Corpos de vítimas de acidente na BR-040 chegam a BH; veja velórios
Tragédia deixou dez mortos, entre eles uma menina de 7 anos e uma jovem de 19 que estava grávida de quatro meses
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Os corpos das vítimas do acidente com o ônibus que saiu de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro começaram a chegar à capital mineira na madrugada desta terça-feira (18/8). Os velórios e sepultamentos serão realizados em diferentes pontos de BH e da Região Metropolitana.
O ônibus tombou por volta das 4h30 desse domingo (16/8), no km 91 da BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Dez pessoas morreram e várias ficaram feridas. Entre as vítimas estão uma menina de 7 anos e nove mulheres adultas. O coletivo transportava 56 pessoas em uma viagem de lazer com destino ao Rio de Janeiro.
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Velórios
Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, que estava grávida de quatro meses, será velada a partir das 9h desta terça-feira na Funerária Dom Bosco, Rua Formiga, no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.
Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos; Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7; Luciana Ferreira Carvalho, de 53; e Priscilla de Souza Braz, de 33, todas moradoras da Vila Acaba Mundo, serão veladas juntas na própria comunidade. O velório está marcado para começar às 12h, na Rua Correias. Os corpos serão sepultados às 16h, no Cemitério da Saudade.
Dayanna de Lima Viana, de 36 anos, será velada de 14h às 16h, no Cemitério Belo Vale, em Santa Luzia, onde posteriormente, será sepultada. Já Vânia Elida de Jesus, 32 anos; Alessandra Pereira, de 34; e Natália Firmiano de Barros, de 34, serão enterradas e sepultadas no mesmo local, no entanto, a despedida acontece somente nesta quarta-feira (19/8), das 7h às 11h.
Ainda não há informações sobre o horário e local do velório e sepultamento de Keyla Perucci da Silva, de 35 anos.
Relembre o acidente
O ônibus da Estrela Guia Turismo havia deixado a capital na noite de sábado (15/8), com destino ao bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio. O acidente aconteceu durante a descida da Serra de Petrópolis.
Para parte dos passageiros, o passeio tinha como objetivo conhecer o litoral e levar crianças pela primeira vez à praia. Entre eles estava Lavinia Eduarda, de 7 anos, que insistiu em viajar com a mãe e os irmãos pois queria conhecer o mar.
A mãe da menina, Maria Luiza Souza, de 27 anos, sobreviveu ao acidente. Ela permaneceu no Rio para acompanhar os filhos e outros familiares. Ela perdeu a filha e a irmã, Priscilla. Em relato ao Estado de Minas, Maria Luiza contou que tinha receio de fazer a viagem justamente por medo de acidentes, mas acabou mudando de ideia depois da insistência da filha.
“Minha tia e minha irmã estavam acostumadas a viajar. Eu tinha medo justamente por causa disso, de acidente. Eu não ia por causa disso. Só que a Lavínia ficou me pedindo: ‘Mãe, por favor, me leva, por favor, deixa a gente ir com você’”, contou.
A princípio, à criança não participaria do passeio. A mãe relatou que decidiu levá-la depois dos pedidos da menina e precisou preparar de última hora as coisas para a viagem. O grupo pretendia passar o dia no litoral e proporcionar às crianças o primeiro contato com a praia. “Falei: está bom, vamos. Arrumei as coisas dela na última hora”, relatou.
Sobrevivente diz que alertou sobre velocidade
Maria Luiza descreveu os momentos que antecederam o tombamento. Segundo ela, passageiros começaram a perceber que o ônibus balançava excessivamente ainda no início do trajeto. O grupo havia embarcado por volta das 21h, em frente à Prefeitura de Belo Horizonte.
De acordo com o seu relato, o balanço do veículo chamou a atenção dos passageiros ainda na capital. Quando o ônibus se aproximou da BR-040, ela percebeu que o motorista teria aumentado a velocidade.
Ela e outros passageiros procuraram o guia turístico para reclamar da condução. Segundo ela, a resposta recebida foi de que o balanço seria normal porque o veículo tinha dois andares e que os passageiros se acostumariam.
A explicação, porém, não tranquilizou a passageira, que afirmou que sua preocupação não era chegar ao Rio a tempo de assistir ao nascer do sol, mas chegar ao destino com segurança. “Eu queria chegar lá com vida”, afirmou.
Depois de uma parada durante a madrugada, o motorista teria retomado a viagem em velocidade elevada, segundo Maria Luiza. O coletivo passou novamente a balançar de um lado para o outro, provocando reclamações entre os passageiros. “Eu pensei: se continuar desse jeito, vamos morrer dormindo, porque isso aí não é normal”, contou.
A preocupação era ainda maior porque Maria Luiza viajava com os quatro filhos. Além de Lavínia, estavam no ônibus Ícaro, de 10 anos; Maia, de 4; e uma bebê de 1 ano.
Ela contou que chegou a pedir que o coletivo parasse e que o condutor acionasse o freio. “Pedi ao motorista para parar, para puxar o freio de mão. Ele ia bater”, relatou.
De acordo com a sobrevivente, o ônibus atingiu um carro e outros obstáculos às margens da rodovia. Depois, bateu contra uma ribanceira e tombou em direção a uma área de árvores. A dinâmica e as causas do acidente ainda são investigadas pelas autoridades.
Comunidade ajuda famílias
Diante da dimensão da tragédia e da permanência dos familiares no Rio, moradores da Vila Acaba Mundo organizaram uma rede de solidariedade para auxiliar as pessoas afetadas pelo acidente.
Uma vaquinha foi criada para ajudar a custear hospedagem e outras despesas. Moradores e amigos também organizaram três carros para transportar familiares de Minas até o Rio.
A mobilização passou a ser uma das principais formas de suporte para os familiares que precisaram permanecer longe de casa, enquanto aguardavam informações sobre os mortos e acompanhavam os sobreviventes internados.
Empresa é questionada por família
Enquanto a comunidade se mobiliza para ajudar, Maria Luiza afirma que ainda não recebeu contato direto da empresa responsável pela viagem. Segundo ela, desde o acidente, a Estrela Guia Turismo não teria procurado a sobrevivente para saber sobre sua situação ou oferecer assistência.
A empresa havia informado anteriormente que presta assistência às famílias das vítimas e que colabora com as investigações. Questionada sobre as medidas adotadas, a companhia de turismo afirmou que está no hospital acompanhando as vítimas, mas não detalhou quais ações de assistência estão sendo oferecidas aos familiares.
Ônibus não tinha autorização para transporte interestadual
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus envolvido no acidente, de placa AKY-3454, não estava habilitado para o transporte interestadual de passageiros. Por isso, a viagem foi classificada pela agência como transporte clandestino.
O veículo está registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, que tem comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Segundo a ANTT, nenhuma das duas empresas estava habilitada para realizar transporte interestadual de passageiros.
A agência também informou não ter localizado uma empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem.
Feridos também são atendidos em BH
Parte dos passageiros que sobreviveram precisou continuar o atendimento médico depois de deixar o Rio. Três feridos foram atendidos no Hospital João XXIII, em BH, após receberem os primeiros cuidados médicos na Baixada Fluminense.
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Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), os três pacientes chegaram ao hospital por meios próprios. Dois receberam alta e um permanecia aguardando um procedimento cirúrgico na tarde dessa segunda-feira (17/8).