FURTO DE COBRE

MP denuncia 26 investigados por esquema de furtos de cobre em MG

Segundo Ministério Público, criminosos trabalhavam de maneira estruturada; comercialização dos itens movimentou mais de R$ 150 milhões

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Por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Visconde do Rio Branco, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu, nesta quarta-feira (16/9), quatro denúncias contra 26 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa especializada no furto e comercialização de cabos de cobre de redes de telefonia, internet e energia elétrica. As acusações envolvem integrantes dos núcleos executor, de articulação e logística, de receptação local e liderança financeira, e de receptação interestadual.

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Segundo as investigações, a organização atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas, mantendo atividades entre 2020 e 2025 em municípios da Zona da Mata mineira, como Visconde do Rio Branco, Juiz de Fora, Ubá, Leopoldina, Matias Barbosa, São João Nepomuceno e Barbacena, além de promover a comercialização do material para empresas localizadas em outros estados que movimentaram mais de R$ 150 milhões.

Função de cada núcleo no crime

Segundo o MPMG, o núcleo executor era responsável pela escolha dos alvos e pela retirada dos fios de cobre das redes de concessionárias de serviços públicos. As denúncias apontam que parte dos investigados possuía experiência profissional no setor de telecomunicações, utilizando conhecimentos técnicos para facilitar a execução dos crimes. 

Para evitar qualquer suspeita, o grupo fornecia uniformes, identificações falsificadas, veículos caracterizados, cones de sinalização e documentos adulterados, simulando fielmente a realização de serviços de manutenção.

O núcleo de articulação e logística, segundo o MP,  funcionava como como área de coordenação das ações criminosas, incluindo recrutamento de participantes, organização das equipes, definição dos locais de atuação, fornecimento de veículos e equipamentos, transporte dos materiais furtados e distribuição dos valores obtidos com a atividade ilícita.

Já o núcleo de receptação local, processamento e liderança financeira, era  responsável pela aquisição dos cabos furtados, armazenamento, beneficiamento do cobre e gerenciamento financeiro da organização. Conforme as denúncias, o material era submetido a processos de descaracterização, como remoção de revestimentos e queima de fios, para dificultar a identificação de sua origem e aumentar seu valor de revenda. 

O mesmo núcleo também coordenava a comercialização do componente para compradores de outros estados. A investigação apontou movimentações financeiras que superam os valores de R$ 150 milhões, incompatíveis com a renda formal de alguns investigados, além da utilização de contas bancárias de terceiros e empresas para movimentação de recursos supostamente provenientes das atividades criminosas.

A quarta denúncia

A quarta denúncia trata dos integrantes do núcleo de receptação interestadual. De acordo com as investigações, empresários e comerciantes de sucatas localizados em Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro teriam adquirido grandes quantidades de cobre de origem ilícita, posteriormente promovendo o processamento industrial do material e seu retorno ao mercado formal. 

O Ministério Público sustenta que as transações ocorriam sem documentação fiscal compatível com os volumes negociados e que os envolvidos adotavam mecanismos destinados a ocultar a origem dos bens e valores obtidos com a comercialização do metal.

Crimes denunciados 

Nas denúncias, o Ministério Público de Minas Gerais atribui aos investigados, conforme a participação de cada um, os crimes de organização criminosa, receptação qualificada e lavagem de capitais. Também foi requerido o pagamento de indenizações pelos danos causados às concessionárias de serviços atingidos e por danos morais coletivos.

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* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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