CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Mineira relata momentos de tensão em Dubai: 'Muito medo'

Ataques e retaliações no Oriente Médio colocam Dubai em estado de alerta e afetam voos e rotina da população

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Dubai vive um momento de forte tensão após a escalada do conflito no Oriente Médio. Depois de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o governo iraniano retaliou lançando mísseis e drones contra bases militares americanas na região do Golfo, incluindo alvos nos Emirados Árabes Unidos.

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Embora as autoridades afirmem que os projéteis tinham como foco instalações militares, centenas foram interceptados no espaço aéreo e destroços atingiram áreas urbanas de Dubai, provocando explosões, princípio de incêndio e fechamento temporário do espaço aéreo.

Morando em Dubai desde 2018, a mineira Izabella Naessa, diretora de Gestão de Mudanças e natural de Belo Horizonte, relata nunca ter vivido algo semelhante. Após passar por seis países, ela escolheu os Emirados Árabes Unidos para chamar de casa. Agora, vive momentos de medo e tensão junto da família.

“Eu moro em Dubai desde 2018. A gente tem muito orgulho de chamar Dubai de nossa casa. Mas o que estamos vivendo agora é uma situação de muita tensão”, ressalta ao Estado de Minas

A crise começou após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que retaliou lançando mísseis e drones contra bases militares americanas no Oriente Médio. Instalações no Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia, Iraque e nos Emirados Árabes Unidos entraram na rota dos ataques.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Defesa emiradense, mais de 700 mísseis e drones foram interceptados desde o início da ofensiva. As autoridades afirmam que os alvos eram bases aéreas e militares, não áreas residenciais. Ainda assim, os destroços das interceptações caíram em diferentes pontos urbanos.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu quando fragmentos de um drone atingiram a fachada do luxuoso Burj Al Arab, causando um princípio de incêndio que foi rapidamente controlado. Não houve vítimas.

“Grande parte das mensagens que recebi de amigos e familiares era sobre os destroços caindo em lugares aleatórios. Isso é o que mais assusta”, conta Izabella.

Ela relata que, no sábado, os barulhos foram intensos. “Ouvimos explosões muito fortes. Em uma das manhãs, duas foram tão intensas que a casa chegou a tremer um pouco”, lembra.

Mãe de um menino de 6 anos, Izabella descreve a dificuldade de manter a calma. “Não é fácil gerenciar essa situação com uma criança dentro de casa. A gente tenta passar tranquilidade, mas a tensão existe”, confessa.

Na última noite, não houve explosões, mas o som constante de aviões de caça cortando o céu tornou o sono quase impossível. “É difícil diferenciar os barulhos. Cada ruído alto gera alerta”.

Aeroporto fechado e voos milionários

O impacto mais visível da crise foi o fechamento temporário do espaço aéreo dos Emirados. A Dubai Airports anunciou, nesta segunda-feira (2/3), uma retomada limitada das operações no Aeroporto Internacional de Dubai (DXB) e no Aeroporto Internacional Al Maktoum.

O DXB é o aeroporto mais movimentado do mundo, com 92 milhões de passageiros em 2024, segundo o Conselho Internacional de Aeroportos, e um dos principais hubs entre Europa, África e Ásia. O bloqueio afetou milhares de viajantes e provocou cancelamentos em massa.

Parte dos estrangeiros deixou Dubai por via terrestre rumo a Omã, a cerca de quatro horas e meia de carro, para tentar embarcar pelo aeroporto de Mascate. A alta demanda fez disparar os preços de jatos particulares. De acordo com o jornal britânico The Guardian, voos fretados para a Europa podem ultrapassar R$ 1 milhão, diante da escassez de aeronaves e restrições de seguro impostas a companhias aéreas.

Escolas online e trabalho remoto

Com a recomendação oficial de permanecer em casa, escolas migraram temporariamente para o ensino on-line e empresas adotaram o trabalho remoto. “Estamos trabalhando de casa. Meu filho teve a primeira aula on-line hoje. O governo tem dado atualizações diárias, o que passa um senso de controle, mas a ansiedade continua”, diz Izabella.

Em Abu Dhabi, capital do país, um drone interceptado próximo ao aeroporto deixou uma pessoa morta e sete feridas, segundo autoridades locais, o que aumentou a apreensão na região.

Dubai é formada majoritariamente por estrangeiros — mais de 90% da população é expatriada. Para Izabella, isso fortalece o senso de comunidade. “Quando acontece uma situação assim, como foi na pandemia, existe muita solidariedade. As pessoas seguem as orientações e mantêm esperança de que tudo vai se resolver”, pontua.

Ao mesmo tempo, a escalada preocupa. O envolvimento de outros atores regionais e a possibilidade de ampliação do conflito elevam o grau de incerteza.

“A gente está avaliando se continua aqui ou se volta para o Brasil. Por enquanto, estamos bem e seguros. Mas é impossível não sentir medo”, afirma.

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Entre explosões, aulas on-line e o som constante de caças no céu, a mineira tenta manter a rotina e a fé de que a crise será contida. “Agora é rezar para que esses países cheguem a um acordo e que isso pare por aqui”, sonha.

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