Suspeito de matar a namorada asfixiada em apartamento em BH se torna réu
Crime ocorreu em fevereiro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte; suspeito, de 45 anos, está preso preventivamente
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Pedro Naves, Alexandre Carneiro
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Adalton Martins Gomes, de 45 anos, se tornou réu pelo feminicídio da estudante Giovanna Neves Silvana Rocha, de 22 anos. O crime ocorreu em 9 de fevereiro, quando a vítima foi encontrada morta no apartamento em que vivia, na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele foi detido temporariamente no último dia 19 de maio e teve a prisão convertida em preventiva em 26 de junho.
Nesta sexta-feira (11/9), a juíza do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, aceitou a denúncia contra o homem. A magistrada manteve a prisão cautelar e estabeleceu um prazo de 10 dias para que a defesa dele responda à ação penal.
Relembre o caso
Giovanna foi encontrada morta e despida em cima da cama do próprio quarto por uma amiga. Ela foi ao apartamento após a jovem não comparecer a um almoço nem responder a mensagens. A polícia foi chamada e confirmou o óbito no local.
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As primeiras investigações apontavam para um possível suicídio da vítima. A delegada Ariadne Elloise Coelho, titular do núcleo especializado de investigação de feminicídios vinculado ao Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que a investigação seguiu esse caminho porque a jovem apresentava histórico de depressão e já teria tentado tirar a própria vida duas vezes.
A delegada também apontou que a cena do crime foi montada de forma a reforçar a hipótese. "Havia medicamentos (clonazepam) vazios na cama, na sala", revelou Ariadne. Apesar disso, as investigações seguiram sendo acompanhadas pelo núcleo de feminicídios.
A delegada destacou que relatos de amigas próximas sobre o comportamento do suspeito antes e depois do óbito foram importantes para não descartar a hipótese de feminicídio. Os investigadores tiveram acesso a imagens de uma câmera de vigilância, que mostraram Adalton saindo do prédio horas antes de o crime ser descoberto.
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O laudo de necropsia confirmou o assassinato, sendo a causa da morte a asfixia mecânica direta. O relatório não conseguiu confirmar de que maneira foi realizada a obstrução da boca e do nariz da vítima para o crime. Segundo Ariadne, esse resultado foi crucial na investigação, já que o corpo não apresentava sinais aparentes de asfixia que confirmassem a hipótese de feminicídio.
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) remontou aspectos do relacionamento do casal antes mesmo da confirmação da causa da morte, por meio do laudo de necropsia. Os dois, então, estavam juntos há cerca de quatro meses e, logo no início do envolvimento, em outubro de 2025, o suspeito já começou a morar com a vítima, sem convite.
Segundo relatos que constam na investigação, Adalton foi levando pertences aos poucos para o apartamento, até que começou a morar definitivamente com a vítima. O homem também alterou as contas do condomínio e do apartamento para o próprio nome, o que demonstraria interesse patrimonial por parte dele em Giovanna, segundo a polícia.
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O apartamento em que a jovem morava na Savassi foi deixado como herança pelo seu pai, que faleceu em julho de 2025. Após a morte da jovem, o suspeito também tentou oficializar uma união estável para que pudesse ter a posse do apartamento.
Durante o período entre a morte e sua prisão, ele continuou morando no local e impediu a entrada de familiares de Giovanna, segundo apontam as investigações. O homem, inclusive, chegou a mandar áudios para diversas amigas da estudante, solicitando ajuda para o pedido de união estável, utilizando até tom de ameaça com uma delas.
O homem também apresentou inconsistências em suas falas, já que afirmou que "a jovem morreu em seus braços" para uma das amigas, mas ele não foi o responsável por chamar a polícia. No momento da prisão, ele permaneceu calado.
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Ainda de acordo com informações da investigação policial, Adalton era casado e morava com a esposa e os quatro filhos quando conheceu Giovanna. Ele saiu de casa para morar com a jovem de 22 anos.