TRAGÉDIA

Seis meses após tragédia, Juiz de Fora renova decreto de calamidade

Medida estende por mais 180 dias as ações emergenciais na cidade, que soma 240 famílias dependentes do Auxílio Moradia e 26 vias interditadas

Publicidade
Carregando...

Seis meses após a tragédia provocada pelas chuvas, que deixou 66 mortos e mais de 8,8 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), na Zona da Mata mineira, formalizou a renovação do estado de calamidade pública no município por mais 180 dias. Assinado pela prefeita Margarida Salomão (PT), o Decreto nº 17.955 estende os efeitos da medida emergencial adotada em 24 de fevereiro de 2026, quando tempestades causaram graves danos à infraestrutura e à população local.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

A medida fundamenta-se na persistência dos severos estragos provocados pelas chuvas e busca assegurar respaldo jurídico e administrativo para a recuperação da cidade, além de manter ativos os direitos dos cidadãos atingidos, como o saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a solicitação de pausa nos contratos de financiamento imobiliário.

O novo decreto mobiliza de forma integral todos os órgãos municipais sob a coordenação da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, permitindo a atuação conjunta com instâncias estaduais e federais, bem como a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação de recursos.

No âmbito das prerrogativas constitucionais de emergência, o texto autoriza agentes públicos a adentrarem imóveis particulares para socorro ou evacuação imediata em cenários de risco iminente, além do uso temporário de propriedade privada, garantida a indenização posterior se houver dano.

Para acelerar a recuperação urbana, a normativa autoriza o início de processos de desapropriação por utilidade pública em situações extremas e estabelece a dispensa de licitação, com base na Lei Federal nº 14.133/2021, para a aquisição de bens e a contratação de obras e serviços que possam ser concluídos no prazo máximo de um ano.

Assistência

Procurada pelo Estado de Minas, o Executivo municipal detalhou o balanço recente da tragédia e a transição do atendimento emergencial para a assistência contínua. Durante o auge dos eventos climáticos, o município chegou a acolher 630 pessoas em escolas, enquanto 130 indivíduos pertencentes a 43 famílias foram encaminhados a moradias temporárias e 453 pessoas de 197 famílias precisaram ser hospedadas em hotéis.

Atualmente, conforme a prefeitura, a rede hoteleira e as escolas não abrigam mais desalojados, e o amparo assistencial é mantido diretamente por meio do pagamento do Auxílio Moradia a 240 famílias. Paralelamente, os impactos na mobilidade urbana continuam. Ainda há 26 vias totalmente interditadas e diversos trechos operando com restrições de tráfego para ônibus e veículos pesados, sob monitoramento da Defesa Civil por meio de vistorias técnicas, uso de drones e acompanhamento.

Obras

Para reconstruir as áreas mais afetadas, a administração municipal conta com um pacote de R$ 271,5 milhões captados junto ao governo federal pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O cronograma desse conjunto de intervenções avança em diferentes etapas. A obra do Morro do Cristo já se encontra em processo de licitação, o projeto da "Curva da Miséria" passa por análise técnica na Caixa Econômica Federal, e as propostas para os bairros Bom Clima, Tiguera/Nossa Senhora de Lourdes, Jardim Natal e Esplanada/Cerâmica seguem na fase de elaboração executiva.

Já para a Estrada Engenheiro Gentil Forn, uma proposta foi submetida ao Ministério das Cidades e aprovada, e aguarda validação da Secretaria do Tesouro Nacional enquanto o projeto de engenharia é finalizado. Além disso, o município mantém quase 50 outros projetos de contenção aprovados junto à Defesa Civil Nacional, em variados estágios de planejamento e execução, com o objetivo de reestruturar as encostas e evitar novos desastres na região.

Relembre a calamidade

Fevereiro de 2026 se consagrou como o mais chuvoso da história de Juiz de Fora. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês também foi um dos meses mais chuvosos dos últimos anos em Minas Gerais, principalmente nas regiões Centro-Sul e Oeste do estado. O principal destaque foi Juiz de Fora. Até o dia 23, foram registrados 460,4 milímetros de chuva no município. O recorde anterior era de fevereiro de 1988, quando o acumulado atingiu 456 milímetros. Já o acumulado total do mês foi de 752,4 mm. De acordo com a Defesa Civil, a previsão era de 170,3 milímetros para todo o mês. 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Naquela ocasião, as chuvas intensas provocaram um deslizamento atrás do outro, vias alagadas e pessoas deixando seus lares ao som de sirenes, megafones e resgates dramáticos de vítimas soterradas. O número de atendimentos realizados pelo órgão municipal também alcançou patamar inédito: 432 registros até 23 de fevereiro, superando as 352 ocorrências contabilizadas em fevereiro de 1988.

Tópicos relacionados:

calamidade de decreto juiz-de-fora

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay