Uma colisão, três veículos e duas vítimas mobilizaram equipes de resgate na manhã desta quinta-feira (1º/10), no km 544 da BR-040, em Belo Horizonte. O cenário, que envolveu uma carreta carregada com etanol e uma picape que transportava ácido clorídrico, foi montado pela EPR Via Mineira para simular uma ocorrência de grande proporção e testar a resposta das equipes diante de um acidente com produtos perigosos.
Sob o sol forte da manhã, cerca de 100 pessoas se mobilizaram para reproduzir a ocorrência. Em meio à movimentação de viaturas, equipes de resgate, ambulâncias e profissionais responsáveis pelo controle da área, o cenário foi montado para reproduzir uma situação de emergência na BR-040.
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Primeiro, uma colisão transversal envolvendo um carro. Na sequência, impactos frontais com uma carreta carregada com etanol e uma picape que transportava ácido clorídrico de forma irregular. Duas vítimas precisavam ser retiradas dos veículos, uma em estado grave e outra em estado moderado.
Enquanto parte das equipes trabalhava no atendimento e resgate, outras atuavam no isolamento da área, no controle do tráfego e na avaliação dos riscos provocados pelas cargas. O exercício avançou para a demonstração dos procedimentos de contenção, remoção dos veículos e limpeza da pista, até a liberação segura da rodovia.
Participaram da atividade equipes da EPR Via Mineira, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros Militar, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), BHTrans e equipe de emergência ambiental. O exercício encerrou a programação da Semana Nacional do Trânsito, que teve como tema “Desacelere, seu bem maior é a vida”.
Produtos perigosos
A presença das cargas químicas aumenta a complexidade da ocorrência. O etanol oferece risco principalmente de incêndio, enquanto o ácido clorídrico apresenta riscos de toxicidade e corrosividade.
O major Cristiano Antônio Soares, do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres do Corpo de Bombeiros, explica que o primeiro passo é isolar a área e identificar o produto para definir os equipamentos de proteção e os procedimentos necessários.
“Um acidente como esse precisa ter um isolamento para que as pessoas não entrem na zona quente e a identificação do produto para entender os riscos, analisar qual é o equipamento de proteção adequado para acessar a vítima.”
Para Hermann Frederich Neto, gerente de operações da EPR Via Mineira, o exercício permite treinar a contenção de vazamentos e a proteção das pessoas e das áreas próximas.
“Esse simulado a gente tem uma complexidade muito grande porque tem o envolvimento do produto perigoso e, dessa forma, além de a gente atender as vítimas que estão no local, temos ainda que fazer as contenções dos produtos com vazamento.”
A EPR realiza dois simulados por ano. Segundo Hermann, o treinamento desta quinta-feira permite preparar as equipes para uma eventual ocorrência real. “Hoje um simulado, amanhã podendo ser uma fatalidade que aconteça na nossa rodovia e, dessa forma, a gente executa esses simulados.”
Primeira resposta
A EPR Via Mineira administra 232 quilômetros da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora. Segundo Hermann, a concessionária mantém atendimento 24 horas e equipes de inspeção ao longo do trecho.
“A concessionária é a primeira a chegar e aí ela verifica a situação, ela repassa todas as primeiras informações. E dali por diante a gente começa um protocolo geral de produtos perigosos, como acionamos os órgãos públicos, os órgãos fiscalizadores, para que juntos possamos atender da melhor forma possível.”
O gerente afirma que os protocolos também envolvem empresas e órgãos especializados. “Existe um protocolo que se segue quando tem o vazamento, que tem que ser feita a contenção, que tem que ser feito o distanciamento pro usuário”, explicou.
Fluxo de veículos
A movimentação na BR-040 ajuda a dimensionar a importância da preparação para ocorrências. Nos primeiros 20 quilômetros da rodovia, entre Belo Horizonte e Alphaville, passam cerca de 65 mil veículos por dia. Entre Alphaville e Congonhas, são aproximadamente 40 mil veículos diariamente. O fluxo chega a cerca de 50 mil veículos por dia entre Congonhas e Conselheiro Lafaiete e fica em torno de 14 mil nos trechos mais ao sul.
O excesso de velocidade é outro fator monitorado pela concessionária. Entre janeiro e agosto de 2026, os 68 pontos acompanhados no trecho concedido registraram 449.874 excessos de velocidade. O maior registro foi de 192 km/h em um trecho onde o limite era de 100 km/h.
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Os registros foram identificados em diferentes pontos da rodovia. Em Cristiano Otoni, um veículo chegou a 123 km/h em um trecho com limite de 60 km/h. Em Carandaí, foram registrados 95 km/h onde a velocidade máxima era de 40 km/h. Já em Juiz de Fora, o registro foi de 146 km/h em um trecho com limite de 40 km/h.
