A implantação de um novo centro de convenções e eventos no Bairro Santa Lúcia, na Região Centro-Sul da capital mineira, foi pauta de uma audiência pública na Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) na tarde desta quinta-feira (6/8). Moradores da região reclamam de falta de transparência e temem os impactos operacionais do empreendimento, que terá capacidade para receber cerca de 4,5 mil pessoas e disponibilizará 257 vagas de estacionamento. O projeto prevê ainda um pavilhão principal de 4.084 m², além de cinco salas modulares e foyers, que somam 860 m². 

Batizado de Casa Vereda, o empreendimento é operado pela Eco Minas, mesma administradora do Expominas, e tem inauguração prevista para setembro, segundo informações da página oficial no Instagram. As obras para a implantação do espaço, que será destinado a congressos, convenções, formaturas, casamentos e outros eventos, estão em fase final. Localizado na Rua Maria Luiza Santiago, o imóvel foi ocupado, durante anos, pela loja de materiais de construção Telha Norte.

Os moradores que estiveram presentes na audiência pública relataram que o trânsito na região já é "intolerável" e levantaram a possibilidade de avaliar contrapartidas para minimizar novos impactos. "A mobilidade é um grande problema com o qual já estamos sofrendo e, com um empreendimento desses, sem infraestrutura, temos certeza que vamos sofrer mais", disse José Raimundo Silva Santos, residente no Belvedere.

O vice-presidente da Associação dos Moradores do Bairro Belvedere, Carlos Rafael Martins Jardim, reforçou a necessidade de dados para que moradores possam participar dos debates, mencionando preocupação ao avaliar o conjunto de empreendimentos recentes na região. "Não somos contrários a ter empreendimentos na região, mas precisam ser planejados, analisados e minimizados todos esses impactos", ponderou.

O representante da Associação dos Moradores do Bairro Santa Lúcia, Matheus Vidigal, também esteve presente e relatou um clima de apreensão na vizinhança. "Há preocupação geral. Não somos contra o avanço da cidade, não somos contra o empreendimento, e temos que delimitar o que é uma obrigação privada e o que é uma obrigação municipal. O empreendimento, caso ocorra, caso passe por todas as questões de licenças, vai existir. Mas o que pode ser feito para minimizar os impactos?", questionou.

'Impacto significativo no trânsito'

Representante da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a subsecretária da Secretaria de Mobilidade Urbana, Jussara Bellavinha, afirmou que recebeu o relatório de impacto do empreendimento no dia anterior à audiência pública e que, portanto, não teve tempo para avaliá-lo de forma aprofundada. No entanto, ela pontuou que haverá um "impacto significativo no trânsito".

Jussara ainda citou um relatório que aponta que, se o espaço recebesse um evento durante o horário de maior impacto, no fim da tarde, haveria um aumento de 123% no atraso do tráfego. Ela também observou que, de acordo com a legislação, o empreendimento deveria oferecer apenas 83 vagas para veículos, em vez de 257.

"É um empreendimento que, não tem como negar, é impactante, mas, pelo que entendo, ainda sem estudar profundamente o assunto, se enquadra em empreendimento de impacto, por ser casa de espetáculo acima de seis mil metros quadrados; então, vai passar por licenciamento urbanístico e nele são colocadas condicionantes", avaliou.

O vereador Professor Juliano Lopes (Podemos), que requereu a audiência, solicitou que o empreendimento encaminhe o relatório técnico para a comissão e que a audiência pública seja enviada ao secretário municipal de Política Urbana. A gerente técnica da Eco Minas, Sabrina Di Biasio, disse que não foi possível preparar uma apresentação em tempo hábil, mas que enviaria tanto o estudo de impacto completo quanto um resumo do empreendimento.

Casa funcionará durante a noite

Márcia Ribeiro, diretora da Casa Vereda, informou que o espaço está totalmente inserido no âmbito municipal, sem precisar de avaliação estadual, e confirmou que há previsão de funcionamento no período noturno. "Estamos fazendo toda a adequação da casa, dentro dessas características de tratamento acústico, rota de fuga, de tudo o que é necessário de alteração desse imóvel para atender dentro das normas e preservando a área primária; enfim, fazendo toda a adequação para esse uso", disse.

A representante do empreendimento confirmou que as obras estarão concluídas em setembro, mas que a casa só abrirá para funcionamento quando toda a documentação for emitida. No entanto, ela admitiu a possibilidade da realização de um evento-teste. "Nós não realizamos eventos; somos gestores da casa. Pode ser que algum evento queira fazer o licenciamento temporário para acontecer antes que a casa tenha alvará definitivo, mas isso é caso a prefeitura licencie. Não vamos abrir sem as licenças necessárias", disse Márcia.

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Quanto ao estacionamento, a diretora da Casa Vereda acrescentou que, além do estacionamento próprio, o empreendimento ainda está mapeando vagas de equipamentos vizinhos para oferecer serviço de manobrista em casos de eventos com maior quantidade de pessoas.

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