"A greve é nosso último refúgio", diz diretora do sindicato dos professores
Telma Santos afirma que docentes querem voltar às salas, mas cobram manutenção da convenção coletiva e rejeitam divisão proposta pelas escolas
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“Essa greve é o nosso último refúgio", afirmou a diretora do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), Telma Santos, durante a manifestação dos professores da rede particular de Belo Horizonte e região em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região, nesta segunda-feira (21/9).
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A categoria está em greve por tempo indeterminado desde quarta-feira (16/9), em meio ao impasse com o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe-MG) sobre a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Uma reunião de conciliação entre os dois sindicatos estava sendo realizada no TRT nesta tarde.
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Segundo Telma, os professores não querem permanecer fora das salas de aula, mas consideram que a paralisação é necessária diante da falta de acordo e do que ela classifica como ameaças aos direitos da categoria.
“A última coisa que o professor quer é fazer greve. O professor quer estar em sala de aula, mas com essa insegurança, com seus direitos ameaçados, com o mínimo que ele tem ameaçado, não é possível. São meses e meses tentando ser ouvidos e nós não somos”, afirmou.
O principal ponto de divergência entre os professores e o sindicato patronal, segundo a diretora, é a proposta de dividir a atual CCT em dois documentos: um para a educação básica e outro para o ensino superior. A categoria rejeita a mudança e defende a renovação da convenção unificada.
“Principalmente, a renovação da nossa convenção coletiva como está”, disse Telma. Segundo ela, o sindicato patronal colocou a divisão da categoria como condição inicial para as negociações.
“A categoria não aceitou, porque entende que enfraquece, que fragiliza ainda mais a nossa representatividade e os nossos direitos coletivos”, afirmou.
Professores querem manter convenção atual
A atual convenção estabelece direitos para professores de diferentes etapas de ensino. Os docentes defendem que o documento seja renovado sem alterações e reivindicam reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao INPC.
Para Telma, a preocupação com a divisão está relacionada à força de negociação da categoria. Segundo ela, a convenção unificada permite que diferentes segmentos dos professores sejam contemplados em um mesmo documento.
“Hoje, na convenção coletiva, nós temos cláusulas que tratam diferenças entre os segmentos. Quando você divide, você pode ter direitos que estão em uma convenção, mas você não vai conseguir associar a outra”, explicou.
Os professores também apontam que a separação pode abrir espaço para mudanças em direitos conquistados ao longo dos anos, como bolsas de estudos e isonomia salarial.
Categoria diz que abriu mão de parte das reivindicações
A pauta apresentada pelo Sinpro Minas, segundo Telma, vai além do reajuste salarial. O sindicato também colocou em discussão questões relacionadas à saúde mental e à sobrecarga de trabalho dos professores.
A diretora afirma, porém, que a categoria estaria disposta a adiar parte dessas discussões para tentar garantir a renovação da convenção coletiva nos moldes atuais.
“A categoria, inclusive, estaria disposta a entender que você pode deixar para discutir no seguinte momento, em prol de assinar a convenção coletiva como está, no mínimo”, afirmou.
Para Telma, o objetivo imediato é evitar que a renovação da CCT resulte em perdas para os professores.
“O que é necessário é que o sindicato apresente uma proposta de acordo que trate os professores com dignidade. Minimamente, a convenção coletiva conquistada, sem nenhuma alteração, sem perdas para os professores”, disse.
Insegurança entre professores
Telma afirma ainda que o impasse nas negociações já tem reflexos nas relações de trabalho. Segundo ela, há instituições que estariam se recusando a aceitar bolsas apresentadas pelos professores.
“Nós já temos instituições que estão se recusando a aceitar as bolsas dos professores entre outras restrições”, declarou.
Ela também relata aumento da sobrecarga de trabalho e afirma que os docentes vivem um cenário de insegurança e instabilidade.
“Estamos tendo um enfraquecimento mais grave [...] e toda situação de uma ameaça que os professores estão vivendo de insegurança, de instabilidade”, afirmou.
Quando começou a greve?
A greve dos professores da rede particular de Belo Horizonte e região começou na última quarta -feira (16/9) após assembleia convocada pelo Sinpro Minas. Na sexta-feira (18/9), mais de 700 docentes de dezenas de escolas participaram de uma nova assembleia e decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.
Na reunião, os professores voltaram a rejeitar a proposta de divisão da CCT. A categoria mantém como reivindicações a preservação da convenção unificada e o reajuste salarial de 3,77%.
Nesta segunda-feira, os professores realizaram uma manifestação em frente ao TRT. Segundo Telma, o resultado das negociações será levado aos professores e poderá definir os próximos passos do movimento.
“Aquilo que for apresentado no tribunal, vai ser apresentado para a categoria em assembleia amanhã, e os próximos passos vão ser definidos dessa greve”, afirmou.
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Uma nova assembleia está marcada para terça-feira (22/9), às 9h30, na Rua Diamantina, 463, no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.