Oportunidades

BH coloca pequenos negócios no centro do desenvolvimento

Política municipal de apoio aos micros e pequenos empreendedores estimula economia local e gera mais empregos, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida

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Antes mesmo de abrir as portas, responder aos primeiros clientes ou registrar a primeira venda do dia, milhares de pequenos empreendedores já tomaram uma série de decisões que podem definir o futuro de seus negócios. Conferiram o fluxo de caixa, responderam mensagens no WhatsApp, fizeram publicações nas redes sociais, negociaram com fornecedores, calcularam preços e tentaram entender por que o movimento da semana anterior foi menor que o esperado. Há alguns anos, bastava dominar um ofício. Hoje, é preciso administrar uma empresa.

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Comércio local gera empregos perto dos moradores e mantém a renda circulando no próprio município
Comércio local gera empregos perto dos moradores e mantém a renda circulando no próprio município marcos vieira/EM/D.A Press


Essa transformação, e complexidade, ajuda a explicar a mudança silenciosa que vem ocorrendo nas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. Durante muito tempo, o principal desafio era facilitar a abertura de empresas, já que a burocracia consumia tempo, dinheiro e, ao final, desestimulava quem desejava empreender. Com a digitalização dos serviços e a simplificação de procedimentos, esse obstáculo foi sendo reduzido, mas outro surgiu, ainda com mais força: garantir a sobrevivência e o crescimento dessas empresas em um mercado cada vez mais competitivo.

Em vez de burocracia, a qualificação

É justamente nesse novo cenário que Belo Horizonte vem direcionando parte de sua política de incentivo ao empreendedorismo: em vez de limitar sua atuação apenas à formalização de negócios, a prefeitura passou a investir também na qualificação permanente dos micros e pequenos empresários, entendendo que o conhecimento é um dos principais ativos para quem quer permanecer no mercado.


A mudança parece simples, mas, na verdade, representa uma nova forma de compreender o desenvolvimento econômico da cidade. Durante décadas, o sucesso de uma política pública era medido pela chegada de uma grande indústria ou de um novo investimento empresarial de porte. Esses empreendimentos continuam sendo importantes, mas já não contam toda a história do processo de crescimento. Hoje, boa parte da riqueza produzida nas cidades é gerada por negócios muito menores: padarias, oficinas, salões de beleza, restaurantes, pequenas lojas, escritórios, empresas de tecnologia, confecções e prestadores de serviços espalhados pelos milhares de bairros. É esse tecido econômico, pulverizado e quase invisível no dia a dia, que movimenta a economia local, gera empregos perto das casas das pessoas e mantém a renda circulando dentro do próprio município.


Em essência, fortalecer esse conjunto de pequenos empreendimentos significa fortalecer a própria cidade. O perfil do empresário também mudou profundamente. O comerciante de ontem administrava um balcão. O empreendedor de hoje precisa administrar reputação digital, redes sociais, plataformas de venda, meios eletrônicos de pagamento, atendimento on-line, logística, inteligência artificial, fluxo de caixa e uma concorrência que muitas vezes não está na rua ao lado, mas em qualquer lugar do país. Nunca foi tão fácil abrir uma empresa. Nunca foi tão complexo e difícil mantê-la viva, competitiva e crescendo.

PBH, Sebrae-MG e Jucemg na Sala Mineira do Empreendedor

É exatamente nesse intervalo – entre a liberação do CNPJ e a consolidação do negócio – que se insere a atuação da Sala Mineira do Empreendedor, instalada no BH Resolve. Criada por meio de parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, o Sebrae Minas e a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), a iniciativa reúne serviços de orientação empresarial, formalização, regularização e uma programação permanente de capacitações/treinamentos para quem deseja ampliar ou fortalecer seu negócio.

As “oficinas” promovidas ao longo deste semestre revelam bem essa evolução. Em vez de concentrarem esforços apenas em questões burocráticas, os encontros abordam, principalmente, temas diretamente ligados à competitividade das empresas. O empreendedor aprende a utilizar o WhatsApp Business como ferramenta profissional, técnicas para fortalecer a presença de sua empresa no Google, aprimorar estratégias de vendas, organizar o planejamento financeiro, definir preços corretamente, desenvolver liderança, melhorar a comunicação com clientes e compreender como participar das compras públicas realizadas pelo próprio município.

No BH Resolve, no Centro, o empreendedor encontra serviços de orientação empresarial, formalização, regularização e capacitação para ampliar ou fortalecer seu negócio
No BH Resolve, no Centro, o empreendedor encontra serviços de orientação empresarial, formalização, regularização e capacitação para ampliar ou fortalecer seu negócio Leandro Couri/EM/D.A Press

Não basta abrir a empresa. é preciso fazer que ela cresça

À primeira vista, são temas distintos. Na prática, fazem parte de uma mesma estratégia: democratizar conhecimentos que, até pouco tempo atrás, estavam restritos a grandes empresas ou a consultorias especializadas. A lógica por trás dessa política pública é clara: em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e competitivo, com consumidores cada vez mais exigentes, o conhecimento passou a ter peso semelhante ao do capital financeiro. Saber formar preços, compreender indicadores, utilizar ferramentas digitais ou desenvolver habilidades de gestão pode representar a diferença entre fechar as portas ou crescer cada vez mais.


É uma mudança que também reflete uma transformação na própria ideia de empreendedorismo. Se antes bastava abrir uma empresa, hoje é preciso aprender continuamente para ter sucesso e crescer. A velocidade das mudanças tecnológicas, o comportamento dos consumidores e as novas formas de relacionamento comercial exigem atualização constante, independentemente do tamanho do negócio.
Não por acaso, a programação das capacitações/treinamentos passou a incluir também temas ligados ao desenvolvimento pessoal. Inteligência emocional, comunicação assertiva, negociação, liderança e gestão de equipes passaram a ocupar espaço ao lado das tradicionais orientações sobre finanças e legislação. Afinal, administrar uma empresa torna-se, cada vez mais, o desafio de administrar pessoas, processos e informação.


Aspecto igualmente relevante dessa estratégia está na aproximação dos pequenos empresários com oportunidades que muitas vezes permaneciam desconhecidas. Ao orientar empreendedores sobre como fornecer produtos e serviços para o poder público, por exemplo, a prefeitura amplia o acesso de micro e pequenas empresas a um mercado importante, estimulando que parte dos recursos públicos também contribua para fortalecer a economia local.


Embora discretas, iniciativas dessa natureza ajudam a construir um ambiente econômico mais forte e resistente. Empresas mais preparadas tendem a inovar mais, gerar mais empregos com maior estabilidade, ampliar investimentos e atravessar períodos de crise com maior capacidade de adaptação.

Ao investir na qualificação de quem empreende, Belo Horizonte explicita uma compreensão mais ampla sobre o desenvolvimento urbano. E mostra que o crescimento econômico não depende apenas da instalação de grandes empreendimentos, de investimentos bilionários. Ao contrário, nasce também em milhares de pequenos negócios que conseguem vender um pouco mais, contratar mais funcionários, ampliar instalações e conquistar novos mercados.

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Essa é a principal mudança de paradigma. Durante muitos anos, o sucesso foi medido pelo número de empresas abertas. Hoje, a pergunta mais importante é outra: quantas delas conseguirão prosperar? A resposta são os resultados que revelam o verdadeiro impacto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios. Afinal, uma cidade se desenvolve não apenas quando novas empresas chegam, mas, principalmente, quando aquelas que já fazem parte da sua paisagem encontram oportunidades e apoio para crescer, inovar e permanecer gerando oportunidades para quem vive nela. n

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