A Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia do Ministério Público (MPMG) contra Shaylon Cristian Ferreira Moreira, de 26 anos, acusado de matar o policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha durante uma escolta no Hospital Luxemburgo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (4/11). 

O crime ocorreu em 3 de agosto de 2025, quando o suspeito estava internado sob custódia. Segundo a acusação, ele entrou em luta corporal com o agente, tomou sua arma, atirou contra ele e fugiu do hospital usando o uniforme e o colete balístico da vítima.

A decisão foi assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Ao receber a denúncia, a magistrada considerou que a acusação apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos legais e que há elementos suficientes, nesta fase processual, para dar início à ação penal.

Shaylon deverá ser citado para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. O processo seguirá com a instrução, incluindo a produção de provas, a oitiva de testemunhas e o interrogatório do acusado. Ao final dessa etapa, caberá à Justiça decidir se ele será pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Fabiano Mendes Cardoso em 27 de outubro, Shaylon estava internado no Hospital Luxemburgo desde 27 de julho de 2025. Euler era um dos policiais penais responsáveis por sua vigilância durante o período de internação.

Na madrugada do crime, por volta das 2h16, os dois estavam no quarto 517 da unidade de saúde quando, conforme a versão do Ministério Público, o acusado aproveitou a proximidade com o agente para iniciar uma luta corporal e conseguir tomar sua arma de fogo.

Em seguida, Shaylon teria efetuado disparos contra o policial penal, atingindo a região do tórax. Euler chegou a receber atendimento da equipe médica, que tentou reanimá-lo, mas não resistiu aos ferimentos.

Após o homicídio, o acusado teria retirado do local os pertences funcionais do policial, incluindo uniforme, colete balístico e uma bolsa com armas de fogo, carregadores e munições. Ainda segundo a denúncia, ele lavou as mãos ensanguentadas e deixou o hospital vestindo o fardamento da vítima.

A investigação aponta que a estratégia foi utilizada para facilitar a fuga e ocultar sua identidade. Já fora do hospital, Shaylon teria se apresentado como policial penal a terceiros. Uma mulher que acreditou estar diante de um agente de segurança pública solicitou uma corrida por aplicativo, atendida pelo motorista Éder Lucas Amorim Gomes.

A fuga, no entanto, foi interrompida durante uma abordagem da Polícia Militar. O motorista obedeceu a uma ordem de parada dos policiais, que encontraram a vítima ainda com o uniforme da Polícia Penal e em posse das armas, dos carregadores e das munições retiradas dela. Ele foi preso em flagrante.

Qualificadoras

O Ministério Público denunciou Shaylon por homicídio qualificado, com duas qualificadoras: emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e crime contra integrante do sistema prisional no exercício da função. A acusação sustenta que o policial foi surpreendido durante o serviço de custódia, sem condições adequadas de reação diante da investida.

Além do homicídio, o acusado também responde por falsa identidade, por ter atribuído a si a condição de policial penal para facilitar a fuga. Os dois crimes foram denunciados em concurso material, quando as penas podem ser somadas.

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O Ministério Público pediu que Shaylon seja pronunciado e submetido ao Tribunal do Júri. A decisão que recebeu a denúncia, contudo, não representa condenação: o acusado ainda terá direito à defesa e à produção de provas ao longo do processo.

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