SUSTO

'Acordamos no susto com o estrondo', diz moradora afetada por adutora

Tubulação se rompeu na madrugada desta quarta-feira (19/8) na Rua Xapuri. A força d’água alagou um trecho da Avenida Barão Homem de Melo

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“Acordamos no susto com o estrondo. Minha menina, de 3 anos, ficou assustada e tivemos que acalmá-la com toda essa situação. Ficamos muito abalados”, contou Talita Silva de Assis Portela, de 24 anos. A família dela dormia quando a adutora na Rua Xapuri, no Bairro Nova Granada, Região Oeste de Belo Horizonte, se rompeu na madrugada desta quarta-feira (19/8). O fluxo de água alagou a via e afetou a estrutura da casa de Talita. Com a intensidade do incidente, o fornecimento chegou a ser interrompido pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em 33 bairros da capital mineira. 

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Segundo a moradora, a velocidade do incidente fez com que a família saísse urgentemente da residência. "Meu tio saiu pela janela, porque era impossível passar pela porta", conta. "Na correria, pegamos poucas coisas. A maioria temos que deixar para trás, pelo menos por enquanto. O importante é que estamos bem."

A casa de Talita foi interditada pela Defesa Civil municipal para a realização de vistorias em decorrência de danos estruturais no imóvel. A força da água quebrou uma parte do muro da residência e abriu uma cratera na rua. A moradora vivia com o marido, a filha e o cachorro no andar superior, enquanto o tio morava no inferior.

 19/08/2026. Credito: Tulio Santos/EM/D.A.Press. Brasil. Belo Horizonte - MG. Rompimento em adutora abre buraco grande em imovel na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. Equipe da Copasa mobilizada no local. Na foto, Talita Silva Santos, 24, que teve que deixar sua casa no andar superior.
Rompimento em adutora abriu um buraco no imóvel de Talita Silva Santos, 24, que teve que deixar sua casa no andar superior Tulio Santos/EM/D.A.Press. Brasil. Belo Horizonte - MG. Rompimento em adutora abre buraco grande em imovel na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. Equipe da Copasa mobilizada no local. Na foto, Talita Silva Santos, 24, que teve que deixar sua casa no andar superior.

A Copasa acolheu a família e questionou sobre a existência de parentes que pudessem abrigá-los neste momento de interdição da casa. Com a negativa de Talita, eles foram encaminhados para um hotel até que a situação com o imóvel fosse resolvida. 

Situação recorrente

A Copasa informou à reportagem que, ao terem ciência do problema da via, enviou uma equipe técnica para analisar e conter o vazamento de água. A empresa afirmou que os resultados da perícia vão indicar as possíveis motivações para essa ocorrência e que está à disposição da família para acolhê-la neste momento. 

Apesar disso, moradores e comerciantes do local veem com pessimismo as promessas de solução dos problemas hídricos na região. Beatriz Bibiano Leôncio, de 17, trabalha em um restaurante que fica na esquina da Rua Xapuri com a Avenida Barão Homem de Melo. Ela conta que a empresa havia feito uma obra no mesmo ponto do incidente há um mês. 

"Teve um vazamento nesse local que durou uns três meses. A Copasa veio e consertou. Esperávamos que a partir disso tudo fosse solucionado. Só que hoje aconteceu esse alagamento", narrou Beatriz. 

Ela comenta que essa dinâmica de falta de água, somada aos recorrentes problemas com vazamento, afeta o comércio do estabelecimento. "É muito ruim, porque aqui é um restaurante", reclama. "Hoje a avenida ficou muito alagada, o que atrapalhou a chegada e saída dos clientes."

Inércia da Copasa

O incidente afetou o abastecimento de água em 33 bairros da capital mineira no decorrer desta quarta-feira. Equipes da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) chegaram a ser deslocadas para a região para prestar suporte, em decorrência do alagamento causado na via. A Copasa informou que o abastecimento pode ser normalizado gradativamente ainda nesta noite. 

Paulo Carvalho, de 64, é morador da vizinhança e também acordou às 4h30 assustado com o barulho causado pelo rompimento da adutora. Ele conta que estava sem água em casa e que problemas com a companhia são recorrentes na região. "Acordei com barulho muito forte e achei que estava chovendo porque houve uns estouros. Quando cheguei da minha janela vi a quantidade de água que jorrava em direção a avenida", narra. 

A vulnerabilidade das pessoas do Bairro Nova Granada foi outro ponto levantado pelo morador, que questionou a inércia do setor público na correção dos problemas rotineiros com a falta d'água na região. "Tenho uma caixa d'água, mas e as pessoas que não tem? Esse problema não é só meu, mas de toda comunidade que mora aqui."

Ele relata que cansou de fazer protocolos na empresa por problemas hídricos na região e que a empresa não costuma atender o telefone. Dessa vez ele tentou um contato diferente, foi atrás da imprensa para ver se algo mudava.  

 19/08/2026. Credito: Tulio Santos/EM/D.A.Press. Brasil. Belo Horizonte - MG. Rompimento em adutora abre buraco grande em imovel na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. Na foto, Paulo Carvalho, 64.
Paulo Carvalho, de 64, afirma que os problemas hídricos na região são recorrentes Tulio Santos/EM/D.A.Press. Brasil. Belo Horizonte - MG. Rompimento em adutora abre buraco grande em imovel na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. Na foto, Paulo Carvalho, 64.

"A Copasa não atende os nossos chamados e quando atendem, nos enviam um protocolo que não é respeitado", diz. "Eles estão se movimentando porque acionamos a imprensa, se não fosse isso, nem sei se eles estariam mexendo", apontou Paulo. 

O que aconteceu? 

Na madrugada desta quarta, uma adutora da Copasa rompeu na Rua Xapuri e, com a força da correnteza, provocou o alagamento da Avenida Barão Homem de Melo. Um muro foi destruído com o impacto da água. Um carro que estava estacionado ficou próximo do buraco e quase foi engolido. 

A Defesa Civil foi acionada, esteve no local na parte da manhã e fez uma vistoria em um imóvel de dois pavimentos. Eles identificaram um "processo erosivo" na base da edificação, o que resultou na interdição da residência. 

"A interdição será mantida até que sejam realizadas as intervenções necessárias para mitigação dos riscos e restabelecimento das condições de segurança", informa o comunicado.

Segundo o órgão, foi oferecido abrigo temporário aos moradores, porém a alternativa foi recusada. Também foi prestada ajuda humanitária a um dos afetados, com a entrega de colchão, cobertor, cesta básica e lençol.

"Como medida preventiva de segurança, a Rua Xapuri permanece parcialmente interditada", informou. 

A Defesa Civil vistoriou um galpão vizinho ao imóvel interditado. No local, foi constatado desabamento parcial do muro de separação entre as propriedades, sendo a situação classificada como risco médio. "O responsável pelo galpão foi notificado para adoção das medidas necessárias." (Com Pedro Naves*, Wellington Barbosa Barbosa e Edésio Ferreira

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 *Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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