"NÃO FOI COINCIDÊNCIA"

Manifestante é presa ao vivo depois de criticar Trump em entrevista na TV

Mulher de 22 anos foi levada por policiais enquanto participava de um ato com 200 pessoas. Autoridades afirmam que ela foi detida por obstruir uma via pública

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Uma manifestante foi presa ao vivo quando concedia entrevista a um programa da TV americana WZZM 13, afiliada da ABC, em Grand Rapids, no estado de Michigan, nos Estados Unidos. O caso aconteceu na segunda-feira (5/1) durante um protesto contra a ação militar liderada pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A mulher apontou que foi detida por ter criticado o presidente americano, Donald Trump. No entanto, as autoridades afirmam que ela foi levada por ter obstruído uma via pública.

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A manifestante é Jessica Plichta, de 22 anos, professora de educação infantil. Segundo ela, foi a única pessoa detida entre cerca de 200 participantes do ato. Nas imagens exibidas pela emissora, dois policiais se aproximam por trás enquanto Jessica finalizava a entrevista e a escoltam para fora do enquadramento. “Não estou resistindo à prisão”, disse durante a abordagem.

Momentos antes, Jessica havia criticado duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que os ataques contra a Venezuela eram injustos e prejudiciais. Pouco depois, foi abordada por policiais sob a alegação de desobediência a uma ordem legal e obstrução de via pública.

De acordo com a WZZM 13, a manifestante foi levada para a cadeia do Condado de Kent, onde permaneceu detida por cerca de três horas. Ela foi liberada ainda no mesmo dia e informada de que receberia posteriormente uma notificação sobre a acusação formal.

Em entrevista ao veículo independente Zeteo, Jessica afirmou acreditar que sua prisão não foi coincidência. “Não acho que seja coincidência que, assim que terminei uma entrevista sobre a Venezuela, fui presa”, declarou. Ela relatou ainda que foi colocada na parte de trás de uma viatura sem cinto de segurança e levada para fora do alcance das câmeras, onde teria sido revistada e questionada repetidamente.

Segundo Jessica, os policiais perguntaram se ela era venezuelana, qual seria sua ligação com o país e por que havia participado do protesto. Ela também afirmou que teria sido pressionada a identificar outros manifestantes. “Estamos tão acostumados à repressão quando nos manifestamos por causas pacifistas. Quando nos manifestamos a favor da Venezuela ou da Palestina, esperamos que a polícia queira nos calar”, disse.

O Departamento de Polícia de Grand Rapids contestou a versão apresentada pela manifestante. Em comunicado enviado ao site Daily Beast, as autoridades afirmaram que mais de 25 avisos foram feitos por alto-falantes de viaturas policiais para que os manifestantes deixassem a rua e se deslocassem para a calçada, o que, segundo a corporação, não foi obedecido. A polícia confirmou que apenas uma prisão foi realizada, mas não explicou por que somente Jessica foi detida.

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O episódio ocorre em meio a um cenário de crescente polarização nos Estados Unidos. Uma pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada recentemente, mostrou que apenas um em cada três americanos aprova a ação militar dos EUA contra Maduro, enquanto 72% temem que o país se envolva excessivamente no conflito.

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