Os alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) denunciam os problemas recorrentes nos elevadores e bebedouros da instituição de ensino. Alguns discentes relatam que chegaram a ficar presos entre as plataformas por aproximadamente 40 minutos. Os problemas nos elevadores impõe ainda mais dificuldades para a locomoção dos estudantes com deficiência pelo prédio de 14 andares. A comunidade marcou uma manifestação no endereço para esta sexta-feira (28/8).
Os discentes informam que Faculdade de Direito, somados os prédios da graduação e da pós, tem ao todo oito elevadores e que todos precisam ser trocados.
No edifício da graduação, são três elevadores para uso geral e um para professores. Com a interdição dos ascensores, os estudantes tiveram que usar o dos docentes, que também apresentou falhas nessa terça feira (25/8). Nessa situação, os alunos relataram ao Estado de Minas que o elevador ficou desnivelado no 3º andar, quando despencou para o subsolo.
Uma outra paralisação marcante ocorreu em 7 de agosto, quando mais de 10 alunos ficaram presos dentro de um dos elevadores. Segundo o estudante do 10º período de direito Bernardo Otoch, de 23 anos, problemas como esse vêm sendo levados à diretoria há anos. "É um problema histórico dos elevadores da Faculdade de Direito da UFMG. Tem ex-alunos que nos relatam que eles dão defeito desde 2006 e que, às vezes, travavam, mas esse problema se agravou no último ano."
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O aluno também é o presidente do Centro Acadêmico – responsável por intermediar assuntos estudantis com a diretoria do edifício. Ele narra que os contatos com a administração universitária são feitos de modo corriqueiro, mas que os problemas estruturais persistem em acontecer.
A ausência da ferramenta impacta a dificuldade do acesso dos discentes com deficiências ou daqueles que apresentam alguma dificuldade de locomoção. Ainda segundo Bernardo, uma das justificativas dadas à comunidade acadêmica sobre a dificuldade de solução é a de que os elevadores são obsoletos, o que impede o acesso às peças de reposição. Para isso, o correto seria a aquisição de novos elevadores.
"Após questionarmos a diretoria e recebermos a devolutiva da dificuldade de acesso às peças, um elevador parou de funcionar no primeiro semestre e outro parou agora no segundo", contou. "Esse elevador parou com alunos dentro pelo menos umas cinco vezes nas últimas três semanas", comentou Otoch.
"Foi desesperador"
Em uma dessas ocasiões, a aluna de direito do 5º período Emilly Inês Assunção ficou mais de uma hora presa no elevador no início de agosto. Ela era estudante do período noturno e estava a caminho da sala quando passou pelo incidente.
"Entramos no elevador umas 18h30 e saímos de lá umas 19h35", conta. "Nunca tinha ficado presa dentro de um elevador e foi desesperador! O cérebro entra em um estado de desespero, tentamos manter a calma ali, mas a vontade era de sair correndo", narra a estudante.
Segundo Emilly, outras 14 pessoas estavam dentro do elevador no momento em que ele parou. Como medida para se "distraírem" desse caos, os alunos abriram uma live no Instagram do Centro Acadêmico para mostrar a situação que vivenciavam.
Nas imagens, é possível ver que os alunos estão presos entre o oitavo e nono andar – o edifício tem 14. Os alunos questionam a diretoria da faculdade, "que só aparecem para pedir votos". Uma aluna ligou para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) para pedir socorro.
"Tiveram pessoas lá dentro que choraram. A nossa sorte é a de que uma colega nossa, que nos acompanhava, é filha de um bombeiro. Ela estabilizou todos que estavam lá dentro, deu água, conversou e nos acalmamos", lembra. "É uma sensação horrorosa, você estar sabe se lá quantos metros do chão, sem poder sair, sem ventilação. É muito difícil manter a calma nessas situações", completa a aluna.
Ao perceberem que necessitavam de ajuda, os alunos presos mandaram mensagem para um colega que estava do lado de fora e pediram socorro. Ele foi aos seguranças e relatou a situação. A equipe telefonou para os bombeiros e para os técnicos, que foram responsáveis por liberar os discentes do elevador.
Bebedouros com defeito
Outro ponto destacado pelos estudantes é a péssima qualidade dos bebedouros. De acordo com Bernardo, essa é a questão recorrente levada à diretoria da Faculdade de Direito.
"Os bebedouros são um problema estrutural antigo da faculdade. Nós do Centro Acadêmico começamos uma política de fiscalização, identificamos quais funcionam e quais estavam inoperantes", relata. "No meio do semestre passado enviamos um ofício para a diretoria, com a quantidade de materiais com defeito. Eles responderam com o conserto de um ou outro, mas alguns ainda permanecem inoperantes", conta o estudante.
Um bebedouro ganhou destaque negativo nas conversas. Localizado no prédio de pós-graduação de direito, a fonte de água está com uma plaquinha escrito "Não beba que tem larvas".
A partir da soma de todas essas reclamações, os alunos resolveram fazer uma manifestação nesta semana. Na segunda, os alunos fizeram uma espécie de velório para o maquinário e relembraram a necessidade de instalação de novos no local. Como andamento para os protestos, um novo ato foi marcado para esta sexta-feira (28/8), às 20h30, na Faculdade de Direito.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) se manifestou no Instagram e indicou que solicitou respostas à reitoria da UFMG, mas que não obteve retorno. "A graduação merece estrutura, manutenção e principalmente segurança. Elevadores não são luxo, é uma questão de dignidade. A reitoria e a diretoria precisam urgentemente corrigir essa situação", apontou o órgão na legenda.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da UFMG, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck
