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Escolas municipais de BH exploram caminhos pedagógicos criativos

Oficinas de xadrez e dança, desafios científicos e projetos de convivência complementam o currículo da rede municipal de ensino e aproximam os estudantes de novas áreas do conhecimento

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Ir além do que a grade curricular oficial é obrigada a oferecer é o grande desafio para que os colégios consigam atrair o interesse e a curiosidade dos alunos e, assim, estimular a criatividade em suas atividades pedagógicas. Em Belo Horizonte, as escolas públicas municipais estão atentas a essas demandas e incorporam atividades extras que enriquecem o currículo e ampliam o contato dos alunos com novas linguagens, oferecendo oportunidades de aplicar conhecimentos em situações práticas.

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As ações incluem oficinas no contraturno, competições acadêmicas, parcerias com a universidade e projetos de prevenção à violência. As propostas atendem a diferentes faixas etárias, com atividades que vão do xadrez à cultura hip hop, passando pela investigação científica e pela discussão das relações de gênero.


Um exemplo é a Oficina de Xadrez do Programa Escola Integrada (PEI), da Secretaria Municipal de Educação (Smed), selecionada no Edital Mapa de Experiências 2026 do Ministério da Educação (MEC) entre as experiências inspiradoras de educação integral do país. Com mais de uma década na rede, a iniciativa utiliza o jogo de tabuleiro para desenvolver raciocínio lógico, concentração, planejamento e tomada de decisões.

 

Programa Escola Integrada oferece 154 oficinas de dança, incluindo break e outras modalidades da cultura hip-hop
Programa Escola Integrada oferece 154 oficinas de dança, incluindo break e outras modalidades da cultura hip-hop Cláudio Lacerda/Smed


O lúdico e o pensar


Atualmente, 19 colégios oferecem oficinas de xadrez no contraturno, atendendo cerca de 5,3 mil estudantes do 1º ao 9º ano de Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs), em todas as regionais da capital. A modalidade também chega a algumas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), com atividades adaptadas para crianças de 3 a 5 anos.


O xadrez começou a ganhar espaço na rede a partir de 2012, com incentivo da Federação Mineira de Xadrez (FMX). A seleção nacional ocorreu em edital do MEC, em parceria com o grupo de pesquisa Territórios, Educação Integral e Cidadania (Teia), da Faculdade de Educação da UFMG. No colégio Gracy Vianna Lage, em Venda Nova, a modalidade integra o PEI. Outras unidades também mantêm oficinas, e os alunos participam de torneios escolares, incluindo partidas simultâneas com cerca de 200 participantes.


Professor de matemática e enxadrista desde os 9 anos, André Luiz Oliveira atua como referência técnica da modalidade na rede. “Enxergar o xadrez como recurso pedagógico é entender que o lúdico e o pensar caminham juntos no processo de ensino e aprendizagens. Cada partida exercita a paciência, o planejamento e a resiliência, habilidades essenciais não apenas para o desempenho escolar, mas para a formação integral das nossas crianças e adolescentes”, diz.

Cultura hip-hop


Dança de rua, break e outras expressões do hip-hop integram as oficinas do PEI, que atende cerca de 46 mil estudantes em 178 escolas municipais, sendo oferecidas 154 oficinas de dança. Recentemente, durante a Semana da Criança, os pais puderam ver de perto os resultados desse trabalho durante a terceira edição do Festival Hip- Hop, realizada no colégio Fernando Dias Costa, no Taquaril, na região Leste.

O evento reuniu cerca de 300 alunos e monitores de 12 unidades, com apresentações de dança, rodas de break, grafite ao vivo e discotecagem, além da participação de artistas da cena hip-hop de Belo Horizonte. A Escola Professora Alcida Torres, também no Taquaril, conquistou o primeiro lugar na competição.

A estudante Sophia Emanuele, de 11 anos, começou a praticar break em 2023, em uma oficina do programa. Incentivada por um monitor, passou a disputar competições regionais e conquistou o terceiro lugar em seu primeiro campeonato. “A dança me trouxe muitas amizades e isso foi legal!”, conta.

