Chuva deixa moradores do Barreiro sem casa e sem pertences
Temporal de 15 minutos atingiu Vila Pinho; Defesa Civil atendeu 54 imóveis e orientou famílias a deixar áreas de risco
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Uma chuva que durou cerca de 15 minutos foi suficiente para fazer a água invadir casas, derrubar parte de estruturas e destruir os pertences de famílias que vivem no Beco do Cascalho, na Rua Coletora, na Vila Pinho, Região do Barreiro, em Belo Horizonte. O temporal começou por volta das 20h de domingo (13/9) e atingiu praticamente todo o beco.
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Entre os moradores afetados estão Valderni Silva e Gleyson Soares, que vivem no local há 15 anos com os três filhos: Evellyn, de 12 anos; Wallace, de 10; e Danillo, de 7. Segundo o casal, esta é a segunda vez em apenas seis meses que a família perde praticamente tudo por causa da chuva.
Quando a água começou a subir, ninguém estava em casa. Gleyson chegava ao imóvel e encontrou a água entre 1,5 metro e 2 metros de altura em alguns pontos da residência. Segundo ele, a ausência da família evitou consequências ainda mais graves.
“Eu tive sorte que, graças a Deus, eu estava chegando em casa. Porque, se nós estivéssemos dentro de casa, se nós estivéssemos expostos e com os meninos aqui, talvez a história seria outra. Talvez nós não estaríamos aqui hoje contando ela”, relata.
A água entrou na residência e levou lama e sujeira para os cômodos. Na segunda-feira (14/9), a reportagem do Estado de Minas esteve no endereço e encontrou o imóvel tomado pela lama e pelos rastros da enxurrada. Geladeira, fogão, cama, televisão, celular, alimentos, produtos de higiene e outros objetos foram perdidos.
“Não sobrou quase nada”, resume Gleyson.
A família conseguiu retirar apenas alguns objetos antes de deixar o imóvel. “Consegui juntar pouquíssimas coisas em uma bolsa. Algumas roupas, apenas”, conta.
A inundação também afetou a rotina dos três filhos. O material escolar das crianças foi perdido, e Valderni ainda precisa ir à escola para comunicar o ocorrido e justificar a ausência dos filhos nas atividades.
Depois da chuva, a família passou a noite na casa da mãe de Gleyson. Os três filhos permaneciam no local nesta segunda-feira, enquanto os pais voltaram à residência atingida para organizar o que restou e avaliar os próximos passos.
A preocupação é maior porque um dos filhos tem autismo e, segundo a mãe, apresenta maior sensibilidade a sons e mudanças bruscas de ambiente. Por isso, a família decidiu não seguir, por enquanto, a orientação da Defesa Civil para permanecer em um abrigo.
“A Defesa Civil esteve aqui, mas ainda não sabemos o que poderá ser feito. Eles sugeriram que nós fôssemos para um abrigo, mas um dos meus filhos tem autismo, então ele é muito sensível ao som. Está na casa da minha sogra por enquanto e, ainda assim, não está passando bem. Ontem foi um grande susto”, conta Valderni.
O casal afirma que a chuva de domingo não foi um episódio isolado. Há menos de seis meses, a família já havia enfrentado uma situação semelhante e perdido os pertences. A repetição do problema aumenta a insegurança sobre a possibilidade de permanecer no endereço.
Vizinha também perdeu parte da casa
A poucos metros dali, a história se repete. Valdiceia Silva, que mora com os dois filhos, Yuri e Gabrielly, teve a casa invadida pela água e perdeu móveis, objetos pessoais e parte da estrutura do imóvel.
Segundo ela, a água atingiu primeiro uma residência vizinha e depois avançou para outras casas do beco. Valdiceia afirma que a força da água teria atingido um muro de arrimo e provocado danos em imóveis próximos.
De acordo com a moradora, a água passou pela área externa e entrou na residência pelos pontos mais baixos. “Foi enchendo, com os buracos enchendo, entrou para dentro de casa”, conta.
A Defesa Civil esteve no imóvel e orientou Valdiceia a deixá-lo. Segundo a moradora, os agentes informaram que há risco de um novo episódio e que a avaliação deverá envolver a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel).
Até a tarde desta segunda-feira, porém, ela ainda não sabia quando uma equipe da companhia faria uma vistoria no endereço.
Parede cai e eletrodomésticos são destruídos
Outro imóvel atingido pela chuva fica próximo dali e pertence a Kauê Ferreira, que mora com o sobrinho de 15 anos. Na noite do temporal, Kauê trabalhava, enquanto o adolescente permanecia sozinho em casa quando a água começou a entrar.
O sobrinho telefonou para familiares para avisar sobre a situação. Pouco depois, Kauê recebeu a notícia de que parte da estrutura havia cedido.
Uma parede caiu, o telhado foi danificado e a água tomou o interior do imóvel. Televisão, geladeira e outros eletrodomésticos foram atingidos e, segundo o morador, ficaram sem condições de uso.
“Eu não faço a mínima ideia de como é que ela caiu. Tinha uma TV aqui, a TV caiu, queimou. A geladeira queimou também. Todas as coisas que eu comprei queimaram, gente. Não tem mais nada”, lamenta.
A cama ficou molhada e diversos outros objetos foram perdidos. Enquanto recebia as notícias no trabalho, Kauê tentou sair mais cedo para verificar a situação, mas não conseguiu deixar o serviço imediatamente devido às demandas.
“Fiquei desesperado lá no trabalho. Eu pedi para eles me liberarem cedo, mas havia muito movimento. Eles acabaram não me liberando”, relata.
Quando conseguiu chegar à residência, a água já havia provocado os principais danos.
54 imóveis já foram atendidos
A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que, até o momento, 54 imóveis das Vilas Pinho e Ecológica, na Regional Barreiro, foram atendidos após as chuvas. Um Posto de Comando Avançado foi montado na Vila Pinho para levantar os danos e prestar atendimento às pessoas atingidas.
Entre os materiais de ajuda humanitária distribuídos até agora estão 25 cestas básicas, 71 colchões, 68 cobertores, 40 lençóis e 306 telhas.
A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que acompanhou a situação durante as fortes chuvas que atingiram a região do Bairro Tirol, no Barreiro, e mobilizou equipes para a limpeza e a desobstrução das vias afetadas. Também participaram das ações equipes da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e da Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb).
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Os trabalhos começaram no fim de semana e foram reforçados nesta segunda-feira, com limpeza das áreas atingidas e apoio aos moradores.
A região já passa por obras de drenagem. Segundo a prefeitura, um novo sistema está sendo implantado na Praça Deputado José Raimundo e em vias do entorno.
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As intervenções buscam aumentar a eficiência das bacias de detenção Olaria e Jatobá e reduzir os impactos das chuvas. A previsão é concluir as obras no primeiro semestre de 2027.