O número de casos confirmados de dengue em Minas Gerais registrou um salto de 18,8% em um período de quase um mês, subindo de 34.681 no boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) de 15 de junho, para 41.224 no levantamento mais recente, publicado na segunda-feira (13/7).

No mesmo intervalo, as mortes em decorrência da doença avançaram 40,7%, passando de 27 para 38 óbitos confirmados. Apesar do avanço percentual expressivo nos registros, a pasta esclarece que esses indicadores não representam uma explosão de novas infecções.

Segundo o órgão, o aumento reflete a conclusão de exames laboratoriais e investigações de casos que já estavam na fila de espera. Além disso, comunicou que o cenário atual de transmissão real da doença está em declínio, respeitando o comportamento sazonal esperado para esta época do ano.

"Os casos confirmados nos boletins epidemiológicos correspondem, em sua maioria, à atualização dos casos notificados como suspeitos ou prováveis e que, após a conclusão da investigação epidemiológica, tiveram o diagnóstico confirmado. Após a notificação, o caso permanece como suspeito/provável até o encerramento dos exames, podendo ser descartado, confirmado ou inconclusivo. Sendo assim, o aumento no número de casos confirmados não significa, necessariamente, a ocorrência de novos casos naquele período", esclareceu em nota.

Os relatórios da SES-MG ajudam a compreender como os dados flutuaram nas últimas semanas. No primeiro panorama analisado, referente ao boletim até o dia 15 de junho, Minas contabilizava 64.701 casos prováveis e 34.681 confirmações laboratoriais, além de registrar 27 óbitos confirmados e outros 39 ainda sob investigação epidemiológica.

Uma semana depois, no boletim divulgado em 22 de junho, o estado teve uma leve oscilação para baixo nos casos prováveis, que recuaram para 64.304 ocorrências. Em contrapartida, os diagnósticos positivos subiram 5,2%, atingindo 36.517 casos confirmados. Naquela mesma semana, o sistema oficial de saúde confirmou mais cinco mortes pela doença, elevando o total de óbitos para 32, enquanto o volume de mortes em investigação permaneceu estável em 39 casos.

O balanço mais recente, publicado na segunda-feira (13/7), consolidou a tendência de atualização dos dados retroativos. Os casos prováveis mostraram estabilidade em relação ao mês anterior, somando 64.397 registros. Já os casos confirmados deram um salto de 12,8% em três semanas, chegando ao patamar de 41.224 de positivos. O boletim também trouxe a confirmação de seis novos óbitos por dengue, totalizando 38 mortes no estado, e indicou que outras 40 suspeitas de óbito seguiam retidas para análise de causa.

A aparente contradição entre os números — onde os casos prováveis caem ou se mantêm estáveis enquanto os confirmados sobem — ocorre devido ao fluxo de processamento dos sistemas de saúde. A SES-MG afirmou que todo paciente com suspeita da doença entra inicialmente no sistema como caso suspeito ou provável. Somente após a conclusão da investigação epidemiológica e dos testes laboratoriais é que o diagnóstico ganha um desfecho definitivo, podendo ser confirmado ou descartado. 

Sorotipos

A secretaria ainda apontou que há uma predominância da circulação do sorotipo DENV-2 em Minas neste ano, seguido pelo DENV-3. O sorotipo 3, associado à grave epidemia da década de 2000 no país, voltou a ser notificado no Brasil em 2023 depois de um longo sumiço. Considerado altamente virulento, tem um histórico de reaparecer em grandes ondas epidêmicas ficou um tempo ausente, o que faz com que grande parte da população se torna suscetível a ele.

Já o 1 e o 2 prevalecem e foram responsáveis pela epidemia de 2024. Vale destacar que, depois da exposição a um sorotipo, a infecção por outro eleva em muito as chances de surgirem sintomas mais graves da doença. 

Além dessa predominância, os boletins epidemiológicos da SES-MG mostram um mapa do território mineiro. Nele, cidades como BH, Montes Claros, Divinópolis, Governador Valadares, Januária e Teófilo Otoni, concentram a maior parte das ocorrências e circulação da doença.

Dentro da normalidade

Ainda segundo a pasta da saúde, a dengue apresenta comportamento sazonal, com aumento da transmissão geralmente entre os meses de dezembro e maio, relacionado às condições climáticas típicas desse período, como temperaturas mais elevadas e maior volume de chuvas, que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti. 

"No momento, o cenário epidemiológico em Minas Gerais está dentro do comportamento esperado para o período do ano e já é possível observar redução no número de casos prováveis e na transmissão da doença", garantiu.

Outras arboviroses

O balanço das últimas semanas também trouxe atualizações sobre as demais arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A febre Chikungunya registrou um avanço gradual nos diagnósticos: o estado iniciou o período monitorado, em 15 de junho, com 13.674 casos prováveis e 9.769 confirmados.

Esse cenário evoluiu para 13.894 prováveis e 10.634 confirmados em 22 de junho, até consolidar 14.881 casos prováveis e 12.483 confirmados no relatório de 13 de julho. O período também registrou a confirmação de uma nova morte pela doença, elevando o total de óbitos no ano para quatro, enquanto outras cinco mortes suspeitas continuam em investigação.

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Em contrapartida, o vírus Zika mantém uma circulação consideravelmente menor e sob controle em território mineiro. Nos boletins de 15 e 22 de junho, os indicadores permaneceram completamente estagnados em 35 casos prováveis e nove confirmados. No balanço mais recente de julho, houve apenas uma oscilação residual, subindo o acumulado do ano para 39 casos prováveis e 10 confirmados. Não há registros de mortes confirmadas ou sob investigação causadas pelo vírus Zika em Minas Gerais.

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