A programação contou, ainda, com a presença dos rappers W2 e Sandrão, o DJ ALS, o b-boy Session, um dos idealizadores do festival, e o grafiteiro Mister Towch. Para Sandrão, a presença do hip-hop no ambiente escolar favorece a expressão dos jovens e é uma maneira de eles se sentirem pertencentes e encontrarem um modo de expressão que reforce suas identidades.


Desafio em matemática e ciências


O programa Trilhas Olímpicas Progressivas (TOP), também da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, promove as Jornadas TOP, competição com desafios de matemática, ciências e suas tecnologias. Em 2026, cerca de 300 estudantes do 1º ao 9º ano, de 35 colégios municipais, participaram da etapa regional, após uma primeira rodada realizada em agosto.


Os alunos resolveram problemas e participaram de atividades de investigação e raciocínio lógico. A pontuação regional será somada à da etapa municipal, prevista para o fim de novembro. O programa também incentiva a participação em olimpíadas do conhecimento, como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).


No colégio Padre Francisco Carvalho Moreira, no bairro São Geraldo, 40 alunos de 8 e 9 anos, matriculados no 2º e no 3º ano do fundamental, participam das jornadas. Segundo a professora coordenadora Vanessa Bayerl Zuqui de Oliveira, as propostas estimulam a investigação e a busca de soluções para situações cotidianas.


Érica Abranches de Melo, integrante da comissão organizadora do TOP, destaca a contribuição das competições para o ensino. “Elas estimulam a resolução de problemas e o raciocínio lógico de forma engajadora, alinhando-se diretamente às metas da Secretaria de Educação para consolidar os resultados recentes e continuar elevando os patamares de aprendizagem nos anos iniciais e finais”, afirma.


Parceria com a UFMG


A parceria entre a Smed e o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), da UFMG, mantém 71 estagiários universitários em escolas municipais onde colaboram com o ensino de ciências. Os universitários levam às unidades temas relacionados às próprias pesquisas e participam de práticas pedagógicas que integram ciência, tecnologia, humanidades, engenharia, arte e matemática.


O planejamento das aulas permanece sob responsabilidade dos professores da rede municipal de ensino, enquanto os estagiários apoiam a docência e participam de formações quinzenais promovidas pelo Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Cape), em conjunto com a equipe de ciências da Gerência dos Anos Finais.


A iniciativa inclui formação continuada para professores e ações de extensão. Em abril de 2026, a quarta Semana de Extensão do ICB reuniu estandes temáticos, oficinas e uma feira científica para discentes da rede municipal. Desde o início da parceria, mais de 200 universitários participaram das atividades.


“Por meio desse vínculo, os estudantes também passam a conviver ainda mais como pesquisadores e protagonistas da produção de conhecimento”, afirma Valeriana Christina Sousa, professora de ciências da Smed. Para Carlos Renato Machado, coordenador do curso na UFMG, a troca beneficia os dois ambientes de formação. “A universidade tem muito a contribuir com esse processo, mas também aprende com a realidade das escolas”, diz.


Prevenção à violência de gênero


Outra iniciativa inovadora é o projeto Entre Vozes e Caminhos, que promove discussões sobre relações de gênero e masculinidades com adolescentes de escolas dos bairros Alto Vera Cruz, Granja de Freitas e Taquaril. Desenvolvida pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Justa Consultoria, a iniciativa registrou mais de 740 atendimentos a jovens de 12 a 17 anos na Regional Leste entre maio de 2025 e setembro de 2026.


As oficinas abordam comunicação não violenta e resolução de conflitos, com foco no enfrentamento da violência contra meninas e mulheres. Os encontros discutem atitudes masculinas, relações de respeito e formas de atuação preventiva no ambiente escolar.

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“Na prevenção à violência de gênero, é fundamental atuarmos para que meninas e meninos compreendam a importância do diálogo e da comunicação não violenta na resolução de conflitos”, afirma Márcia Alves, diretora de Prevenção Social à Criminalidade. Segundo ela, a formação sobre masculinidades busca aprofundar o entendimento das relações de gênero para ampliar as possibilidades de atuação educativa e preventiva entre os estudantes.

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