'Temos que trabalhar com data', viúva de Laudemir cobra julgamento de Renê
Liliane França cobra definição do julgamento de Renê enquanto esposa dele tem licença médica renovada e muda para setor administrativo
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A viúva do gari Laudemir de Souza Fernandes, Liliane França da Silva, cobra da Justiça a definição de uma data para o julgamento do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado pela morte do trabalhador no dia 11 de agosto de 2025, durante uma discussão de trânsito na Rua Modestina de Souza, no Bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte.
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Para ela, a demora aumenta a angústia da família e também mantém sem resposta uma preocupação que, segundo Liliane, ultrapassa o caso de Laudemir: a segurança de outros trabalhadores, “temos que trabalhar com data. Isso vai trazer esperança para a gente”, afirma a viúva.
Renê é acusado de ter efetuado os disparos que atingiram o gari e será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Mais de um ano após a morte de Laudemir, Liliane afirma que ainda aguarda a definição da data do julgamento. Para ela, a demora aumenta a angústia da família. “Você vê os resultados aí, vai tirando a nossa esperança”, afirma.
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Segundo Liliane, a definição do julgamento é importante não apenas para a família. Ela relaciona o caso à situação de outros trabalhadores que continuam expostos a ameaças e agressões durante o exercício da profissão.
“Não é mais nem sobre o Laudemir em si. É sobre os outros trabalhadores que continuam trabalhando, continuam sofrendo agressão, continuam sofrendo ameaça”, diz.
Para a viúva, estabelecer uma data também representa uma forma de dar previsibilidade à família. “Eu gostaria muito, muito, muito que a nossa Justiça marcasse essa data”, afirma.
Liliane também acompanha as recentes mudanças na defesa de Renê. Segundo ela, o empresário trocou de advogado e o novo defensor afirmou, em entrevista, que haveria “surpresas” durante o julgamento.
A viúva diz temer que a demora no julgamento permita que o acusado obtenha novos benefícios antes de ser submetido ao Tribunal do Júri, “ele vai ser julgado, porque até então o nosso receio é que ele saia. Nosso medo é esse”, afirma.
Delegada foi transferida
A cobrança de Liliane ocorre em meio a uma mudança na situação funcional de Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê. A delegada foi transferida para a Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal (DAPP), área administrativa da Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
A transferência foi determinada após a delegada permanecer afastada das funções por período superior a 180 dias. A decisão foi tomada de forma unânime pelo Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil, em agosto.
Ana Paula está afastada das funções desde 13 de agosto de 2025. Nesta terça-feira (15/9), a PCMG também confirmou a prorrogação da licença para tratamento de saúde por mais 30 dias, a partir de 7 de setembro.
A corporação informou que a remoção observa as regras previstas no artigo 56, parágrafo 2º, da Lei Complementar 129/2013 e que a medida está relacionada à situação funcional da servidora.
Liliane, no entanto, questiona a mudança para o setor administrativo. Na avaliação dela, a transferência não altera a responsabilidade que atribui à delegada em relação à arma utilizada no crime.
“Ah, mas ela vai para o setor administrativo. Não interessa, a arma que era de posse dela tirou a vida de um trabalhador”, afirma.
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Ana Paula foi investigada por crimes relacionados à arma registrada em seu nome e à conduta diante do acesso de Renê ao armamento. A investigação apontou que a arma usada no assassinato de Laudemir pertencia à delegada. A defesa de Ana Paula foi procurada pela reportagem e o espaço permanece aberto para manifestação.