https://www.em.com.br/internacional/2026/03/7370935-recluso-e-linha-dura-saiba-quem-e-motjaba-khamenei-novo-lider-do-ira.html crédito: Foto: The White House
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, rebateu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e advertiu o norte-americano a ter "cuidado para não ser eliminado".
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Larijani afirmou que o povo iraniano "não teme as ameaças vazias" dos EUA, e ressaltou que Trump é quem deve ficar atento. "Forças maiores do que você fracassaram em eliminar a nação iraniana. Portanto, tome cuidado para que o eliminado não seja você mesmo", escreveu Ali em postagem no X.
Fala de Larijani foi em resposta à ameaça de Trump, que prometeu atacar o Irã com ainda mais força caso o bloqueio ao fluxo de petróleo no Golfo se mantenha. Ontem, Trump afirmou que, se a República Islâmica não parar com o bloqueio ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo, as consequências "serão graves" ao regime.
Essa não foi a primeira vez que Larijani ameaçou Trump. Em um recente pronunciamento à TV estatal iraniana, ele afirmou que Teerã não vai se render e destacou que Trump "deve pagar um preço" pela guerra.
Ali Larijani se tornou uma das vozes mais influentes no Irã desde a morte do aiatolá Ali Khamenei. Ele, inclusive, foi o alvo principal de um ataque perpetrado por Israel na semana passada, mas conseguiu sobreviver.
Além de Larijani, outras lideranças do Irã também ignoraram as advertências dos EUA sobre o bloqueio ao Estreito de Hormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou hoje que "nenhum litro de petróleo" do Golfo será exportado enquanto prosseguirem os ataques de EUA e Israel ao país.
Abbas disse ainda que o Irã "está preparado" para manter a guerra. "Estamos preparados para continuar os ataques com mísseis pelo tempo que for necessário e sempre que for necessário", falou ao canal americano PBS News.
Bloqueio ao Estreito de Hormuz tem provocado abalos na economia mundial. Desde o início da guerra, o Irã tem barrado o fluxo na região, o que levou Trump a ameaçar se apossar do controle da rota marítima importantíssima para o mercado energético mundial.
O Irã está no foco por causa do conflito com os Estados Unidos. Mas, quando os tempos são de paz, o país tem belezas tradicionais da antiga Pérsia que enchem o olhar. Os palácios e jardins persas não são apenas construções, mas símbolos de uma visão de mundo que valoriza harmonia entre homem e natureza.
Reprodução do Flickr Ninara
Os jardins persas foram concebidos como reflexos do paraíso, onde água, sombra e flores se equilibram. Cada espaço se torna um microcosmo de ordem e serenidade, bem como a geometria rigorosa transmite a ideia de eternidade. Assim, o visitante sente que caminha em um mundo idealizado.
Reprodução do Flickr ali reza
Localizado em Teerã, o Palácio de Golestan – que acabou sofrendo danos com ataque por causa do conflito – combina influências persas tradicionais com toques europeus. Por isso, seus salões luxuosos e mosaicos coloridos revelam a abertura cultural da dinastia Qajar. Ao mesmo tempo, os jardins ao redor reforçam a ligação com a natureza.
Reprodução do Flickr e Wikimédia Commons
O Jardim de Fin é um dos mais famosos do Irã, pois exemplifica o modelo clássico persa. Com canais de água cristalina e ciprestes alinhados, transmite frescor em meio ao deserto. Além disso, sua história está ligada a eventos políticos marcantes. Visitar Fin é mergulhar em arte e memória.
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Em Isfahan, o Palácio das Quarenta Colunas encanta pela ilusão criada no reflexo da água, e a arquitetura se multiplica ao ganhar aura mágica. Além disso, seus murais narram batalhas e celebrações da era safávida. Portanto, Chehel Sotoun é tanto arte quanto propaganda política.
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Construído em terra árida, o Jardim de Shazdeh mostra como a engenharia persa domava o ambiente. Graças a canais e terraços, a água desce em cascatas que refrescam o espaço. Ao mesmo tempo, a vegetação contrasta com o deserto ao redor. Assim, o jardim se torna um oásis de vida.
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O complexo de Sa’dabad, em Teerã, reúne diversos palácios erguidos no século 20. Por isso, reflete a modernização do Irã sob os últimos xás. Além disso, cada edifício possui estilo próprio, do clássico ao contemporâneo. Visitar Sa’dabad é percorrer capítulos recentes da história persa.
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O Jardim de Eram é famoso por sua exuberância botânica e pelo palácio central. Flores raras e árvores frutíferas criam um cenário de sonho. Além disso, Shiraz é conhecida como cidade dos poetas, o que reforça o caráter romântico do espaço.
