Uma idosa de 87 anos permanece ilhada dentro de um quarto na manhã desta sexta-feira (11/9), depois que a forte chuva que atingiu o Bairro Tirol, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, deixou a casa da família tomada por água e lama.

A neta da idosa, a dentista Pollynna Diniz, de 28 anos, contou ao Estado de Minas que a avó Luzia de Almeida, está no cômodo desde as 17h dessa quinta-feira (10), quando o temporal atingiu a residência na Rua Clemência Ferreira Evangelista.

 

Segundo Pollynna, a decisão de manter a avó no quarto foi tomada por segurança, diante da quantidade de lama espalhada pelo restante do imóvel, “meu medo é que ela escorregue na lama. Assim, preferi evitar que ela saísse. Se ela cai e machuca, o problema é muito maior”, desabafa.

Durante a visita da reportagem, a idosa demonstrava inquietação e conversava com a neta pela janela do quarto.

No vídeo é possível ver que ela chegou a sair em um dado momento do cômodo e foi até a sala. Mas, por precaução e segurança, a maior parte do tempo a senhora permaneceu no quarto.

 

Água entrou pela rua e pelo teto da residência no Tirol

Wellington Barbosa/EM/D.A.Press

Água entrou pela rua e pelo teto

Pollynna mostrou à reportagem os estragos provocados pelo temporal. A água entrou tanto pela rua quanto pelo teto do imóvel e atingiu praticamente todos os cômodos.

“Estragou tudo: sofá, televisão, perdi muitos alimentos, meus tênis”, relata.

Na sala, os sofás estavam cobertos de lama trazida pela enxurrada. Água e sujeira também se espalharam por outros espaços da residência. Um dos cenários que mais chamou a atenção foi a despensa. O local onde a família armazenava alimentos ficou inundado pela água que entrou pelo teto.

Os transtornos enfrentados pela família, segundo Pollynna, não começaram com o temporal dessa quinta-feira. Ela relata que, recentemente, teve o carro danificado quando o asfalto cedeu no momento em que saía de casa com a avó.

“Estava saindo com minha avó de carro e o asfalto afundou por estar fofo. Tive que pedir ajuda de vizinhos”, conta.

Segundo a dentista, ela precisou arcar com os custos dos reparos no veículo, que teve danos no para-choque, radiador e suspensão.

Novo sistema de drenagem

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que acompanha a situação da região do Bairro Tirol, e, desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (11), atua na limpeza das vias onde são executadas obras de drenagem pluvial no entorno da Praça Deputado José Raimundo.

A Sucecap informa que, no local, estão em andamento obras para implantação de um novo sistema de drenagem pluvial na Praça Deputado José Raimundo e em vias do entorno, com o objetivo de melhorar a eficiência das bacias de detenção Olaria e Jatobá. O investimento é de R$ 14,7 milhões, com recursos do Tesouro Municipal e do Programa de Drenagem Urbana e Controle de Erosão Marítima e Fluvial, do Ministério do Desenvolvimento Regional.

As intervenções, ainda segundo a superintendência, contemplam também as avenidas Nélio Cerqueira e Senador Levindo Coelho e as ruas Diramar Loureiro, João Batista Viana, José Moreira, Mario Alves, Clemência Ferreira Evangelista, Antônio Arantes Fortunas, Paulo de Oliveira Santos, Sebastião Moreira, Arlindo Chaves, José do Carmo de Oliveira e Maria da Silva Gomes.

A previsão é que as obras sejam concluídas no primeiro semestre de 2027.

A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) atua na limpeza da Rua Mangueira e das proximidades do Córrego Olaria, na Vila Ecológica. O trabalho é realizado por uma equipe de 16 garis, com o apoio de dois caminhões.

Nota da Defesa Civil

A Defesa Civil de Belo Horizonte informa que realizou, na noite dessa quinta-feira (10), uma vistoria na região da Rua José Moreira, no Bairro Tirol, após as fortes chuvas registradas durante a tarde.

Em um intervalo de duas horas, a Regional Barreiro registrou 32,6 milímetros de chuva, volume correspondente a 66,3% da média climatológica esperada para todo o mês de setembro em Belo Horizonte, de 49,2 milímetros. Devido ao elevado volume concentrado em um curto período, a precipitação foi classificada como extremamente forte.

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Durante a vistoria, a Defesa Civil constatou desplacamentos de revestimentos, processos erosivos, carreamento de materiais utilizados na obra e pontos de alagamento nas vias e áreas adjacentes. "Não houve registro de vítimas. Até o momento da vistoria, não foi constatada a necessidade de atendimento com ajuda humanitária", termina a nota.

 

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