A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, pode completar um ano de licença médica. A servidora da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está afastada para tratamento de saúde desde 13 de agosto de 2025, dois dias depois do homicídio ocorrido no dia 11 do mesmo mês. 

O afastamento foi confirmado ao Estado de Minas pela defesa da delegada. A última renovação passou a vigorar em 9 de junho, com validde até esse domingo (9/8). No entanto, o advogado que a representa, Leonardo Avelar Guimarães, informou que foi solicitada a prorrogação novamente. Segundo ele, ainda não há decisão oficial da PC sobre o pedido. Caso não retorne ao trabalho, a delegada completará, em 13 de agosto, um ano ausente da corporação.

A defesa ainda informou em nota: "Quanto à saúde, a Dra. Ana Paula encontra-se afastada em razão de licenças médicas sucessivamente concedidas e renovadas por junta médica oficial da própria Administração Pública. Não se trata de afastamento voluntário nem de expediente processual relacionado à sua defesa técnica; cada prorrogação decorreu de perícia realizada por médicos do Estado, que atestaram a permanência do quadro incapacitante". 

O diagnóstico de saúde não é público, por determinação legal. "O que se pode afirmar é que subsiste a incapacidade para o exercício das atribuições específicas do cargo policial, que envolvem porte de arma, decisão sob pressão e atendimento direto a vítimas de violência", esclareceu.

Procurada pela reportagem, a PCMG se limitou a informar que a licença para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente, conforme previsão legal e mediante avaliação médica competente, observados os procedimentos administrativos aplicáveis.

Indiciamento

Ana Paula foi indiciada pela Corregedoria da Polícia Civil por prevaricação, por ter entregado sua arma profissional, em momentos anteriores ao crime, ao marido. Além disso, durante as investigações, ela também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, no entendimento da Lei de Desarmamento por ter cedido ou emprestado sua pistola de uso pessoal para o companheiro.

Questionada nesta segunda-feira (10/8), a corporação confirmou a existência do processo administrativo disciplinar para apuração de eventual prática de transgressão disciplinar que está em tramitação pela Corregedoria-Geral. As investigações mostraram ainda que a servidora do governo de Minas Gerais tinha ciência que Renê usasse sua pistola de uso pessoal. O processo ainda está em fase de tramitação.

Mesmo com as investigações, a defesa da delegada rebateu que Ana Paula Balbino não tem nenhuma participação ou relação com os fatos investigados acerca da morte de Laudemir Fernandes. "As apurações e as acusações existentes são direcionadas a terceiro, inexistindo imputação de participação da Dra. Ana Paula nesses fatos, conforme decidido pela Justiça", alegou.

O advogado ainda defendeu que não houve empréstimo, cessão ou qualquer forma de autorização ou conivência da servidora quanto ao acesso de arma de fogo sob sua guarda ou responsabilidade a terceiros. "Muito embora tenha ocorrido seu indiciamento em inquérito policial relacionado à apuração do crime de homicídio, a defesa ressalta que, além de precipitada e indevida a conclusão, Ana Paula não foi sequer ouvida naquele procedimento, sendo que a sua inocência será demonstrada no devido processo, em que terá oportunidade de se defender adequadamente", destacou.

Participação

Desde a morte de Laudemir, a Corregedoria da PCMG instaurou um procedimento administrativo para investigar a participação da delegada no crime. No dia, Ana Paula foi levada até a sede do órgão correcional para ser ouvida sobre o uso de sua arma pessoal no possível crime. Na ocasião, segundo repassado à imprensa pelo porta-voz da corporação, o delegado Saulo Castro, a servidora afirmou que o marido não tinha acesso aos dois artefatos. Além disso, a delegada disse que não tinha nenhuma informação em relação ao crime em que o companheiro é réu.

Porém, ao longo das investigações, ficou confirmado que a servidora sabia que o marido tinha envolvimento com o crime antes que Renê fosse preso no fim da tarde de 11 de agosto. A informação consta na conclusão do inquérito que tramitou na 4ª Subcorregedoria da Polícia Civil. 

Durante o inquérito, os investigadores, por meio de análises do aparelho celular, conseguiram confirmar que a delegada sabia que Renê era suspeito do crime, mas não acionou a polícia nem o prendeu. Conforme o documento, Ana Paula fez 29 pesquisas na plataforma de Registro de Eventos de Defesa Social (REDS), onde estão boletins de ocorrências em andamento e finalizados. As consultas, ainda segundo as análises, aconteceram das 10h30 às 13h20. Entre os filtros usados pela delegada estavam seu nome, a placa do carro de seu marido e os nome de Renê e da vítima.

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Ao longo das investigações sobre a morte de Laudemir, a PCMG não conseguiu confirmar se a delegada sabia, ou não, que o marido matou uma pessoa a caminho do trabalho. Após a conclusão do inquérito criminal, o delegado Matheus Moraes afirmou que, no dia do crime, diversas mensagens trocadas entre os dois foram excluídas e eles teriam passado a se comunicar por ligação via aplicativo de mensagem. Os policiais conseguiram recuperar que, às 14h37, Ana Paula mandou um print de uma matéria publicada por um veículo de imprensa de BH com imagens do carro de Renê. Em seguida, ele liga para a esposa e os dois conversam por cerca de sete minutos.

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