Conflito no Golfo

Brasileiros nos Emirados relatam janelas tremendo após ataques do Irã e filas em postos e mercados

Larissa Alves, 28, moradora de Abu Dhabi há cerca de um ano, diz que os primeiros estrondos começaram por volta das 12h do horário local (5h em Brasília)

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NOVA DÉLI, ÍNDIA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Brasileiros que moram nos Emirados Árabes Unidos relatam estrondos contínuos, janelas tremendo e filas em mercados e postos de gasolina em meio a interceptações de mísseis iranianos lançados contra o país neste sábado (28/2), em retaliação a bases americanas no Oriente Médio após o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

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Larissa Alves, 28, moradora de Abu Dhabi há cerca de um ano, diz que os primeiros estrondos começaram por volta das 12h do horário local (5h em Brasília).

"O primeiro estrondo foi bem alto. Estranhamos, mas ignoramos pensando que pudessem ser fogos de artifício de celebrações. Então ouvimos o segundo, o terceiro, o quarto. O estrondo é tão alto que treme a janela", afirma ela, relatando que era possível ver os rastros dos projéteis e da interceptação no céu.

Alves conta que depois das primeiras interceptações, alertas em árabe e em inglês do governo pularam nas telas dos celulares pedindo que a população buscasse lugares seguros, não saíssem de casa e evitassem ficar perto de janelas. Parte dos moradores do prédio em que ela vive se deslocou para a garagem do edifício.

Embora espaçados, os estrondos e alertas do governo continuam na capital do país, segundo Alves e outros brasileiros que conversaram com a reportagem. Em Abu Dhabi, os EUA operam na base militar emirate de Al-Dhafra, alvo dos mísseis iranianos.

Filas nos postos

Ela diz que o marido encontrou grandes filas ao sair para comprar comida e abastecer o carro para o caso de precisarem ficar um período prolongado em casa; o governo do país, que se comunica majoritariamente por notas publicadas em canais e agências oficiais, não emitiu nenhuma recomendação de longo prazo.

"Quando viemos para cá, viemos sabendo que Abu Dhabi é a cidade mais segura do mundo, com uma sensação de segurança, sem a menor preocupação. Desde junho do ano passado, com a guerra dos 12 dias entre Israel e Irã, a gente tem sentido medo", conta Alves.

Quando conversou com a Folha por chamada de vídeo, Andressa Trivelli, 41, moradora de Dubai há cerca de três anos, não havia ainda escutado barulhos do que foi a primeira salva de projéteis que mirou os Emirados.

Em seguida, no entanto, uma segunda onda de interceptações pode ser ouvida, segundo relatos de agências de notícias. Esta, Trivelli escutou. "Se eu estivesse em uma bolha, sem saber o que estava acontecendo, acharia que era trovão. Na hora fui para a varanda, uns vizinhos também foram, mas parou", diz a empresária Andressa Trivelli, 41, moradora de Dubai.

Visitante frequente de Dubai, onde trabalha com intermediação de comércio com países asiáticos, o brasileiro Mauro Araújo estava num encontro de trabalho quando o telefone tocou. "Era um colega dizendo que estávamos sob ataque. Nunca pensei que veria isso aqui", disse Araújo, que não ouviu explosões.

"Algumas pessoas ouviram explosões pontuais na região de Production City, embaixadas passaram orientações de segurança, mas o clima é de normalidade", disse o consultor Pedro Fittipaldi, que mora em Dubai.

"O impacto mais sensível será o fechamento do espaço aéreo. Aqui em casa demos sorte, pois os pais da minha esposa chegaram do Rio ontem à meia-noite", contou.

Os alertas de ataque por celular só foram ativados em Abu Dhabi, não em Dubai. Moradores do mais conhecido e turístico emirado, contudo, filmaram os rastros de mísseis de defesa antiaérea em ação ao longo da manhã.

A ofensiva americano-israelense e a retaliação iraniana a bases usadas pelos EUA em vizinhos da região empurra o Oriente Médio para uma das suas mais graves crises em décadas.

Os ataques começaram a despeito de negociações em andamento entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear do país persa, que o presidente americano Donald Trump quer destruir.

Tel Aviv, por sua vez, pressionava o aliado a ir além nas negociações e acabar com o programa de mísseis iraniano, algo que o regime rejeitava colocar à mesa.

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O Exército de Israel afirmou neste sábado que o ataque foi preparado e executado em conjunto com os EUA. De acordo com um alto funcionário das forças israelenses, o nível de colaboração entre os países para a ação é novo e o mais alto já executado.

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