construções, mas símbolos de uma visão de mundo que valoriza harmonia entre homem e natureza.
Reprodução do Flickr Ninara
Os jardins persas foram concebidos como reflexos do paraíso, onde água, sombra e flores se equilibram. Cada espaço se torna um microcosmo de ordem e serenidade, bem como a geometria rigorosa transmite a ideia de eternidade. Assim, o visitante sente que caminha em um mundo idealizado.
Reprodução do Flickr ali reza
Localizado em Teerã, o Palácio de Golestan – que acabou sofrendo danos com ataque por causa do conflito – combina influências persas tradicionais com toques europeus. Por isso, seus salões luxuosos e mosaicos coloridos revelam a abertura cultural da dinastia Qajar. Ao mesmo tempo, os jardins ao redor reforçam a ligação com a natureza.
Reprodução do Flickr e Wikimédia Commons
O Jardim de Fin é um dos mais famosos do Irã, pois exemplifica o modelo clássico persa. Com canais de água cristalina e ciprestes alinhados, transmite frescor em meio ao deserto. Além disso, sua história está ligada a eventos políticos marcantes. Visitar Fin é mergulhar em arte e memória.
Diego Delso/Wikimédia Commons
Em Isfahan, o Palácio das Quarenta Colunas encanta pela ilusão criada no reflexo da água, e a arquitetura se multiplica ao ganhar aura mágica. Além disso, seus murais narram batalhas e celebrações da era safávida. Portanto, Chehel Sotoun é tanto arte quanto propaganda política.
Reprodução do Flickr edow
Construído em terra árida, o Jardim de Shazdeh mostra como a engenharia persa domava o ambiente. Graças a canais e terraços, a água desce em cascatas que refrescam o espaço. Ao mesmo tempo, a vegetação contrasta com o deserto ao redor. Assim, o jardim se torna um oásis de vida.
Arteen Arakel Lalabekyan/Wikimédia Commons
O complexo de Sa’dabad, em Teerã, reúne diversos palácios erguidos no século 20. Por isso, reflete a modernização do Irã sob os últimos xás. Além disso, cada edifício possui estilo próprio, do clássico ao contemporâneo. Visitar Sa’dabad é percorrer capítulos recentes da história persa.
Reprodução do Flickr
O Jardim de Eram é famoso por sua exuberância botânica e pelo palácio central. Flores raras e árvores frutíferas criam um cenário de sonho. Além disso, Shiraz é conhecida como cidade dos poetas, o que reforça o caráter romântico do espaço.
Siamak.ess/Wikimédia Commons
Niavaran, em Teerã, foi residência da última família real iraniana. Sua arquitetura mistura tradição persa e modernidade ocidental, e os interiores revelam luxo e sofisticação. Niavaran é testemunho dos contrastes que marcaram o Irã pré-revolução.
Rasool abbasi17/Wikimédia Commons
Dowlat Abad é célebre por seu badgir, a torre de vento mais alta do Irã. Assim, o Jardim de Dowlat Abad, em Yazd, não apenas encanta, mas também mostra soluções climáticas engenhosas. Além disso, os vitrais coloridos criam jogos de luz fascinantes.
BERNARD GAGNON/Wikimédia Commons
Situado na Praça Naqsh-e Jahan, em Isfahan, Ali Qapu era palco de recepções reais. Por isso, sua varanda oferece vista privilegiada da cidade. Além disso, os salões internos exibem decorações acústicas para música.
Amir Pashaei /Wikimédia Commons
Pasárgada, fundada por Ciro, o Grande, abriga um dos primeiros jardins persas. Assim, o espaço reflete a ideia original de paraíso terrestre. Além disso, sua concepção influenciou séculos de arquitetura posterior. Pasárgada, portanto, é raiz e inspiração.
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O Palácio de Talar-e Ashraf em Isfahan destaca-se pela ornamentação delicada, com espelhos e arabescos que criam uma atmosfera refinada. Além disso, sua função era receber dignitários estrangeiros. O palácio safávida, desse modo, revela diplomacia em forma de arte.
- Reprodução do Instagram @embaixadadoira
Afif-Abad combina palácio, museu e jardim em um só espaço. Dessa forma, une história militar e beleza paisagística. Além disso, sua coleção de armas mostra outro aspecto da cultura persa em uma diversidade reunida.
Reprodução do Flickr alifatemifar
O “Oito Paraísos” em Isfahan é exemplo de arquitetura simbólica. Cada espaço interno representa harmonia cósmica, e os jardins ao redor reforçam a ideia de equilíbrio. Portanto, o Palácio de Hasht Behesht é espiritualidade materializada.
Reprodução do Flickr
Delgosha, “alegria do coração”, é conhecido por suas laranjeiras perfumadas. O visitante sente a fusão entre aroma e paisagem em um palácio central que guarda desenhos em telas delicados. Prova de uma experiência sensorial completa.
Reprodução do Flickr reza_hoveyzavi
O Palácio de Apadana, da era aquemênida, impressiona pela grandiosidade. Suas colunas imensas simbolizam poder imperial. Além disso, foi cenário de recepções diplomáticas: testemunho claro da força da antiga Pérsia.
Domínio Público/Wikimédia Commons
Ao percorrer palácios e jardins persas, percebemos que cada espaço é mais que arquitetura: é filosofia, política e arte entrelaçadas. A tradição iraniana revela como o homem buscou recriar o paraíso na terra. A Pérsia, assim, vive em cada pedra e cada flor.
Naghshe Jahan/Wikimédia Commons
O parisiense Augustin Ancel vê nisso uma "mensagem forte". "Também é uma forma de humildade, pois tendemos a ter uma imagem do papa de distância, por pensar que é alguém que tem um papel muito importante", diz.
Para Patrick Buehler, de 20 anos, estudante do Tennessee e que veio a Roma por dois meses em uma viagem universitária, "é uma grande bênção para os Estados Unidos terem um papa" nascido no país.
Na manhã de domingo, Leão XIV celebrará a missa de Páscoa na praça de São Pedro antes de pronunciar a bênção "Urbi et Orbi" (Para a Cidade e o Mundo), tipicamente política, e este ano especialmente aguardada.