Nossa Senhora do Rosário: quilombo em MG celebra com congado e missas
Quilombo de Pinhões, em Santa Luzia, festeja, até amanhã (12/10), Nossa Senhora do Rosário
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Na manhã ensolarada e de céu muito azul neste domingo (11/10), tradições centenárias se unem à devoção popular e “aquecem” os corações em importante celebração religiosa. Com mais de 300 anos de história, o Quilombo de Pinhões, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, celebra a 117ª Festa de Nossa Senhora do Rosário, na Paróquia Bom Jesus de Nossa Senhora Aparecida. Desde cedo, centenas de moradores e visitantes ocupam as ruas do povoado distante 15 quilômetros do Centro da cidade.
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A festa começou com o “café de acolhida” ao Congado Nossa Senhora do Rosário, na residência da “rainha” Maria Antônia Diniz dos Santos. Em seguida, ela saiu em cortejo para se encontrar com o “rei” Eudes Diniz Santos (seu filho) – ambos caminharam, com toda a corte, em direção à Igreja Nossa Senhora do Rosário, onde houve missa celebrada pelo padre Onofre Júnior. Presente toda a comunidade quilombola de Pinhões, pastorais e fiéis.
"Esperei muitos anos para ser rainha. Valeu a pena, pois é uma festa muito importante para todos nós. Dia de grande emoção", disse Maria Antônia, de 69 anos, que, de vestido comprido e capa, não reclamou do forte calor. Ela e o filho foram cumprimentados pelo prefeito Paulo Bigodinho e pela secretária Municipal de Cultura e Turismo, Regilene Carvalho.
Participante desde criança do congado, formado por mais 200 homens, Eudes, de 44, contou que começou aos 5 anos: "Fiz uma promessa, fiquei curado e Nossa Senhora do Rosário me atendeu."
Forte tradição
À frente do cortejo, na guarda do Rosário, o "mestre" Guerino Pereira explicou que a tradição se mantém cada vez mais viva em Pinhões. "Enquanto houver uma criança aqui, o congado continua". Dito e feito. Perto dali, estavam Marco Antônio da Conceição, de 47, e seu filho Antônio Vaz da Conceição, de 7. "É a primeira vez dele no congado. Temos que manter a tradição na família, pois herdei esse costume do meu pai", contou Marco Antônio.
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Na tarde deste domingo, haverá procissão (17h), ao som da Filarmônica do Santíssimo Sacramento de Taquaraçu de Minas. A missa de encerramento será às 18h, celebrada pelo padre Fernando Fagundes. A festa termina amanhã (12/10), com missa às 9h. Logo depois, tem visita do congado aos reis e rainhas das festas anteriores.
Logo após a missa iniciada às 11h30, haverá o almoço para os presentes, servido gratuitamente e feito por um "batalhão" de cozinheiras. Só de frango haverá dois mil quilos, sendo todos os alimentos fruto de doação.
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História
Pinhões surgiu em 1708 com os escravizados que foram trabalhar na construção do Mosteiro de Macaúbas, distante 5 quilômetros. Depois, ficaram morando no local entre as antigas sesmarias de Macaúbas e Bicas. Em março de 2017, a comunidade foi reconhecida como quilombo pela Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.