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Niavaran, em Teerã, foi residência da última família real iraniana. Sua arquitetura mistura tradição persa e modernidade ocidental, e os interiores revelam luxo e sofisticação. Niavaran é testemunho dos contrastes que marcaram o Irã pré-revolução.
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Dowlat Abad é célebre por seu badgir, a torre de vento mais alta do Irã. Assim, o Jardim de Dowlat Abad, em Yazd, não apenas encanta, mas também mostra soluções climáticas engenhosas. Além disso, os vitrais coloridos criam jogos de luz fascinantes.
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Situado na Praça Naqsh-e Jahan, em Isfahan, Ali Qapu era palco de recepções reais. Por isso, sua varanda oferece vista privilegiada da cidade. Além disso, os salões internos exibem decorações acústicas para música.
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Pasárgada, fundada por Ciro, o Grande, abriga um dos primeiros jardins persas. Assim, o espaço reflete a ideia original de paraíso terrestre. Além disso, sua concepção influenciou séculos de arquitetura posterior. Pasárgada, portanto, é raiz e inspiração.
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O Palácio de Talar-e Ashraf em Isfahan destaca-se pela ornamentação delicada, com espelhos e arabescos que criam uma atmosfera refinada. Além disso, sua função era receber dignitários estrangeiros. O palácio safávida, desse modo, revela diplomacia em forma de arte.
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Afif-Abad combina palácio, museu e jardim em um só espaço. Dessa forma, une história militar e beleza paisagística. Além disso, sua coleção de armas mostra outro aspecto da cultura persa em uma diversidade reunida.
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O “Oito Paraísos” em Isfahan é exemplo de arquitetura simbólica. Cada espaço interno representa harmonia cósmica, e os jardins ao redor reforçam a ideia de equilíbrio. Portanto, o Palácio de Hasht Behesht é espiritualidade materializada.
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Delgosha, “alegria do coração”, é conhecido por suas laranjeiras perfumadas. O visitante sente a fusão entre aroma e paisagem em um palácio central que guarda desenhos em telas delicados. Prova de uma experiência sensorial completa.
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O Palácio de Apadana, da era aquemênida, impressiona pela grandiosidade. Suas colunas imensas simbolizam poder imperial. Além disso, foi cenário de recepções diplomáticas: testemunho claro da força da antiga Pérsia.
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Ao percorrer palácios e jardins persas, percebemos que cada espaço é mais que arquitetura: é filosofia, política e arte entrelaçadas. A tradição iraniana revela como o homem buscou recriar o paraíso na terra. A Pérsia, assim, vive em cada pedra e cada flor.
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POR QUE HORMUZ VIROU FOCO
O estreito de Hormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo e tem sido citado por Trump como ponto sensível do conflito. O presidente dos EUA condicionou a escalada militar a qualquer tentativa iraniana de bloquear o trânsito na região.
A tensão em torno da passagem já mexeu com os preços do petróleo nos últimos dias. Após Trump afirmar que a guerra no Irã está "praticamente encerrada", a cotação do combustível caiu.
Trump afirmou que o conflito avançou mais rápido do que o previsto e que o Irã não teria mais marinha, comunicações ou força aérea. "Olhando bem, não lhes resta nada. Não resta nada em sentido militar", declarou em entrevista à CBS.
Os ataques conjuntos das forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã começaram no dia 28 de fevereiro. Desde então, Trump tem feito avaliações frequentes sobre os danos de combate causados ao país.
O governo americano avalia reduzir as sanções contra a Rússia para tentar frear a alta global nos preços de energia. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo pode permitir que nações como a Índia comprem petróleo russo sem sofrer penalidades dos EUA.
A nomeação de um novo líder supremo no Irã após a morte de Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, aumentou as tensões no Oriente Médio. Ontem, o país anunciou Mojtaba Khamenei para suceder o pai, Ali, em um gesto visto como de desafio aos EUA e Israel e de manutenção da posição linha-dura do regime iraniano.
Desdobramentos ampliam temores sobre o impacto na economia global. Diante da perspectiva de que os preços do petróleo permaneçam elevados por um longo período sem o arrefecimento da guerra, surgem as preocupações econômicas a respeito do conflito. Os principais riscos envolvem uma onda inflacionária e a desaceleração de crescimento dos países.
Presidente dos EUA minimiza impacto da cotação do petróleo. Ontem, o republicano afirmou que a disparada de preço dos barris é insignificante diante da importância de "eliminar a ameaça nuclear do Irã". Ele avalia que as cotações cairão rapidamente quando terminar a destruição do modelo iraniano. "É um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", disse.