Dois homens foram presos por roubos e extorsões contra mulheres durante viagens por aplicativo na manhã desta segunda-feira (19/10) durante a Operação Rebu Branco, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Também foram apreendidos cinco celulares ligados ao núcleo financeiro do grupo investigado.
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“Realizamos três mandados de prisão, resultando em dois presos, e 13 mandados de busca e apreensão com a arrecadação de cinco celulares com o objetivo de entender quais pessoas receberam os valores, para onde destinaram e porque fizeram o cadastro com o núcleo técnico dessa quadrilha. Do núcleo operacional temos um foragido, com a investigação bem avançada”, disse o delegado Flávio Grossi, 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, responsável pela investigação.
Delegado Flávio Grossi, 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro
De acordo com a corporação, o grupo usava perfis falsos em aplicativos de viagem. Em determinado momento, um comparsa escondido saía do porta-malas do veículo e abordava a vítima no banco traseiro. Os suspeitos então passavam a ameaçar a passageira, obrigando-a a entregar os celulares, fornecer senhas e realizar transferências via Pix e empréstimos bancários.
As investigações identificaram pelo menos três crimes, ocorridos nos dias 20 e 21 de setembro, nos bairros Belvedere e Buritis, em Belo Horizonte, e na região da Vila da Serra, em Nova Lima, na região metropolitana. “O perfil das vítimas eram mulheres, preferencialmente desacompanhadas. Apesar de que em um dos fatos eram mãe e filha”, explica Grossi.
Momentos de terror
Em um dos casos, noticiado pelo Estado de Minas em setembro deste ano, a nutricionista C.T. relatou em suas redes sociais que saiu da academia e pediu um carro por aplicativo para voltar para casa. Quando o motorista apareceu e disse o nome dela, ela entrou no veículo acreditando que seria uma viagem como tantas outras que já havia feito.
Chegando perto do endereço de destino, o motorista mudou a rota e seguiu para outro caminho. Em seguida, um segundo homem saiu do porta-malas e a rendeu. “Ali começou o pesadelo. Eles anunciaram o assalto e me mantiveram dentro daquele carro por aproximadamente 1h20. Durante esse tempo, fui ameaçada enquanto eles acessavam meu celular, minhas informações pessoais e minhas contas bancárias. Fizeram perguntas sobre a minha vida e sobre a minha condição financeira”, conta.
Ainda de acordo com a postagem, os suspeitos afirmaram que iriam roubá-la porque ela “tinha dinheiro”. Eles levaram dinheiro e telefone da vítima. Depois de um tempo, eles abandonaram C. na margem de uma BR. Ela andou até um posto de gasolina próximo, onde conseguiu pedir ajuda.
Ao final do relato, C. faz um alerta às mulheres: “Eu ouvi o meu nome e isso me deu uma falsa sensação de segurança. Antes de entrar, parem. Confiram a placa. Confiram o modelo do carro. Confiram o motorista. Mesmo que ele saiba o seu nome”.
Investigações
Para identificar os autores, a PCMG contou com imagens das viagens, informações fornecidas pela plataforma de transporte, reconhecimento por parte das vítimas e análise das movimentações financeiras.
“É importante destacar que as plataformas foram altamente colaborativas no decorrer das investigações. Uma das vítimas usou o botão de emergência e isso permitiu que algumas imagens durante o encarceramento fossem registradas”, declarou o delegado.
Segundo a Polícia Civil, os cinco celulares apreendidos durante a operação estão vinculados ao núcleo financeiro investigado e serão analisados para esclarecer o caminho do dinheiro e identificar outros possíveis envolvidos. Um dos mandados de prisão foi cumprido contra um investigado que já estava preso por outro roubo, cometido enquanto essa investigação estava em andamento.
A PCMG informou que vai prosseguir com os trabalhos para esclarecer todo o caso.
O que diz a plataforma?
Por meio de nota, a Uber lamentou os casos e informou que colaborou com as autoridades competentes, nos termos da lei. Afirmou, ainda, que a conta do motorista em questão foi desativada da plataforma.
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“A plataforma ressalta que mantém um contrato com o Serpro, empresa de TI do Governo Federal, para confirmar as informações cadastrais dos motoristas parceiros e de seus veículos. Todos os parceiros cadastrados também passam por uma checagem periódica de apontamentos criminais, desde a primeira viagem. A empresa também implementa algoritmos de reconhecimento facial e, ao criar a conta, verifica se a foto de perfil coletada do motorista parceiro é verídica, tirada ao vivo e se não corresponde a um perfil ativo ou previamente desativado. Além disso, o aplicativo solicita, aleatoriamente, que os motoristas parceiros tirem uma selfie antes de aceitar uma viagem ou de ficar online, para verificar se a pessoa que está usando o aplicativo corresponde àquela da conta que temos no arquivo”, informou a empresa.
