Um homem de 37 anos foi preso por espancar uma mulher trans, de 23, na manhã dessa quinta-feira (30/7) em Frutal, no Triângulo Mineiro. O crime ocorreu devido a um desentendimento sobre o tempo de permanência em um estacionamento rotativo.
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De acordo com a Polícia Militar (PMMG), a funcionária do Flow Parking, sistema de estacionamento rotativo de Frutal, respondia aos questionamentos do homem sobre o funcionamento do sistema de Faixa Azul, quando a conversa evoluiu para uma discussão e, em seguida, para agressão física.
Em imagens feitas por pessoas que presenciaram a cena e por uma câmera de segurança de um imóvel próximo, é possível ver o suspeito desferindo diversos chutes enquanto a vítima estava deitada no chão.
A vítima sofreu lesões e foi levada ao hospital. Testemunhas apresentaram vídeos das agressões à PM e relataram possíveis ofensas relacionadas à identidade de gênero da funcionária. O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil da cidade.
A Flow Parking publicou nota de repúdio à agressão e se solidarizou com a vítima. “Nossos profissionais estão diariamente nas ruas, desempenhando suas funções com dedicação, responsabilidade e respeito à população. Da mesma forma, merecem exercer seu trabalho em um ambiente seguro, digno e livre de qualquer tipo de agressão”, diz o texto.
A publicação afirma que a empresa confia no trabalho das autoridades para a devida apuração dos fatos e que adotará todas as medidas cabíveis para proteger seus colaboradores. “Respeito não é uma escolha. É um dever de todos”, finaliza a nota.
Violência exposta em dados
Sayonara Nogueira, porta-voz da Rede Trans Brasil, entidade que luta pela garantia dos direitos humanos e cidadania plena para a população trans, lamentou o crime e ressaltou que a transfobia é um problema estrutural no país e que a violência contra esse grupo ainda é muito latente.
De acordo com o Atlas da Violência, foram registrados ao menos 35.779 casos de violência contra pessoas trans e travestis no sistema de saúde entre 2014 e 2024. Já um levantamento da Rede Trans Brasil aponta que 46 mulheres trans foram mortas até o dia 5 deste mês.
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“Sou geógrafa de formação e venho trabalhando com essa questão da segurança pública há 10 anos. Por mais que a gente tenha políticas públicas em relação à nossa comunidade, a gente vê que essa violência ainda é muito latente. E aí a gente vê que nada mudou, na verdade, muita coisa ainda precisa ser resolvida e tem que começar a partir da segurança pública”, afirma Sayonara.
