O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Contagem (Sind-UTE Contagem) anunciou, por meio das redes sociais, uma paralisação total dos profissionais de ensino do município para esta quinta-feira (5/11). De acordo com a entidade de classe, todos os turnos serão afetados.
- Escolas municipais de BH exploram caminhos pedagógicos criativos
- Professor da UFU é denunciado por agredir adolescente em Uberlândia
De acordo com o Sind-UTE Contagem, na data da paralisação, os docentes participarão de uma assembleia marcada para o período da manhã. Durante a tarde, está marcado um ato público em frente à Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
As ações são motivadas pela nova matriz curricular que a Secretaria Municipal de Educação de Contagem planeja colocar em vigor nas escolas do município. Para a entidade de classe, a proposta deve resultar na redução do quadro de professores e na consequente precarização do ensino.
Leia Mais
Atualmente, a matriz curricular do município determina a proporção de 1,5 professor por turma. Ou seja: uma escola com 10 classes precisa ter, nessessariamente, um quadro com pelo menos 15 professores para atendê-las. Caso a nova normativa entre em vigor, tal proporção se tornaria um parâmetro, e não uma obrigação.
O Sind-UTE Contagem pontua que essa taxa de 1,5 professor por turma permite acompahamento mais próximo aos alunos, por meio da realização de aulas excedentes, nas quais são elaborados atendimentos especiais e projetos pedagógicos, como música e xadrez, ministrados em parte das escolas.
- "A greve é nosso último refúgio", diz diretora do sindicato dos professores
- Professores de escolas particulares de BH e região suspendem greve
A entidade também destaca que essa proporção faz com que os estudantes não fiquem sem aula caso um dos docentes se afaste das atividades por problemas de saúde ou por alguma questão pessoal. Também permite a realização de projetos interdisciplinares, como, por exemplo, a participação simultânea de dois professores em aulas práticas em laboratório, nas quais é preciso dividir as turmas.
Ainda de acordo com o Sind-UTE Contagem, o processo de mudança da matriz curricular vem ocorrendo sem diálogo com a comunidade acadêmica. "Eles avisavam sobre essa alteração em uma reunião com diretores, que não puderam nem opinar", disse uma fonte ao Estado de Minas.
Ainda segundo o relato prestado à reportagem, a nova matriz curricular é fruto de uma iniciativa de Ricardo Faria (PSD), que assumiu a Prefeitura de Contagem após Marília Campos (PT) deixar o cargo para concorrer a uma vaga no Senado, para a qual foi eleita.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O Estado de Minas procurou a Prefeitura de Contagem e aguarda retorno. O espaço está aberto a manifestações.
