A defesa de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, apontada como responsável pela morte de Cláudio Atala Inácio, de 75, e Maria Clotilde Atala Inácio, de 76, em 29 de junho, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, protocolou pedido de revogação da prisão preventiva nos autos do processo. A diarista foi presa dois dias depois do crime em um hotel em Itabira, Região Central de Minas.
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Segundo a nota enviada pela defesa, o requerimento é parte do “pleno exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório” e que o “pedido não representa qualquer juízo de valor sobre a gravidade dos fatos investigados”. “Trata-se, exclusivamente, do exercício legítimo da defesa técnica, com fundamento nas garantias constitucionais asseguradas a toda pessoa submetida à persecução penal”, diz o texto.
Por fim, a nota declara que a defesa confia que o Poder Judiciário fará a análise do pedido seguindo os princípios do Estado Democrático de Direito.
Leia a nota na íntegra:
"A defesa técnica de Paola Stefany Neto Cirino informa que protocolou pedido de revogação da prisão preventiva nos autos do processo em que Paola figura como indiciada.
A defesa faz questão de consignar que o referido requerimento é formulado em estrito cumprimento do dever profissional que lhe é imposto pela Constituição Federal, pelo Estatuto da Advocacia e pelo Código de Ética e Disciplina da OAB, assegurando à indiciada o pleno exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório.
O pedido não representa qualquer juízo de valor sobre a gravidade dos fatos investigados, tampouco busca minimizar suas consequências. Trata-se, exclusivamente, do exercício legítimo da defesa técnica, com fundamento nas garantias constitucionais asseguradas a toda pessoa submetida à persecução penal.
A defesa confia que o Poder Judiciário apreciará o requerimento com serenidade, observando os requisitos legais aplicáveis ao caso concreto e os princípios que regem o Estado Democrático de Direito."
Relembre o caso:
De acordo com as investigações da Polícia Civil (PCMG), no dia em que Paola trabalhou para o casal, ela preparou um suco no liquidificador com quatro comprimidos de um medicamento controlado que utilizava para tratar depressão. Após o consumo da bebida, o casal começou a adormecer, o que facilitou o início do furto de R$ 18 mil, além de joias e relógios.
A situação escalou para o homicídio quando Cláudio Atala despertou durante o roubo. Segundo a versão de Paola, ela pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo e, diante da tentativa de reação do idoso, iniciou o ataque. Exames periciais confirmaram a brutalidade. O advogado foi golpeado 40 vezes, enquanto Maria Clotilde, que ainda estava sonolenta devido ao medicamento, foi morta com 14 facadas. Os corpos só foram encontrados no dia seguinte, em 30 de junho.
De acordo com a investigação, Paola já teria decidido cometer o crime antes de estar no apartamento das vítimas. Segundo a PCMG, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas. O método foi comprovado pela perícia.
A diarista foi presa em 1º de julho enquanto estava hospedada no It Itabira Hotel. Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, Paola atendeu os policiais no quarto do hotel já bastante abalada, chorando e abraçada ao filho sobre a cama do quarto.
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Conforme o inquérito da Polícia Civil, concluído em 13 de julho, Paola foi indiciada pelo crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, por duas vezes. Outros quatro homens que adquiriram bens roubados da casa das vítimas foram indiciados por receptação qualificada. Durante as investigações, eles mesmos procuraram voluntariamente a polícia, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens e os devolveram.
